Deputado Paulo Melo detona campanha

(Fotos: Edimilson Soares)

(Fotos: Edimilson Soares)

O deputado Paulo Melo, o mais votado do PMDB, abriu mão de continuar sendo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), para assumir a secretaria de Governo, ao lado do governador Luiz Fernando Pezão. Mas o seu alvo continua sendo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde o cargo é vitalício e o coloca em pé de igualdade com o Legislativo e o Executivo, um desafio para poucos eleitos. Numa entrevista coletiva em seu escritório, no Porto da Roça, em Saquarema, Paulo Melo falou por mais de uma hora, sobre os meandros da política fluminense e sobre o futuro da política saquaremense, antecipando o nome de seu futuro candidato a prefeito de Saquarema: o ex-vereador, ex-secretário municipal, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (DETRO) e seu atual chefe de gabinete, Pitico. Adversário declarado do ex-prefeito Antonio Peres, que considera um ingrato diante do apoio e dos acordos feitos com ele, o deputado Paulo Melo faz um balanço da administração da prefeita Franciane, especialmente na educação e saúde, e lança Pitico como opção à má gestão de governos passados, anteriores ao de Franciane.

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O Saquá – O deputado Paulo Melo foi o mais votado do PMDB, nas últimas eleições, portanto se credenciou para ser de novo presidente da ALERJ. Como foi sua ida para a Secretaria de Governo?
Deputado Paulo Melo – A política tem duas faces: a subjetiva e a objetiva. A subjetiva é a que tem o pleito eleitoral, quando se trabalha primeiro para depois contar os votos. Na objetiva, que é a política dentro do Parlamento, primeiro você conta os votos para depois trabalhar. Então, eu tinha 30 votos e o Picciani tinha 24; Picciani nunca criou contratempo para que eu fosse candidato a presidente. Porém, Garotinho fechou com Picciani e deu a vitória a ele. As pessoas confundem, achando que eu fiquei “fraco”, porque não fiquei na presidência da ALERJ, mas não existe essa possibilidade. O Pezão me deu a alternativa de ser o que eu quisesse; ele me mandou escolher a secretaria! Eu não queria, porque não faz parte do meu DNA o Executivo. Mas no final, ele pediu que o ajudasse e fez um apelo para que eu ficasse na secretaria de Governo, que é uma das secretarias mais importantes; é uma das chamadas secretarias da Casa. No Palácio Guanabara tem duas secretarias ao lado do governador: a secretaria da Casa Civil e a secretaria de Governo. Eu fiquei na secretaria de Governo para preparar a minha ida para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro. E indiquei o presidente do DETRAN, que é o meu ex-diretor-geral da ALERJ, o Dr. José Carlos. O DETRAN tem um orçamento 3 vezes maior que o da ALERJ. Então eu não tenho nenhum desprestígio político, ao contrário, continuo atendendo meus municípios, trabalhando para atender a região e, mesmo indo para o TCE, o compromisso que o governador tem comigo é continuar ajudando aos municípios onde eu tive votos.

O Saquá – Quais são esses municípios?
Deputado Paulo Melo – Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Armação de Búzios, Silva Jardim, Rio Bonito, Maricá, Casimiro de Abreu, Aperibé, São José de Ubá, São João da Barra, Itaocara, Bom Jardim, Friburgo, Campos dos Goytacazes (onde eu tive uma votação surpreendente de quase 5 mil votos), São Sebastião do Alto e o próprio Rio de Janeiro, entre outros.

O Saquá – O secretário estadual da Saúde, Felipe Peixoto, esteve em Saquarema visitando o hospital recentemente…
Deputado Paulo Melo – Ele ligou para mim, é meu amigo pessoal. O hospital é da Prefeitura Municipal de Saquarema; o patrimônio é do município, cedido em comodato ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Se amanhã a prefeita decidir que ela quer o hospital de volta, ela tem que dar 180 dias de prazo para retomar o hospital. Mas é claro que o hospital vai continuar em comodato…

Paulo Melo - Edimilson Soares (2)

