Objetivo nefasto do fanático inimigo é a III Guerra Mundial

Opinião - Silênio Vignoli

Os ataques preparados, organizados e planejados além fronteiras, com cumplicidade dentro do país, para a fatídica sexta-feira 13, em Paris, com mais de 100 mortos e 300 feridos, assumidos pelo Estado Islâmico em reação à participação militar da França no combate ao terrorismo na Síria, estimulam uma reflexão preliminar sobre a origem desta agressão a uma nação cuja história é marcada pelos valores universais da democracia, do pluralismo, da tolerância, da transigência e da aceitação do oposto, com algumas exceções, é claro, como no caso da Argélia e do Vietnan, entre outros no período do neocolonialismo africano e asiático. Isto é fundamental para compreendermos o que está em jogo hoje e o que é possível vislumbrar neste início de século.

 

É fundamental
sufocar fontes
de receita dos
terroristas

O fanatismo é o principal inimigo, como ficou bem claro desde a tragédia americana de 11 de setembro de 2001. O objetivo nefasto destes terroristas é, gradativamente, conduzir o mundo a uma III Guerra Mundial, como até o Papa Francisco já advertiu, a partir do acirramento da animosidade entre religiões e culturas. Da derrubada das torres gêmeas, na Nova York de 2001, ao massacre do último dia 13 na França, passaram-se 14 anos. A novidade pós-Osama bin Laden é a emergência de uma nova geração do terror. Hoje, múltiplas facções disputam, em sucessivos banhos de sangue, a liderança na condução da bandeira da luta comum, por um novo Califado mulçumano sob uma interpretação mais rígida e obscura da lei islâmica. Compõem absoluta minoria extremista do Islã. A autoproclamada Al-Qaeda iraquiana quase faliu depois de fundada, mas por trapaças da história conseguiu revigorar-se ao fim da guerra empreendida pelo presidente americano George W. Bush. Agora, sob o distintivo do Isis, dedica-se a fomentar o caos em cultos de morte às liberdades, na defesa da fidelidade absoluta a uma interpretação literal, a sua maneira, dos textos religiosos.
Segundo o francês Gilles Kepel, uma das maiores autoridades internacionais sobre terrorismo islâmico, autor do livro “Terror e Martírio”, entre as orientações para alvos de ataques estão os eventos esportivos e, por isso, em Paris, houve atentados nos arredores do Stade de France, onde jogavam as seleções de futebol da França e da Alemanha, na presença do presidente François Hollande. O atentado à Maratona de Boston foi também fruto dessa orientação internacional, o que faz com que a segurança dos Jogos Olímpicos do Rio, no ano que vem, ganhe uma dimensão ainda maior. Também, segundo Kepel, o Estado Islâmico vai provocar o Ocidente, visando uma reação radical que favoreça o surgimento de uma islamofobia para que os árabes e descendentes tenham que escolher o seu lado neste conflito. Kepel diz que o Islã na França é muito amplo e é preciso vencer essa guerra de domínio dos corações de jovens recrutados em todo o mundo, neutralizando a estrutura horizontalizada do Estado Islâmico que, ao contrário da Al-Qaeda, oferece a estes jovens capacidade de ação individual, alimentando sonhos de poder.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.