Crise submete Dilma a uma preocupante impopularidade

 

Opinião - Silênio Vignoli

A divulgação da lista dos políticos investigados nos escândalos da Petrobras provocou um pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, em rede nacional, de rádio e televisão, num domingo à noite, que fez eclodir simultaneamente, um panelaço e um businaço em 14 capitais, incluindo cidades importantes como Rio, São Paulo e Belo Horizonte. O teor do pronunciamento, preparado pelo marketing presidencial, foi desastroso. Por trás de palavras como “paciência”, usadas por Dilma, havia uma espécie de versão camuflada dos fatos, o que acabou irritando bastante os brasileiros pelo cinismo e pela ofensa à inteligência humana. Chegou ao ponto de afirmar que “a imprensa é que confunde, em vez de esclarecer”.
Culpar a “burguesia” ou a “elite branca”, termos que levam ao delírio a militância lulopetista, em nada ajuda o Planalto que precisa iniciar uma reflexão sobre sua linha de comunicação com a sociedade. Após uma campanha em que a presidente mentiu solenemente sobre a situação econômica e energética do país, fica muito difícil resistir à repetição da mesma lenga-lenga distorcendo a realidade. O que os responsáveis pelo marketing presidencial precisam admitir é que a sinceridade em Dilma é irrecuperável depois que, agressivamente, acusou seus adversários de estarem preparando o que ela já sabia que ia fazer tão logo tomasse posse para o segundo mandato.

 

Popularidade
de Dilma já é
inferior a que
derrubou Collor

O resultado da pesquisa Datafolha sobre a popularidade de Dilma, realizada no início de fevereiro, já sinalizava para um acentuado desagrado. Pesou bastante na queda praticamente pela metade da popularidade da presidente em relação a dezembro (de 42% para 23%) o fato dela ter dito uma coisa na campanha e, reeleita, passado a fazer outra. É infeliz, por exemplo, a ideia da presidente de insistir na improcedente explicação de que a crise atual decorre da “crise econômica internacional” somada à seca. A crise econômica internacional a que Dilma se refere já passou faz muitos meses.
Além do panelaço e do businaço, as vaias no dia seguinte, no Salão Internacional da Construção, no pavilhão Anhembi, em São Paulo, são exemplares indicações do preocupante sentimento generalizado de rejeição ao governo Dilma, já detectadas com exatidão em medições diárias de avaliação da popularidade da presidente realizadas pelo Palácio do Planalto. As medições diárias, na última semana, revelam que o índice de avaliação boa/ótima do governo chegou a um dígito, afundando ainda mais a popularidade de Dilma, menor do que o índice de popularidade do ex-presidente Collor, seis meses antes da Câmara dos Deputados autorizar o processo de seu impeachment.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.