REFLEXÃO E ESPERANÇA

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Pela razão, porque pensamos, somos considerados animais superiores. Mas CLARICE, sempre ela, nos alerta: “Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento.” E LYGIA: “A compreensão é impossível. Não quero ser compreendida, quero ser amada. Mas é possível amar sem compreender?”
Se estendermos essas ideias para a nossa pátria amada, seria possível amá-la sem compreendê-la? Porque hoje a ideia de um Brasil grande, não apenas pela extensão do seu território, mas um Brasil grandioso e ideal, país dos nossos sonhos, das oportunidades e da felicidade geral parece ser ilusão perdida. E perdida coletivamente, tal a perplexidade com a triste realidade.
Mestre ZUENIR VENTURA, em recente crônica publicada, com sensibilidade, experiência e competência, expõe seu pensamento e revela o sentimento de grande parte do povo brasileiro: ”Falando sério, cansei de tentar entender o Brasil, que sempre foi considerado o reino do surrealismo (…). Só que agora ele é mais do que isso, absurdo, é o país do nonsense. (…) Pergunta-se muito se esta é a nossa pior crise contemporânea. Não sei, mas talvez seja a mais completa e abrangente, porque atinge ao mesmo tempo a política (desmoralizada), a economia (rebaixada), o meio ambiente (enlameado) e a ética(ultrajada pela total inversão de valores)”.
Assim, o desencanto é geral. Mas este é um país abençoado e sobreviveremos. Como? Ainda não sabemos, mas ainda não será desta vez que este “gigante pela própria natureza” perecerá. Confiemos.
Terminamos com palavras de Cícero (séc. II A.C.) “Onde se está bem, aí é a pátria.” (“Ubi bene, ibi patria”).
PS. Neste exato momento em que escrevo esta crônica, olho para o céu e vejo densas e ameaçadoras nuvens cinza chumbo encobrindo o sol e prenunciando tempestade. Mas, de repente, aproveitando-se de uma brecha que se faz janela, o SOL se anuncia, vencendo aquela barreira aparentemente intransponível, e resplandece com todo o seu fulgor. Emocionada, vejo no sol, a esperança: quando tudo parece perdido, ela ilumina e vivifica. BD

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.