Um 2016 com muita água, regido por Oxalá e Iemanjá

Editorial - Dulce Tupy

Como faço todos os anos, fui visitar a mãe de santo Dolores de Xangô, no Areal. A babalorixá me recebeu com carinho e foi logo dizendo que já tinha jogado os búzios, para fazer as previsões para 2016. Eu sabia que os santos que irão reger o ano de 2016 serão Oxalá, o orixá que é pai de todos os orixás e que oferece ajuda a seus filhos nos momentos de dificuldades, e Iemanjá, a rainha do mar. No panteão da cultura afro-brasileira, Oxalá é responsável pela criação da vida na terra. Sábio, é um orixá calmo e afetivo. Na sua configuração, traz um cajado e seu alimento é a canjica branca. Oxalá rege as sextas-feiras e sua cor é o branco.
Iemanjá é a mãe da maioria dos orixás e conforta os necessitados. Sensível e sensual, é o orixá feminino mais conhecido e cultuado no Brasil, tendo em sua homenagem grandes festas realizadas na virada do ano, em muitas cidades no litoral do país. Conhecida como rainha do mar, Iemanjá é vaidosa e gosta do luxo, perfumes e flores. É dócil e gentil, mas de uma hora para a outra é capaz de mudar de personalidade, como o mar revolto, se é traída. Protetora da maternidade, compreende o coração das pessoas; sua cor é o azul e seu dia da semana é sábado; porta na mão um espelho e seu alimento é o manjar.

 

A melhor previsão
é alcançar a meta
que busca o
equilíbrio global

Segundo Dolores de Xangô, este ano de Iemanjá e Oxalá vai esfriar a cabeça de muito gente, porque a água esfria… “Muita gente vai botar a cabeça no lugar, porque o mundo está meio perdido, mas a gente sempre se acha”, diz a babalorixá. “Será um ano com muita água, a água que vai levar e vai trazer; e vai lavar também. O que for ruim vai, o que for bom, fica! Será um ano com muito amor”, continua Dolores. Quanto à saúde, será preciso tomar muito cuidado com as epidemias, principalmente veiculadas através da água, como as transmitidas pelo mosquito da dengue.
O ano de 2016 também será o “Ano Internacional do Entendimento Global”, com objetivo de promover um melhor entendimento sobre os desafios globais, como as mudanças climáticas, a segurança alimentar e as migrações. Será um ano que buscará para integrar os conhecimentos científicos e os estilos de vida. Neste mundo interligado, será preciso buscar o equilíbrio e novas formas de colaboração, visando o desenvolvimento sustentável. Assim, será preciso buscar o diálogo em vez do confronto, como foi concebido o acordo na recente na COP 21, a Conferência da ONU realizada em Paris, que produziu um documento assinado por mais de 180 países, para tentar impedir o aquecimento global. Fruto de uma sociedade de consumo baseada no ter, no lucro e na exploração sem limites do meio ambiente, o planeta pede socorro e tem que mudar.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.