Solidariedade exemplar

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

O País está precisando de bons exemplos. A vida anda tão dura, tão difícil, tão árida que o povo, ao que parece, está descrente de que o bem ainda exista. E que ele existe, existe. Só que precisa vir à tona, ficar visível, estar presente nos noticiários e jornais, porque afinal, o BOM TAMBÉM MERECE SER NOTICIADO para a esperança de vivermos melhor.
Foi o que aconteceu em excelente reportagem de Ludmilla de Lima, que “O GLOBO” colocou em uma página inteira, no dia 08 de junho passado. Com o título da matéria “EDUCAÇÃO E MÚSICA, A FÓRMULA PARA SUPERAR A DOR DA PERDA”, a jornalista nos informa que a violoncelista do Teatro Municipal do Rio e viúva do maestro David Machado, FIORELLA SOLARES dedica 14 horas por dia à ONG “Ação Social pela Música”, criada pelo marido em 1995, pouco antes de morrer, e hoje presente em 19 favelas do Rio, além de cidades do interior.
Assim que chegam à ONG, prossegue a jornalista, “os alunos (com idades entre 6 e 14 anos) são apresentados a diferentes instrumentos musicais de corda e de sopro: violino, violoncelo, viola, contrabaixo e flauta doce, clarinete e flauta tranversal. Cabe a eles a escolha de qual querem estudar”. Os que moram mais longe são transportados em vans do projeto. “Mas a ação não se limita a música. Os que vão mal na escola recebem aulas particulares de reforço em português e matemática. E quem está fora da sala de aula é encaminhado pela ONG a uma unidade de ensino”.
Atualmente, a ONG leva educação pela música “a quase mil crianças e adolescentes. A maioria de comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).”
E filosofa a valente e dedicada FIORELLA: “a criança que fica aqui dois anos, jamais vai pegar numa pistola, porque teve uma experiência boa na infância. Digo isso porque criei uma filha.”
Bravo, FIORELLA! Avante! Pessoas como você dão maior dignidade ao nosso País. E estamos precisando de bons exemplos, como o seu. É ótimo constatar que o BOM TAMBÉM FOI NOTÍCIA!

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.