O Saquá – Então o secretário de Governo vai continuar trazendo outros benefícios para Saquarema…
Deputado Paulo Melo – Bem, o mínimo que Saquarema pode ter é um deputado! É a única coisa que não eu não posso perder – ser deputado – e que muitos municípios gostariam de ter: um deputado de 126 mil votos, o 5º mais votado do Estado e o 1º mais votado do PMDB! Mas, mesmo no TCE, que é um lugar onde se tem uma parcela do poder, o que vale é a política e as relações que você constrói ao longo de sua carreira. Eu construí relações duradouras, na política, tenho amigos. Se eu perdesse a eleição eu teria amigos do mesmo jeito. Eu fiz uma administração na ALERJ em que deixei uma coisa inédita: R$ 170 milhões, no cofre para o próximo presidente da Casa. Comprei um aparelho para o Hospital do Cérebro que só tem no Hospital Sírio Libanês, um hospital particular. Custou R$ 7,5 milhões. Paguei na hora! Dei R$70 milhões para construir as novas Unidades Pacificadoras (UPAs), reformar as antigas e comprar carros para a polícia. Agora, está sendo finalizado o complexo da Escola Técnica da Maré e da escola do 2º grau, com a ajuda da ALERJ. Então, deixei relações fortes. Quando fui eleito presidente da ALERJ pela primeira vez, os funcionários da Assembleia fizeram fila no final para me cumprimentar porque eu dei a eles ganhos salariais que nenhum outro presidente na história do parlamento deu! Então, eu construí uma carreira sólida e estou muito tranquilo, como também estou muito tranquilo com a política de Saquarema. Nós mudamos a política de Saquarema.

O Saquá – É verdade…
Deputado Paulo Melo – Eu conversava com o Zequinha, vice-prefeito de Saquarema, sobre o que os outros prefeitos fizeram, seja o prefeito “A”, “B” ou “C”. Se tirar o que eu fiz, a gente verifica que o prefeito que mais fez com recursos próprios foi a prefeita Franciane, que fez uma revolução na educação, construiu prédios para as novas escolas, criou uma educação diferenciada, agregando qualidade à educação. Tem gente que fala que fulano fez muito pela educação, mas o único plano de cargos e salários para educação foi a prefeita Franciane quem fez, dando aumento anual para os professores. O único município da região que segue religiosamente e paga o piso nacional imposto por uma lei federal aos professores é Saquarema. Então, Franciane fez uma revolução, triplicou o número de creches, construiu e reformou escolas… Portanto, a política aqui também se consolidou. A gente tem norte. E não se pode perder essa política em Saquarema. Por isso, o meu candidato à Prefeitura é Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico, porque tenho absoluta consciência de que ele é o melhor para Saquarema. Ele reúne as melhores qualidades. Ele aprendeu comigo a respeitar a coisa pública, a não misturar o que é público com o privado. Aprendeu a respeitar o povo. Tem gente que disputou duas eleições, que foi apoiado pelo suprassumo da época, que era o prefeito Carlos Campos e não ganhou! Só ganhou depois que eu o apoiei! Agora, vou dizer uma coisa: se tiver apenas 1 candidato na cidade de Saquarema – e esse candidato for o ex-prefeito Peres – eu nem em Saquarema venho votar, porque acho que a coisa pública tem que servir ao povo, tem que atender o povo! Algumas pesso as falam: Pitico não tem experiência. Pitico tem a principal qualidade que um homem público deve ter: honestidade. Não ser ladrão é a principal qualidade do homem público e Pitico tem essa qualidade. Isso para mim é fundamental.

O Saquá – Como o senhor conheceu o Pitico?
Deputado Paulo Melo – Eu conheci Pitico no grupo político de Carlos Campos da Silveira. Eu era vereador, em oposição ao prefeito Carlos Campos, ao Zequinha, ao Dalton Borges e ao próprio Pitico. Eu comecei na política com o Binho, o Élder Vignoli Muniz. Aí teve um escândalo em Saquarema, em que todos os vereadores estavam envolvidos. Eles tentaram levar uma grana de um empresário para aprovar a modificação no Código de Postura e permitir a construção de prédios com até 10 andares, alterando os gabaritos, e eu me neguei a participar dessa negociata. Mas, na hora de dar o dinheiro aos vereadores, o empresário gravou a conversa e isso fez com que o ex-prefeito Carlos Campos me chamasse e me pedisse desculpas. E ele me disse: “você me impressionou, eu não imaginava que você fosse honesto assim”. E eu respondi: “Carlinhos, honesto não é favor de ninguém; é obrigação!” A partir daquele momento ele começou a me olhar de uma forma diferente e aqueles que tentaram levar o dinheiro – como foi o caso do ex-prefeito João Alberto e outros – tentaram depois cassar o Carlinhos e eu, mesmo sendo oposição, fui defendê-lo na Câmara, para não permitir que ele fosse cassado por denúncias forjadas! Então, quando saí candidato a deputado estadual, ele disse para mim: “eu te ofereço meu grupo; eu já tenho compromisso com um deputado, o José Sebastião de Castro, mas quem você conquistar do meu grupo, eu libero para fazer campanha para você”. Assim, eu conquistei o Pitico, que foi o primeiro do grupo do Carlos Campos que aderiu à minha campanha e depois o Dalton Borges. Pitico acabou se tornando um grande amigo meu e os filhos dele são como filhos para mim. Eu acho que família é fundamental e Pitico respeita a família.

