Perspectivas sombrias sugerem os votos de um feliz “cano” novo

Opinião - Silênio Vignoli

Faltando poucos dias para o ano terminar, descortina-se um horizonte de incertezas. As previsões de recessão, chegando à depressão por uma inflação irreversível, são as piores a cada dia e a ameaça de novos impostos, como a CPMF, é cada vez maior. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou aos dois dígitos: 10,28%. É a primeira vez que o IPCA ultrapassa a barreira dos dois dígitos desde novembro de 2003. No começo de 2015, ninguém imaginava uma inflação de dois dígitos, com a pior recessão desde o primeiro ano do governo Collor, e um déficit primário de R$ 120 bilhões. A primeira meta proposta pelo governo era um superávit de R$ 68 bilhões. Desde 1930 é a primeira vez que o país terá dois anos seguidos de recessão com inflação permanecendo alta.

 

Mais uma vez
vamos comer o
panetone que o
diabo amassou?

O rombo fiscal, os crimes descobertos pela Lava-Jato, a inflação alta e o intervencionismo do Estado derrubaram a confiança na economia. Tudo isso levou o país à pior recessão em 25 anos e à crise política de hoje. O governo ainda não tem a menor ideia sobre um conjunto coerente de propostas para tirar o país deste atoleiro. O quadro econômico é desalentador. No governo ou fora dele, ninguém sabe ao certo para onde estão indo as contas públicas, já que o tamanho da cratera não pode ser dimensionado porque o PIB continua afundando. O ano que vem ainda é um ilustre desconhecido.
Como se não bastasse um quadro tão adverso quanto este, eis que, após 23 anos do afastamento de Collor, o país volta a debater um impeachment de presidente, desta vez da petista Dilma Rousseff. Na época de Collor chegou a haver algum temor em relação à instabilidade institucional. Nada de negativo aconteceu e as instituições republicanas, reconstruídas havia somente sete anos do fim da ditadura militar, resistiram e até se fortaleceram. Hoje, o cenário é ainda mais tranquilo. Lamentável é que o vetor da reclamação contra a presidente seja um parlamentar com folha corrida reprovável, que usa o pedido como retaliação ao Planalto.
Importante é que as instituições atuem para garantir a legalidade em toda a tramitação do processo sem atropelos, anulando o clássico chavão de “golpe”, que logo começou a ser adotado pelo lulopetismo diante de qualquer crítica da oposição. As denúncias foram aumentando, enquanto a presidente Dilma se fragilizava, na medida em que a Lava-Jato mergulhava nos meandros do financiamento da campanha à reeleição da presidente com recursos desviados da Petrobras para empreiteiras do esquema do petrolão. E a suposição de que a legislação eleitoral tenha servido para encobrir uma “lavanderia” de doações a candidatos com dinheiro proveniente de corrupção, assunto que está sendo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.