Megaministério desagrada até grandes aliados, PT e PMDB

Opinião - Silênio Vignoli

Após a realização daquele acirrado segundo turno da eleição presidencial, talvez a peculiaridade que mais chamou atenção tenha sido o fato de o candidato derrotado, o tucano Aécio Neves, ter saído das urnas revigorado, enquanto Dilma Rousseff, reeleita, saiu perdida num discurso de negação de qualquer dificuldade na economia e de crítica cerrada a mudanças que, terminado o pleito, ela passou a admitir. Mesmo dentro do próprio PT há quem se sinta vítima de estelionato eleitoral. Um outro aspecto, que também desperta muita atenção, diz respeito à montagem do novo ministério para o segundo mandato de Dilma, em que velhos erros são cometidos, num arriscado repeteco de fórmulas fisiológicas do toma lá dá cá, origem dos escândalos que desgastam o lulopetismo desde 2005, quando o mensalão foi descoberto. O suspeito loteamento de cargos na diretoria da Petrobras, com fins político-eleitorais, é que acabou produzindo o maior escândalo da história do país, ainda em investigação.
A presidente Dilma parece que tomou posse para o segundo mandato de presidente num país do faz de conta, que o marqueteiro João Santana criou para a campanha presidencial. Quando diz que o projeto de nação que representa prevaleceu nas urnas, Dilma mergulha numa profunda contradição, pois repete, a todo momento, que o país exige mudanças e que se propõe a realizá-las, embora viva afirmando, inclusive no seu discurso de posse, que tudo no Brasil, vai às mil maravilhas. E aí, Dilma apaga da memória o que desabafou antes da campanha: que faria o diabo para se reeleger. E, na verdade, utilizou ferramentas nada democráticas, que nada tinham a ver com um projeto de nação, mas sim com um projeto de poder.

 

A austeridade
de Dilma tem
nada menos que
39 ministérios

Lula passou para 35 os 21 ministérios que recebeu do governo Fernando Henrique e Dilma aumentou, ainda mais, para 39 em seu primeiro mandato, visando ampliar a base aliada no Congresso em proporções nunca dantes vistas. A explicação para tamanho absurdo só veio muito depois: conseguir uma “maioria defensiva” que impedisse a criação de CPIs e, principalmente, qualquer tentativa de impeachment por parte da oposição, uma preocupação obsessiva do ex-presidente Lula desde que escapou, por pouco, no episódio do mensalão. Um inchado Ministério com 39 pastas contradiz o discurso de austeridade de a presidente Dilma para o seu segundo mandato. É também muito intrigante a presidente fazer um discurso propondo um pacto de combate à corrupção e vermos na foto oficial aquelas manjadas figuras envolvidas em casos nebulosos. Há os que dizem que assim Dilma “consegue a governabilidade” e o apoio no Congresso, mas ninguém pode impedir que um novo escândalo volte a eclodir, fragilizando a presidente em seu segundo mandato.

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