Um país do outro lado do mundo

Emília Teles

Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil quando tentava achar um novo caminho para a Índia. Eu fiz um percurso oposto, mas de avião: em junho do ano passado, saí do Brasil e fui passar dois meses na Índia. Nunca tinha ido para um lugar tão diferente. Fui achando que iria encontrar um país muito, muito pobre, e me surpreendi: a Índia não é tão pobre quanto se costuma imaginar. Eles estão cada vez mais prósperos, e se desenvolvendo, ainda que, realmente, haja muitos mendigos, e que as ruas sejam caóticas e sujas. O que mais me assustava era ter de atravessar alguma rua, porque, de um modo geral, na Índia não há sinais de trânsito. Muitas vezes, eu desistia de ir para o outro lado. Quando eu precisava mesmo atravessar alguma rua, pedia ajuda a algum passante. Os indianos, então, me davam a mão e, com fé em Deus, atravessávamos.
Outra coisa que é muito diferente na Índia é a comida. Lá, a gente come com as mãos, não há talheres. A comida é muito apimentada e, geralmente, é vegetariana (porque a vaca é um animal sagrado para os hindus). Às vezes, há a opção de frango ou carneiro. A refeição vem numa bandeja redonda com vários potinhos. Não se usa pratos. Um pão parecido com o pão árabe é usado como talher.
A última grande diferença é o banheiro. Banho é de balde. O vaso sanitário é aquele vaso turco, de chão, em que a gente fica agachada. E não tem papel higiênico: a gente usa a mão para se limpar e tive de aprender a sempre levar sabão na bolsa.
Mas a Índia também tem muitas coisas boas, a começar pela arquitetura (as cidades são caóticas, mas lindas), as pessoas (sempre gentis), a música, a devoção religiosa, as belas estampas das roupas.
Em suma, não quero voltar lá, passei a apreciar muito o Brasil, sobretudo a comida brasileira e os sinais para pedestres nas ruas das cidades grandes. Mas fico com muitas saudades da inteligência, cultura e gentileza dos indianos, da beleza desse país, que se estende dos palácios aos detalhes das roupas que as pessoas usam.

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