Felicidade (3)

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Assim como a POESIA pode nascer nas condições mais adversas do cotidiano, pode a FELICIDADE brotar nas circunstâncias mais impossíveis da vida. Como por exemplo, no “Gato Malhado”, que se apaixonou pela “Andorinha Sinhá”, ambos personagens de um amor impossível (já que gatos costumam caçar passarinhos e não se apaixonar por passarinhos), na prosa encantatória de JORGE AMADO, escrita e oferecida ao seu filho João Jorge, como presente de aniversário, quando este completou um ano de idade: “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”.
No livro, o amor floresceu e a FELICIDADE aconteceu entre o gato e a andorinha, ainda que breve, passageira, mas inesquecível. Da impossibilidade, a possibilidade da FELICIDADE.
Será que haveria tendência natural dos seres vivos na busca da FELICIDADE? Não saberia responder. Mas quanto aos humanos, se saudáveis, penso que não há quem não sonhe em ser feliz. E nisso os filósofos podem nos ajudar, pois como já temos dito anteriormente, “a missão essencial da FILOSOFIA é tornar viável a busca da FELICIDADE”.
Tão forte como o medo da morte, para a Humanidade, é o pesadelo do envelhecimento. Sobre os temas, duas diretrizes filosóficas:
a) É PRECISO VER O LADO BOM DO ENVELHECIMENTO – “Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam” (Cícero – 106 a.C. – 43 a.C.). E ainda o citado filósofo: “Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade. A rabugice e o amargor são deploráveis em qualquer idade”.
Permanecer intelectualmente ativo é uma importante recomendação dele. Cícero lembra que no final da vida Sócrates aprendeu a tocar lira.
b) É NECESSÁRIO APRENDER A LIDAR COM A IDEIA DA MORTE – “Parece inacreditável, mas muita gente morre do medo de morrer” (Sêneca 4 a.C. – 65 d.C.). “Pensar na morte, longe de ser uma atitude mórbida, ajuda a viver melhor. É uma receita para suavizar o terror que a morte nos inspira – e, em consequencia, para nos ajudar a viver melhor”, conclui Paulo Nogueira, em excelente matéria publicada na Revista Época, de 22/01/2007.
Termino esta série sobre FELICIDADE com a sugestão do imperador filósofo Marco Aurélio para o começo de cada dia: “Previna a si mesmo ao amanhecer: vou encontrar um intrometido, um mal-agradecido, um insolente, um astucioso, um invejoso, um avaro”. Isso, nos primórdios da Era Cristã. Imaginem hoje, com o aumento das populações e em pleno Século XXI !…
Sigamos em frente, pois, prevenidos, na eterna busca da FELICIDADE!

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.