O massacre dos Tamoios foi em Saquarema, há 440 anos

Editorial - Dulce Tupy

Ocorrido em setembro de 1575, o Massacre dos Tamoios consta nos livros de história como tendo ocorrido em Cabo Frio, o que é verdade, em parte, pois foi no Campo de Maranguá, nome do antigo distrito de Sampaio Corrêa, quando Saquarema fazia parte de Cabo Frio. Os índios tupinambás haviam se unido aos franceses em luta contra os portugueses, formando a Confederação dos Tamoios, primeiro movimento nativista brasileiro. No Rio de Janeiro, índios tupiniquins e guajajaras se aliaram aos franceses que construíram um forte na Ilha de Villegaingon, na Bahia de Guaranabara, sonhando em implantar uma colônia francesa. Em recente artigo publicado no jornal Brasil de Fato, o jornalista Sérgio Caldieri ressaltou a importância da Confederação dos Tamoios, baseado no livro do historiador Edmundo Moniz, que considerava a Confederação dos Tamoios um dos episódios mais importantes da História do Brasil.

Em Sampaio Corrêa um dos últimos atos
dos Tamoios

Autor do livro “Eternas Lutas”, de Edmundo Moniz, Sérgio conta que por vários anos, as tribos da Confederação dos Tamoios travaram duras batalhas para expulsar os portugueses de São Paulo e Rio de Janeiro. Estácio de Sá havia conquistado o Rio de Janeiro, em 1565, com grande número de soldados e índios, mas foi atingido por uma flecha envenenada que o levou a falecer. Expulsos do Rio, mas aliados dos franceses, os “tamoios” se estabeleceram em Cabo Frio, numa área que ia de Maricá, na área de Ponta Negra, até Macaé. Para expulsar definitivamente os tamoios do Rio de Janerio, o próprio governador-geral Antônio Salema partiu para Cabo Frio, com 1.100 soldados, 400 portugueses e 700 índios aliados, encontrando no Campo de Maranguá uma aldeia com índios fortemente entrincheirados, tendo na defesa 2 franceses e 1 inglês, com larga experiência militar.
Segundo Paulo Oliveira, autor do livro “Tamoios, Senhores do Litoral”, editado pela Tupy Comunicações, a aldeia foi cercada e o padre jesuíta que acompanhava a expedição de Salema, negociou uma reunião entre o governador e o chefe tamoio que acabou entregando os 3 europeus, que foram imediatamente enforcados. Depois, 500 guerreiros foram entregues, aprisionados e decapitados, na Praia de Jaconé, que virou um mar de sangue. Foi o primeiro de muitos massacres, ocorridos na região. Conhecida com a “Salemada de Cabo Frio”, a guerra contra os tamoios matou cerca de 2 mil índios e fez 4 mil prisioneiros. Segundo Demócrito Jonathas Azevedo, presidente da Academia Cabofriense de Letras, também citado por Caldieri, o propósito era destruir a Confederação dos Tamoios e impedir o reagrupamento dos índios, visando o extermínio desta população nativa que lutou pela sua independência. Sérgio Caldieri lembra ainda o grande poema escrito por Gonçalves de Magalhães, em 1856 – A Confederação dos Tamoios – considerado o maior poema épico da literatura brasileira. Em 1994, o poema foi reeditado pela Secretaria Estadual de Cultura, na gestão do também jornalista Edmundo Moniz.

Be Sociable, Share!
Palavras-chave:

Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.