Na propaganda de Dilma O Brasil era um paraíso

 

Opinião - Silênio Vignoli

Com centenas de milhares de pessoas, os atos públicos do último dia 12 tiveram adesão inferior à das manifestações de 15 de março, que mobilizaram milhões de brasileiros contra os descaminhos de uma política econômica equivocada, que imobiliza o país, e contra as sucessivas denúncias de corrupção envolvendo integrantes da base parlamentar do Governo. Porém, ainda assim foi uma afluência significativa e sistemática pela frequência com que ocorrem essas manifestações de desagrado com o governo Dilma, cujo segundo mandato foi votado nas urnas em outubro do ano passado. Aliás e a propósito, que circunstância infeliz para comemorar os 100 primeiros dias do segundo mandato: seis em cada dez brasileiros consideram péssima ou ruim a administração de Dilma, segundo pesquisa Datafolha divulgada no último dia 11. Quase seis em dez acham que Dilma sabia da corrupção na Petrobras e nada fez. Para quase oito em dez, a inflação aumentará. Dois em cada três brasileiros são favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra Dilma.

 

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O que Dilma teria feito para provocar tanta insatisfação e índices de reprovação tão elevados, indagam os responsáveis pelo modelo petista de governar. Segundo os especialistas, as pesquisas qualitativas respondem claramente: simplesmente mentiu. Apenas isso. O Brasil era um paraíso na propaganda de Dilma para se reeleger. Menos de dois meses depois da eleição o paraíso desabou. E muito decisivo para explicar os resultados das pesquisas: Dilma jurou que jamais faria certas coisas (“nem que a vaca tussa”) que só seriam feitas por seu adversário, Aécio Neves, se ele ganhasse a eleição. Dilma começou a fazê-las antes do fim de seu primeiro mandato. Quando a pesquisa qualitativa indagou se ela mentiu de novo, a maioria respondeu que não, porque era tudo só uma grande mentira.
Simultaneamente a este cenário de reprovação, a inflação terminou o primeiro trimestre num patamar bem preocupante: o indicador oficial que mede a inflação acusou um aumento de 1,32% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para o mês de março. Em termos práticos, a pesquisa do IBGE só veio confirmar o que todo mundo já percebia: os preços aumentaram muito nos primeiros meses do ano. Em termos anuais, a inflação cravou 8,13%, o equivalente a 25% maior do que o teto de 7,5% admitido para o IPCA e 54% superior ao centro da meta de inflação que é de 4,5%. Isso quer dizer que a inflação hoje é um pouco mais que o dobro daquela que o governo considera ideal para a população brasileira. Ou seja, no bolso de cada brasileiro, o dinheiro está acabando na metade do tempo que deveria durar. Este é o preço a pagar pela atual política econômica, inspirada num projeto político de poder.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.