Simpósio sobre a Copa do Mundo leva Niterói a pensar o futebol

A mesa sobre Copa e Ditadura Militar foi mediada pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, Continentino Porto, com Chico Otávio e o editor de esporte do jornal O Globo, Marceu Vieira, o apresentador do programa da TV CNT Jogo do Poder, Ricardo Bruno e o jornalista, escritor e diretor sindical Pinheiro Júnior (Foto  Salomão Santana)

A mesa sobre Copa e Ditadura Militar foi mediada pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, Continentino Porto, com Chico Otávio e o editor de esporte do jornal O Globo, Marceu Vieira, o apresentador do programa da TV CNT Jogo do Poder, Ricardo Bruno e o jornalista, escritor e diretor sindical Pinheiro Júnior (Foto Salomão Santana)

Um hotel cinco estrelas, no aprazível bairro do Ingá, com vista para o magnífico Museu de Arte Contemporânea, projetado por Oscar Niemeyer, foi o cenário do Simpósio sobre a Copa do Mundo 2014 – Niterói Pensando o Futebol. Realizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro em parceria com a Prefeitura de Niterói, o evento reuniu durante dois dias personalidades do esporte, professores de educação física, jornalista e radialistas, além de autoridades como o ministro do Esporte Aldo Rebelo e o prefeito de Niterói Rodrigo Neves. Com pretensão de abordar os diversos aspectos da Copa do Mundo, o simpósio trouxe até as baianas do acarajé, proibidas pela FIFA de vender acarajé no Estádio Fonte Nova, em Salvador, na Bahia. Tombadas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio cultural imaterial do Brasil, as baianas questionaram: porque só comida fast food pode ser vendida nos estádios? Acarajé não é mais saudável do que congelados?
Se, na visão oficial do Ministério do Esporte, a Copa do Mundo é um reino de oportunidades, sob o prisma dos impactos socioambientais pode ser também um espaço de reflexão sobre o discutível legado da Copa para a maioria das cidades-sede, onde os planos de mobilidade urbana sequer saíram do papel. É semelhante ao caso da Copa da África do Sul, que em vez de reduzir as desigualdades sociais produziu maiores injustiças, beneficiando apenas as grandes empresas. Este foi o tema debatido pelo representante do Comitê Popular da Copa, Renato Cosentino e Carla Tavares, docente em Gestão Estratégica de Esportes, com mediação do jornalista e escritor Pinheiro Júnior.
Na mesa de abertura, o diretor da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira, Wolgang Kunath, e o secretário municipal de Esportes e Lazer de Niterói, Bruno Souza, participaram da homenagem ao comentarista esportivo Léo Batista, por seus 65 anos de atividades profissionais e da homenagem póstuma ao narrador da Band TV, Luciano do Valle. Abordando os direitos trabalhistas dos atletas, Wellington Campos, da CBF, Carlos Parizzi, da CNT e jornal O Fluminense, Jorge Eduardo, da Rádio Bradesco, e Gilberto Silva, campeão do mundo e do Bom Senso Futebol Clube, refletiram os dilemas dos jogadores profissionais. Mediado pelo jornalista Sérgio Rangel, da Folha de São Paulo, o debate sobre a ética no futebol reuniu o árbitro Leo Feldman, Maurício Pelegrineti, diretor da Federação de Futebol de 7 e a jornalista Fátima Lacerda.

 

A jornalista Dulce Tupy mediou o debate sobre os Impactos Socioambientais dos Grandes Eventos Esportivos (Foto Salomão Santana)

A jornalista Dulce Tupy mediou o debate sobre os Impactos Socioambientais dos Grandes Eventos Esportivos (Foto Salomão Santana)

 

Depois do ministro Aldo Rebelo e da homenagem ao radialista Léo Batista, o destaque foi para as baianas do acarajé

Outros temas completaram a programação do primeiro dia, a prevenção da Saúde no Esporte, o futebol feminino e a violência nos estádios, provocando calorosas intervenções do médico e professor da UFF José Antônio Caldas, do médico e ex-jogador Afonsinho, tendo como mediador o jornalista Teixeira Heizer, da Sport TV, e o jornalista Ricardo Baresi e a jogadora do Vasco Jéssica, mediados por Soraya Venegas, coordenadora do curso de jornalismo da Universidade Estácio de Sá. O Racismo no Futebol foi outro debate polêmico, mediado por Rebeca Bruno, coordenadora do curso de jornalismo da Universo, com participação da antropóloga Ana Paula da Silva, do ex-jogador Wagner, do professor de educação física da Universidade Castelo Branco, Sérgio Tavares, e do jornalista Fernando Paulino. Intenso também foram os depoimentos sobre os Bastidores do Futebol, narrados pelo radialista esportivo Cezar Rizzo e pelo articulista Célio Junger, mediados por Pedro Costa, da Radio Tupi.
Mas o ponto alto do simpósio ainda estava por vir, com a apresentação do documentário “Copa do Mundo da FIFA 2014- Sem Baianas de Acarajé”, com a presença do cineasta argentino-brasileiro Carlos Pronzato, seguido de debate sobre Os Impactos Sócioambientais nos Grandes Eventos Esportivos, tendo como convidados o ambientalista Sergio Ricardo, que abordou a questão das remoções nas comunidades, a escritora indígena Eliane Potiguara, que falou sobre a Aldeia Maracanã e três baianas de acarajé – Claudia, Cida e Eliane – que reivindicaram os direitos de vender quitutes nos estádios da Copa do Mundo e em pontos tradicionais como no Campo de São Bento, onde há uma feira de artesanato, em Niterói, de onde foram expulsas. Com mediação da jornalista Dulce Tupy, foi uma das mesas mais animadas, seguida pelo grande debate sobre A Ditadura Militar e as Copas do Mundo, com Marceu Vieira, editor de Esporte do Jornal O Globo e Ricardo Bruno, apresentador do programa Jogo do Poder, da CNT, mediado pelo jornalista Continentino Porto.
Uma das conclusões do simpósio foi a necessidade de se reestruturar o Estádio Caio Martins, em Niterói, palco da Copa do Mundo de 1950 e de cenas históricas de aprisionamento de presos políticos no governo militar, assim como a urgência de Niterói ter um time, para participar do Campeonato Estadual. No encerramento, a emoção da solenidade com entrega de troféus em homenagem aos Campeões do Mundo que nasceram e moram em Niterói, entre eles Jair Marinho, Altair, Roberto Miranda e Leonardo, representado por seu irmão. Durante o evento foi exibido o filme “Maracaná: La História Secreta”, baseado no livro do uruguaio Atílio Garrido, além de uma feira de livros e uma exposição de fotos sobre as Copas do Mundo, coordenada por Alcyr Cavalcanti.

 

Muito apreciada, a exposição sobre as Copas do Mundo, coordenada pelo fotógrafo Alcyr Cavalcanti (Foto ALCYR CAVALCANTI)

Muito apreciada, a exposição sobre as Copas do Mundo, coordenada pelo fotógrafo Alcyr Cavalcanti (Foto ALCYR CAVALCANTI)

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