Festas religiosas mantêm a tradição cultural popular em Saquarema

Os tapetes de sal são confeccionados para a procissão de Corpus Christi ( FOto: Agnelo Quintela / arquivo jornal O Saquá)

Os tapetes de sal são confeccionados para a procissão de Corpus Christi ( FOto: Agnelo Quintela / arquivo jornal O Saquá)

Festividades religiosas são manifestações culturais que ocorrem em diversas partes do mundo, em praticamente todas as cidades do Brasil e no Estado do Rio de Janeiro. Com grande destaque na vida social de Saquarema, são festas sempre relacionadas a antigas tradições impregnadas de religiosidade popular, que passam de geração em geração, tornando-se às vezes um atrativo turístico, gerando renda para a população. Estas comemorações que manifestam publicamente as convicções religiosas de um determinado grupo social, fortalecem as pessoas que comungam das mesmas convicções religiosas, consolidando os laços afetivos entre os membros da comunidade.
Em Saquarema, as festas religiosas desempenham um papel relevante, desde o surgimento do município, que tem como padroeira Nossa Senhora de Nazareth. É aqui que se realiza o mais antigo Círio de Nazareth do Brasil, criado em 1630, junto com a primeira capela dedicada à santa. Antigo costume português, as festas religiosas católicas se espalharam pelo Brasil Colônia e se consolidaram no gosto do público, frequentemente mescladas à cultura popular, como a Folia de Reis e como a Festa do Divino ou Folia do Divino, em homenagem ao Divino Espírito Santo, que aqui permanece com a tradicional “bênção da farinha” e o almoço comunitário que este ano distribuiu cerca de mil refeições para a comunidade.

A procissão do Divino com seus personagens e utensílios sagrados (Foto: Paulo Lulo)

A procissão do Divino com seus personagens e utensílios sagrados (Foto: Paulo Lulo)

Os santos que inspiram as festas juninas – Santo Antônio, São João e São Pedro – também são cultuados popularmente, em todo o Nordeste do Brasil, no interior, no litoral e nas cidades antigas, como Saquarema. A procissão de Santo Antônio, em Bacaxá, este ano aumentou seu brilho com a multidão que emendou o feriado da Copa do Mundo com o fim de semana, gerando um grande movimento na praça e no calçadão. Já o Corpus Christi, entre as festas de Santo Antônio e São João, vai trazer de volta a beleza dos tapetes de sal no centro histórico da cidade, onde várias comunidades e entidades sociais do município atendem ao apelo da Igreja Católica, nesta data que marca a ressurreição de Cristo, a Pentecoste.
Uma das festas que mais mobiliza a cidade atualmente é o Dia de São Pedro que a Colônia dos Pescadores Z-24 realiza, durante dois dias, incluindo um campeonato de barcos e a procissão marítima na Lagoa de Saquarema,

Xangô com seus machados (Foto: Edimilson Soares)

Xangô com seus machados (Foto: Edimilson Soares)

que se encerra na Praça dos Pescadores, em frente à Padaria da Ponte. São Pedro é comemorado duplamente, tanto pela Igreja Católica como pelos centros de umbanda e candomblé, que no sincretismo religioso brasileiro, cultuam o orixá Xangô, na mesma data. É o caso da babalorixá Dolores de Xangô que neste dia faz a mais importante homenagem no seu terreiro, no Areal, com o tradicional toque dos três tambores.
Outra festa comemorada duplamente pelo sincretismo religioso brasileiro é a festa de São Jorge que este ano ocorreu em Vilatur, Jaconé e na Mombaça, onde já é uma tradição católica que inclui uma cavalgada até a Praça do Coração, em frente à igreja matriz de Nossa Senhora de Nazareth. Nos terreiros, em vários pontos da cidade, o toque de Ogum, o São Jorge da umbanda e do candomblé, podem ser ouvidos nos bairros, onde o Santo Guerreiro recebe as homenagens de seus devotos, não raro acompanhadas de feijoada, com arroz, couve e farofa.

 

Terço e coroação na praça

O evento religioso emocionou a comunidade católica (Foto: Edimilson Soares)

O evento religioso emocionou a comunidade católica (Foto: Edimilson Soares)

O mês de maio é o mês de Nossa Senhora e no dia 30 foi realizado o terceiro encontro de católicos para rezar o Terço na Praça de Saquarema. A fé e a emoção se sobrepuseram à noite fria de outono, tendo sido a Coroação e Consagração a Nossa Senhora de Fátima um dos momentos mais emocionantes. A participação de crianças trouxe alegria e encantamento à ocasião. A força das orações Ave Maria e Salve Rainha, no final do Terço, foram prontamente acompanhadas pelos devotos, que acompanhavam David Bravo, destacado membro da Igreja Católica de Saquarema, que estudou teologia na Faculdade de São Bento e atualmente estuda filosofia na Universidade Federal Fluminense. Filho de uma das famílias mais tradicionais do município, David é filho do popular Bravinho, ex-vereador, e neto de Darcy Bravo, autor do livro Minha Terra Saquarema. O próximo encontro será no dia 20 de Junho, às 19:30 h, também na Praça Oscar de Macedo Soares, onde tem a Feira de Artesanato, no Centro de Saquarema.

David Bravo, a flautista Nadir, amiga da família, e seus pais: Jurema e Bravinho (Foto: Edimilson Soares)

David Bravo, a flautista Nadir, amiga da família, e seus pais: Jurema e Bravinho (Foto: Edimilson Soares)

 

 

Optcha, Santa Sara Kali

A dança cigana é feita em homenagem à Santa Sara Kali (Foto: Roberto Trajano)

A dança cigana é feita em homenagem à Santa Sara Kali (Foto: Roberto Trajano)

A festa em homenagem à Santa Sara aconteceu em Barra Nova, uma realização da Casa do Sopão, que também desenvolve várias atividades para a comunidade, no autêntico espírito de trabalho voluntário. A comemoração pelo dia de Santa Sara é em 24 de maio, mas devido à chuva foi adiada para 7 de junho, quando os devotos prestaram homenagens e comemoraram com uma bela festa cigana, já que Santa Sara Kali é a protetora do povo cigano, e ao dizer “Optcha”, eles estão saudando: Salve! A alegria da festa faz parte da proposta de emanar boas energias através de danças e comidas típicas, além da tradicional fogueira ritualística.

Santa Sara padroeira do povo cigano (Foto: Alessandra Calazans)

Santa Sara padroeira do povo cigano (Foto: Alessandra Calazans)

A história aponta a canonização de Santa Sara em 1712 pela igreja católica e a lenda conta que sua pele era escura e que e seu culto está ligado ao culto das Madonas Negras. A imagem vestida de azul, branco e dourado recebe adorno de flores, joias e lenços coloridos, e em seus olhos os devotos encontram as forças provenientes da mãe, irmã e mulher. Através de suas mãos buscam a energia pelo toque, para encontrar a paz e, aos pés de Santa Sara, se ajoelham para agradecer e receber a força de Deus.

 

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