PT faz campanha alarmante sobre o fim do Bolsa Família

Opinião - Silênio Vignoli

Menos de 24 horas após o desempenho de Aécio Neves garantir a necessidade de um segundo turno, criando a expectativa de inviabilizar um segundo mandato presidencial para Dilma Rousseff, a Bolsa de Valores reagiu positivamente, fazendo o Índice Bovespa, principal indicador do mercado financeiro do país, subir 4,72%, o que não acontecia desde 27 de julho de 2012. Abertamente contrário à reeleição de Dilma, o mercado festejou o resultado das urnas no primeiro turno da eleição presidencial. As ações da Petrobras tiveram valorização de 11% e as do Banco do Brasil de 13%. Segundo o historiador Marco Antônio Villa, o governo do PT gestou uma grave crise no campo econômico, transformando Dilma na terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perde para Floriano Peixoto – que teve no seu período presidencial duas guerras civis – e Fernando Collor – que recebeu a verdadeira herança maldita com uma inflação anual de quatro dígitos.

 

O troco é
com propina
da Petrobras
aos partidos

Um sentimento de perplexidade começou a prevalecer na cúpula do PT, diante do resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Lula, Dilma e o PT ficaram assustados com os 57 milhões de eleitores que “ousaram duvidar” de suas propostas, preferindo as de Aécio e Marina. O mapa da votação de Dilma mostra, claramente, que o PT acabou atropelado em São Paulo, no seu chamado “cinturão operário”. Perdeu na capital (com 20,6% dos votos), em Santo André (27,6%), São Bernardo (32,7%), São Caetano (14,9%), São José (21,4%), Santos (20,1%), Campinas (25,7%) e Ribeirão Preto (20,7%). Os 44% dos votos conseguidos por Aécio, um mineiro, em São Paulo, são sintomáticos e muito improváveis tempos atrás. O tucano poderá conseguir, junto aos paulistas, algo em torno de 10 milhões de votos ou até mais, para compensar as derrotas garantidas no Norte e Nordeste, apesar de todo o arsenal assistencialista do PT que hoje divide o Brasil, política e partidariamente em dois: um menos desenvolvido, Norte e Nordeste, facilmente manipulável pelo PT; e outro, em boa parte do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, de oposição.
No primeiro turno, o Brasil votou majoritariamente contra a reeleição de Dilma, mas isto não quer dizer que a vitória de Aécio está garantida no segundo turno, que promete ser o mais eletrizante de tantos quantos aconteceram desde 1989. A expectativa é a de uma campanha muito agressiva, em que toda a artilharia dos marqueteiros petistas espalhará o terror, no que são especialistas, entre as famílias de baixa renda, acusando os tucanos de serem aqueles que cassarão o Bolsa Família, levando a fome à mesa dos pobres. Em contrapartida, Aécio vai tentar sacudir a campanha do PT, cobrando explicações sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dizendo que o PT, o PMDB e o PP são partidos que usaram propinas da estatal na primeira eleição de Dilma, em 2010.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.