Crises econômica e política tornam o horizonte nebuloso

Opinião - Silênio Vignoli

Desde o final de 2012 / início de 2013 já era perceptível que uma crise estava despontando no horizonte. Números contundentes da presente conjuntura confirmam a expectativa daquela ocasião. E não apenas no que diz respeito à inflação superior aos 8%, quase o dobro da meta de 4,5 %, atingindo, de modo devastador, o bolso da população mais pobre, exatamente aquela que garantiu as vitórias eleitorais do PT nos últimos 12 anos. Os indicadores de produção e consumo são igualmente preocupantes. A pesquisa do IBOPE, publicada no último dia 12 pelo Estadão, fotografa uma economia em recessão aguda, fruto dos graves desequilíbrios provocados por uma política temerária que concedeu desonerações tributárias e abatimentos populistas nos preços das contas de energia elétrica às vésperas da eleição. O desemprego já atinge todas as classes sociais. Jovens entre 18 e 24 anos não conseguem vaga no mercado de trabalho. Mais de 37% dos brasileiros estão com restrição de crédito. Os juros batem recorde, chegando a 260% ao ano. As vendas de automóveis e caminhões despencaram. Para piorar, o país passa por sua maior crise de governabilidade, com o governo paralisado no Congresso de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que já inviabilizaram 15 projetos enviados pelo Executivo para votação.

 

PT também
influi para
a escassez
da confiança

Crises paralelas, a econômica e a política, tornam o horizonte nebuloso e, em algumas circunstâncias, essas crises acabam se autoalimentando. A imagem e a popularidade da presidente sofreram severas avarias com a constatação de que o discurso no palanque da candidata à reeleição nada tinha a ver com a realidade do início do segundo mandato de Dilma. Nesta conjuntura, o fator confiança (ou a falta dela) ganha importância crescente. Para esta escassez de confiança muito contribui o próprio PT, partido da presidente, quando ataca a política de ajuste que Dilma tenta executar. Conspirar contra o programa de ajustes é retardar a recuperação de um índice mínimo de confiança tão necessário para a retomada do crescimento. E, por tabela, deteriora-se o ambiente político.
Felizmente, as instituições estão funcionando, como demonstram as investigações do mais recente escândalo lulopetista do petrolão, e a atuação do TCU, no julgamento das contas do último ano do primeiro mandato de Dilma, marcado pelas “pedaladas” e o desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Fatos que, certamente, provocarão desdobramentos importantes no Congresso, no STF e no TSE. Dentro desse quadro, a pesquisa Ibope, publicada no Estadão, faz uma projeção indicando que o ex-presidente Lula, caso decida disputar as eleições em 2018, será derrotado pelo candidato do PSDB, Aécio Neves por 48% a 33%, num segundo turno, perdendo em todas as faixas de renda e de escolaridade, exceto entre os que ganham até um salário mínimo.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.