Saquarema no foco do programa “Destino: Educação Brasil”

A banda composta por jovens estudantes resgata a Folia de Reis, traço cultural do município (Foto: Dulce Tupy)

A banda composta por jovens estudantes resgata a Folia de Reis, traço cultural do município (Foto: Dulce Tupy)

Apresentar diferentes realidades e respostas ao processo de desenvolvimento da educação no Brasil foi a proposta do canal Futura, no programa “Destino: Educação Brasil”, com 26 episódios, sendo um dedicado a Saquarema. O documentário trata das experiências bem-sucedidas em salas de aula, a partir do avanço do desempenho escolar dos alunos. As escolas focadas no documentário foram selecionadas pelos indicadores do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que indicam o percentual de alunos com aprendizagem adequada, a desigualdade educacional no município e a contribuição da escola para a aprendizagem, tendo em vista o nível socioeconômico.
A equipe do Futura visitou escolas em 25 municípios brasileiros que se destacaram como exemplos de transformação e educação básica de qualidade. Em Saquarema, a equipe do programa constatou que a cidade, com cerca de 74 mil habitantes, com 37 escolas municipais, alcançou as metas no IDEB, com 4.8 pontos para o Ensino Fundamental I e 3.9 para Fundamental II. Outro ponto positivo foi a implementação do Plano Municipal de Educação, que completou 4 anos e inclui disciplinas como Roda de Leitura e Estudos Turísticos no novo currículo. Dois alunos da rede municipal foram acompanhados por um dia: Anthony Souza Gonzaga, 12 anos, estudante do 7º ano da Escola Municipal Gustavo Campos da Silveira (Gravatá); e Davidson Costa de Oliveira, 11 anos, estudante do 7º ano da Escola Municipal Ismênia de Barros Barroso (Jaconé).
A partir de suas rotinas escolares foi possível conhecer o trabalho de diretores, coordenadores pedagógicos, corpo docente e a relação dos alunos e famílias que participam da vida escolar. Dentre os depoimentos, destaca-se o do professor Vitor Frias, que ressaltou a importância de capacitar professores no conhecimento da história, geografia e meio ambiente do município como contribuição à formação social e cultural de todos. Um exemplo ocorrido recentemente foi a aula ministrada por ele durante um curso de capacitação permanente de professores, realizada na Escola Orgé, no início do ano, que levou um grupo de professores a vários pontos marcantes do município, entre eles a Praça do Sambaqui, em Barra Nova, a casa de farinha no Rio Mole e as ruínas da Usina de Açúcar Santa Luzia, em Sampaio Corrêa, onde o grupo pode ouvir depoimentos de moradores e assistir uma apresentação de alunos que vêm resgatando a Folia de Reis, entre outras manifestações musicais, na escola local Clotilde de Oliveira Coutinho.
Todos os depoimentos foram importantes, como o da professora Cláudia Borges e o da secretária municipal de educação e cultura, Ana Paula Giri Fortunato, que vem apoiando todas essas iniciativas locais e é a responsável direta pelo aumento da nota do município no IDEB, junto com sua equipe. Lançada em março, a série do Canal Futura foi feita em parceria com o Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), contando também com a consultoria do Programa Todos Pela Educação e da pedagoga e doutora em Educação Thelma Polon. A produção é da Cine Group, com direção de Sergio Raposo. Assista na internet, no endereço: https://www.youtube.com/watch?t=15&v=wLAVgusgc0Y

 

Polêmica em torno do Plano Municipal de Educação

Na Câmara, o desabafo da presidente do Conselho Municipal de Educação, professora Myriam Bruinsma (Foto: Dulce Tupy)

Na Câmara, o desabafo da presidente do Conselho Municipal de Educação, professora Myriam Bruinsma (Foto: Dulce Tupy)

Elaborado por uma Comissão de Realinhamento ao Plano Nacional de Educação e aprovado na 1ª Conferência Municipal de Educação, o Plano Municipal de Educação (PME) foi enviado para a Câmara Municipal, para ser analisado pela Comissão de Educação e levado à votação em plenário, onde foi aprovado pela unanimidade dos vereadores presentes, com apenas uma restrição. O assunto vetado pela Câmara, inscrito entre as estratégias da Meta 1, tratava de “Orientar, assessorar e colaborar com as instituições educacionais, as quais atendem crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, que agreguem ou ampliem, em suas práticas pedagógicas cotidianas, ações que visem ao enfrentamento da violência sexual e outros tipos de violência, a inclusão e o respeito às diversidades de toda ordem: gênero, raça, etnia, religião, etc.(…)”.
Foi aprovada, então, uma emenda ao texto original do PNE, que cortou as palavras “de toda a ordem: gênero, raça, etnia, religião, etc.” E acrescentou: “Fica vedada a discussão sobre temas de orientação sexual entre crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos”, como se isto estivesse escrito no projeto original, redigido pelos professores de Saquarema. Revoltada com esta “leitura” e “interpretação” tendenciosa, a presidente do Conselho Municipal de Educação, professora Myriam Braz de Mendonça Bruinsma, acompanhada da superintendente de Educação Escolar, Neusa Oliveira Vignoli, entre outros professores, estive na Câmara para protestar, na Tribuna Livre, contra o voto conservador dos vereadores que não entenderam o alcance da diretriz “respeito às diversidades de toda ordem: gênero, raça, etnia, religião, etc.”, preconizada não só pelo Plano Municipal de Educação, como também pelo Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014.
O respeito às diversidades é preconizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), num mundo que reconhece cada vez mais o direito à diversidade dos povos, dos gêneros, da raças, das etnias, das religiões, etc. Até o papa Francisco tem se referido ao respeito à diversidade como um ato cristão! Nem todo mundo tem que ser igual! As pessoas e os povos são diferentes. A tolerância que leva à paz começa com o respeito às diferenças, à diversidade. Cortar esta premissa do Plano Municipal de Educação foi atrasar o processo educacional de Saquarema. Até porque não estava escrito ali nenhuma insinuação à “orientação sexual” e sim respeito às diferenças, sejam elas de gênero, raça, etnia, religião, etc. Educar com respeito às diferenças é um dos pilares que leva à construção da paz, da tolerância e da sustentabilidade, no século XXI. Pena que em Saquarema, ainda estejamos vivendo diretrizes do século passado, com cheiro de intolerância.

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