O Saquá – Então já está definido mesmo que o candidato é o Pitico?
Deputado Paulo Melo – Sim, porque eu não consigo vislumbrar qualquer tipo de apoiamento a quem pretende retornar ao cargo com um tipo de comportamento com o qual não concordo. Essa pessoa que agora quer voltar a ser prefeito já me chamou de canceroso. Ele esqueceu que, quando a juíza de Saquarema queria prendê-lo, ele foi a minha casa chorando, pedindo pelo amor de Deus que o ajudasse… Aliás, sempre que fazia besteiras pedia que eu o ajudasse, como quando teve seus bens bloqueados. Eu peguei o irmão dele e levei direto ao presidente do Tribunal de Justiça para que a gente provasse que era um equívoco e revertesse o processo. Mas ele continuou me chamando de canceroso e eu nem tinha mais câncer. Aí veio para o meu lado.

Paulo Melo - Edimilson Soares

O Saquá – Então já houve um acordo sobre a sucessão da prefeita Franciane?
Deputado Paulo Melo – Nós nos reunimos no restaurante da Via Lagos, o Graal, e comecei a conversa dizendo que não havia a menor possibilidade de negociar a Prefeitura! E ele disse: “Paulo, nunca mais quero isso; jamais serei candidato a prefeito novamente!”. Então Pitico é o meu candidato, até porque um grupo político é como uma família; às vezes os filhos erram, você tem que aceitar o erro. Mas aceitar não é concordar com o erro, não é patrocinar o erro, não é avalizar o erro. Eu sei tudo o que foi feito de errado na prefeitura! Eu sei de gente que só tinha uma propriedade – que chegou a ser desapropriada – e depois deu terrenos para amigos e namoradas. Eu sei os erros que foram cometidos e não compactuo com isso. Para mim, a pessoa humilde é que merece todo o meu apreço. Eu trabalho para 16 milhões e 400 mil cariocas e fluminenses, mas a minha obrigação maior é trabalhar pelos mais pobres e necessitados. Espero que Saquarema não volte a cometer o mesmo erro, votando errado, votando nos que cometeram erros.

O Saquá – O Pitico foi vereador, secretário municipal de Promoção Social, de Transportes e Serviços Públicos, presidente do DETRO, secretário de governo, chefe de gabinete do deputado Paulo Melo, entre outras funções…
Deputado Paulo Melo – Só em sendo assessor de gabinete do presidente da ALERJ, Pitico aprendeu muito! Pitico saiu da secretaria municipal do Governo da Franciane por uma única razão: economizar dinheiro para a cidade de Saquarema. E continua ajudando a cidade de Saquarema de forma gratuita, porque ao invés da gente mandar um humilde embora, como foi feito no passado, nós mandamos aqueles que tinham condições; tiramos Pitico e a irmã da prefeita; diminuímos salários de secretários, mas não diminuímos dos pequenos. Na prefeitura de Saquarema, Pitico vai ter como auxiliar Paulo César Melo de Sá. Pitico foi um garoto humilde e sabe que na política o poder não nos pertence; o poder é efêmero, é passageiro! Momentaneamente, a gente está investido de um poder que o povo deu!

