Casa do Nós leva Machado de Assis a Vilatur

Os atores circulando no espaço externo da Casa do Nós, cercado de árvores, chamando o público para entrar no teatro, numa espécie de cortejo carnavalesco (Fotos: Edimilson Soares)

Os atores circulando no espaço externo da Casa do Nós, cercado de árvores, chamando o público para entrar no teatro, numa espécie de cortejo carnavalesco (Fotos: Edimilson Soares)

O Polo de Cinema e Teatro Casa do Nós acaba de ser inaugurado em Vilatur e, como sempre, produzindo novidades, como o projeto “Machado em Casa”, que apresenta duas peças curtas de Machado de Assis: Lição de Botânica e O Bote de Rapé. Considerado um dos maiores escritores brasileiros, autor de romances, contos, poemas e peças de teatro, Machado de Assis, é respeitado em todo o mundo. No Rio de Janeiro, era chamado de “o bruxo do Cosme Velho”, onde morava. Fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis é mestre na ironia com que traça seus personagens. Agora, a trupe da Casa do Nós faz uma releitura cênica, contemporânea e criativa, de Machado de Assis, mesclando técnicas teatrais antigas, como a comédia dell arte e novas, como os spots reciclados utilizados na iluminação.
A Casa do Nós nasceu em Saquarema, em 2005, supervisionado pelo genial diretor e ator Guti Fraga, criador do revolucionário grupo Nós do Morro, do Vidigal, que vem revelando jovens talentos, atores que estão atuando no cinema nacional e em novelas da Rede Globo. Inaugurado em uma casa em Bacaxá, o grupo montou várias peças, realizou workshops, apresentou um show e fez um bloco de carnaval, antes de pousar em Vilatur. Tanto fez que virou Ponto de Cultura, subsidiado, em parte, pela Secretaria Estadual de Cultura. Atualmente situado num terreno, na subida de uma rua sem asfalto, em Vilatur, a Casa do Nós virou também Polo de Cinema e, nesta fase, é mais um desafio.
“Diziam que eu era louco, quando fizemos o Nós do Morro, teatro numa comunidade como o Vidigal. Diziam que era um absurdo eu fazer teatro na favela. Agora, vão dizer a mesma coisa. Fazer teatro em Vilatur, é um desfio, mas aqui tem uma população incrível! Vamos fazer teatro com o que temos”, diz Guti Fraga, na noite da estreia, que teve a plateia lotada de convidados locais e do Rio, alguns até do Vidigal, que vieram prestigiar o trabalho do grupo. É o caso do Seu Francisco, pai da Zezé, que foi coordenadora corporal do Nós do Morro, no Rio, do dramaturgo Mário Tataca e da presidente do Nós do Morro, Luciana Bezerra, entre outros notáveis de Saquarema, como Maria Prestes, viúva do senador Luiz Carlos Prestes, e o poeta José Leal, veranistas, que adoraram o espetáculo.

Atores em cena, recebendo o aplauso do público, depois da apresentação de duas peças curtas de Machado de Assis, um clássico da eterna ironia

Atores em cena, recebendo o aplauso do público, depois da apresentação de duas peças curtas de Machado de Assis, um clássico da eterna ironia

Com direção de Fátima Domingues, direção musical e composição de Ricardo Vandré e direção de produção de Lígia Gurgel, o espetáculo é uma mistura de várias técnicas teatrais, com sabor popular. Com uma estética construída coletivamente pelo próprio grupo, cenário, figurino, luz, música, movimentos em cena e o espaço externo que recepciona o público, tudo enfim é muito envolvente, onde o teatro torna-se verdadeira magia. Com 10 anos de existência, a Casa do Nós reflete o estágio atual de sua evolução, agregando valores, mas sem perder o pique das primeiras montagens. A peça fica em cartaz durante 6 meses, às sextas e sábados, 20 horas. Local: Rua 23, Quadra 48, Lote 28, Summerville, Vilatur, Saquarema.

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