Folia de Reis em Barra Nova

A Folia de Reis Estrela do Oriente se apresentou no Dia de Reis, 6 de janeiro, na residência dos jornalistas Dulce Tupy e Edimilson Soares (Agnelo Quintela)

A Folia de Reis Estrela do Oriente se apresentou no Dia de Reis, 6 de janeiro, na residência dos jornalistas Dulce Tupy e Edimilson Soares (Agnelo Quintela)

Mais uma vez a tradicional Folia de Reis Estrela do Oriente, de Sampaio Corrêa, se apresentou em Barra Nova, desta vez na casa dos jornalistas Dulce Tupy e Edimilson Soares. O evento reuniu cerca de 50 pessoas em torno desta manifestação cultural ancestral, cujas raízes remontam ao século 12, em Portugal.

O Dia de Reis surgiu no catolicismo, mas tornou-se muito significativo para todos os cristãos, pois marca a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus, ainda na manjedoura, quando levaram os presentes que simbolizam essencialmente a fé: o ouro, a mirra e o incenso. A data também encerra o Natal, sendo o dia de desfazer a decoração natalina e o presépio.
No Brasil, o Dia de Reis, dia 6 de janeiro, é um costume trazido pelos portugueses, mas logo adotado pela população mestiça, que permeou o Brasil Colonial até chegar aos dias de hoje, cultuado em várias localidades de todos o país. No Rio de Janeiro, a Folia de Reis canta o nascimento de Jesus e é comum continuar, depois do dia 6 de janeiro, cantando também em homenagem a São Sebastião, comemorado no dia 20 de janeiro. A mesa da Folia de Reis é farta, e antigamente se fazia o Bolo de Reis e sempre tem a benção da mesa, onde não pode faltar o pão e o vinho.

Zequinha com Pitico e Edimilson além de Dulce Tupy - Agnelo Quintela
Os foliões são músicos que tocam os instrumentos e entoam as cantigas, vestindo uma indumentária característica para a apresentação. Durante a passagem da Folia de Reis, as casas abrem as portas e recebem os foliões para confraternização. Atualmente, a Folia de Reis de Saquarema está desaparecendo aos poucos, na medida em que morrem os foliões mais antigos e não são substituídos pelos mais jovens.
Para que a Folia de Reis Estrela do Oriente não desapareça, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura está preparando um grupo de alunos para substituir os mais idosos. Porém, o que falta mesmo é apoio, um subsídio, para preservar o grupo que é o único a manter esta tradição.

A familia do Seu Miranda, do Boqueirão, incluindo a campeã de surfe Carol Bonelli, com Pitico, que trabalhou como jardineiro quando criança (Edimilson Soares)

A familia do Seu Miranda, do Boqueirão, incluindo a campeã de surfe Carol Bonelli, com Pitico, que trabalhou como jardineiro quando criança (Edimilson Soares)

É preciso subsidiar as
manifestações culturais

Assim como os blocos carnavalescos recebem anualmente um subsídio, hoje no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) por ano, a Folia de Reis também deveria receber este subsídio todo mês de dezembro, quando começa a andar pelos bairros. Um subsídio semelhante também deveria ser destinado à quadrilha Asa Branca, outra manifestação cultural popular, que vive às custas da iniciativa privada, e é a mais antiga em atuação no município, talvez na Região dos Lagos, completando 29 anos em 2016.

A empresária Gilza Cruz confraternizando com a babalorixá Dolores de Xangô e Maria Prestes, viúva do líder e senador Luiz Carlos Prestes (Agnelo Quintela)

A empresária Gilza Cruz confraternizando com a babalorixá Dolores de Xangô e Maria Prestes, viúva do líder e senador Luiz Carlos Prestes (Agnelo Quintela)

A Folia de Reis Estrela do Oriente ganhou em 2009 o Prêmio Culturas Populares Mestre Humberto de Maracanã, do Ministério da Cultura, na categoria Grupos Tradicionais Informais, que destacam representantes do patrimônio imaterial brasileiro. Na época, foram R$ 12.000,00 (doze mil reais) que serviram para pagar os deslocamentos da folia em Saquarema e em outros municípios, roupas, acessórios e a confecção de um folder (folheto), entre outras despesas.
Participaram do Dia de Reis, na comemoração promovida pelo casal Dulce e Edimilson, o vice-prefeito Zequinha Amorim, o ex-vereador e ex-secretário municipal Pitico Oliveira, o casal Leila e Miranda, primos de Dulce e moradores antigos do Boqueirão, a fisioterapeuta Adriana Bonelli e suas filhas Juliana e Carol, sendo Carol Bonelli bi-campeã estadual de surf sub 14 e vice-campeã brasileira, as lideranças comunitárias do bairro, Dolores, Cátia, Maria Helena e Maria, a viúva do líder e ex-senador Luiz Carlos Prestes, Maria Prestes e duas filhas, a tradutora Zóia Prestes, que tem casa na Manitiba, e Rosa, que tem casa no Boqueirão, com a filha Andrea e netos, que são bisnetos de Maria Prestes, a babalorixá Dolores de Xangô, as empresárias Gilza Cruz e Marli, o designer e guitarrista Miro Zagger e a esposa Ana Márcia, o casal Colate e Nilmar, diretora do IBASS, representando o eterno prefeito Jurandir Melo, a jornalista Michele Maria com sua mãe e avó e o fotógrafo Agnelo Quintela, entre outros.

A bandeireira da Folia de Reis Estrela do Oriente, Jurema, com os foliões João da Asa Branca e Dona Maria, da Basiléia, Sampaio Corrêa (Agnelo Quintela)

A bandeireira da Folia de Reis Estrela do Oriente, Jurema, com os foliões João da Asa Branca e Dona Maria, da Basiléia, Sampaio Corrêa (Agnelo Quintela)

A Folia de Reis Estrela do Oriente tem como mestre o sanfoneiro Boca de Velho e como bandeireira a Jurema. Também participaram da apresentação em Barra Nova a Noêmia, que também faz parte do Bloco do Morrinho, em Sampaio Corrêa, Dona Maria, mãe do ex-vereador Gildo Leonel, João da Asa Branca e outros adultos, além de jovens foliões, aprendizes.

O mestre Boca de Velho, o ex-vereador Pitico, Dolores, liderança do bairro de Barra Nova, a jornalista Dulce Tupy e o vice-prefeito Zequinha (Edimilson Soares)

O mestre Boca de Velho, o ex-vereador Pitico, Dolores, liderança do bairro de Barra Nova, a jornalista Dulce Tupy e o vice-prefeito Zequinha (Edimilson Soares)

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Sobre o autor

Alessandra Calazans é jornalista.