O Saquá – E na Câmara em Saquarema, quais os seus principais aliados?
Deputado Paulo Melo – Nós temos o Kilinho, que foi meu pedreiro, trabalhou comigo em obras, e hoje é um vereador de Saquarema que não envergonha ninguém. Temos o Romacarth que é presidente da Câmara e que também começou comigo. Taeta é minha parceira! Na Câmara algumas das pessoas mais importantes são do nosso grupo político. Guilherme Pitiquinho e Roger Gomes são garotos bons. E no nosso grupo, que inclui o Abraão da Melgil, o Rodrigo Borges, o Matheus da Colônia e outros, nós não vamos em posto de gasolina para colocar gasolina com dinheiro da prefeitura! A minha mulher, quando vai ao Rio de Janeiro, não abastece o carro na conta da prefeitura; abastece com o dinheiro dela! Eu não encho o tanque do meu carro com o dinheiro da prefeitura! Tudo isso nós acabamos em Saquarema, no governo Franciane. Falam muito que faltam shows, mas isso é uma opção política que a gente tem que escolher. Nós pagamos o 13º de todo mundo! Mais de 46 municípios do Estado não pagaram o 13º, nós pagamos! Agora show para quê, para quem? Nós fizemos grandes shows quando pudemos, mas a diferença é que quando fizemos os shows, o deputado e a prefeita estavam assistindo no chão, junto com o povo; não fizemos camarote para levar amiguinhos para beberem às custas da prefeitura, para levar namoradinhas, para paquerar, com dinheiro do povo! Para que eu vou botar camarote? Para tomar uísque, eu tomo na minha casa; vinho eu tomo na minha casa. Camarote para quê? Para o povo ficar lá embaixo esprimido, enquanto eles ficam lá em cima usufruindo do melhor? Será que é isso que o povo quer? Será que o povo está com saudades disso ou são só algumas pessoas que estão com saudade de mamar na teta do governo outra vez?

O Saquá – As obras da orla estão transformando o perfil da cidade, mas muitos acham que estão paradas e perguntam se vão continuar.
Deputado Paulo Melo – Estão paradas porque no final de ano as empreiteiras aproveitam para dar férias coletivas . Não tem ninguém nesta cidade com autoridade para dizer que eu não cumpro o que prometo. Ninguém! Todas as obras começadas foram terminadas. O hospital demorou porque nós construímos em um terreno que não era ideal, tivemos que fazer uma macrodrenagem, fundações 5 vezes maiores do que estavam projetadas, porque tem um veio d’água que passa ali. Mas o hospital terminou e hoje é o melhor hospital do Estado do Rio de Janeiro. A Escola Técnica também está aí. Então, todas as obras demoram, mas terminam. Agora, nós estamos recuperando o Centro Administrativo Municipal e vamos terminar todas as obras iniciadas.

O Saquá – Então, para dar continuidade às obras o candidato é Pitico?
Deputado Paulo Melo – É por isso que eu escolhi o Pitico, porque tem muitas qualidades. Filho de mãe solteira, foi conhecer o pai depois de adulto. Perdeu a mulher – que era minha amiga – cedo demais. Cuidou dos filhos e não tem nenhum dos filhos desencaminhado. O Guilherme e a Lorena foram crianças maravilhosas… Ele soube cuidar da família. Não guarda rancor. Aprendeu muito. Mudou muito também; aprendeu com a gente. Hoje eu tenho absoluta convicção de que a melhor coisa para Saquarema é Pitico, o Amilton Nunes de Oliveira. Pitico quando era do lado de lá, realmente fez coisas erradas, mas quando veio para o nosso lado e conviveu comigo, passou a encarar a vida de outra forma. Hoje é uma das pessoas de maior confiança que eu tenho. É um dos homens de maior lealdade. Ele tem aquele elemento fundamental na concepção do caráter que é lealdade e gratidão. Quem não tem gratidão não tem caráter. Pitico é leal e tem caráter! Um cumpridor dos compromissos e dos seus deveres.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.

2 Comentários

  1. Sergio

    POLÍTICOS ÍNTEGROS, UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO.
    Peço permissão em manifestar-me:
    O descrédito com os políticos está em alta já algum tempo. Escasseiam-se os exemplos de políticos íntegros. Muitos brasileiros já estão completamente céticos a respeito da política. A cultura da corrupção prevalece em todos os poderes constituídos. Os cofres públicos são assaltados e o dinheiro que deveria ser destinado ao bem público é desviado para contas de pessoas inescrupulosas. A Bíblia fala de homens que ocuparam posição política de destaque e não se corromperam. Neemias, governador de Jerusalém, fala que não explorou o povo como os demais políticos que o antecederam por causa do temor a Deus. Precisamos de homens públicos que temam a Deus e amem o povo mais do que as vantagens pessoais.
    E para finalizar: O homem público é um funcionário do POVO/NAÇÃO, então honre a sua confiança e lealdade.

  2. WILMA SILVEIRA SOUZA LEAL

    Pergunto ao deputado: por que o asfaltamento de Vilatur não foi concluso?

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