Oscar de Macedo Soares, o benemérito

Casimiro Vignoli, que idealizou e pagou a escultura em bronze, discursa na solenidade de inauguração do busto de Oscar de Macedo Soares, na praça no centro da cidade, em 22 de setembro de 1963, na cerimônia que reuniu o ex-prefeito Gentil Mendonça, de óculos, o representante da família do homenageado, de terno branco, o presidente da Assembleia Legislativa do antigo Estado do Rio de Janeiro, Raul de Oliveira Rodrigues e os alunos do GEOMS (Grupo Escolar Oscar de Macedo Soares)

Casimiro Vignoli, que idealizou e pagou a escultura em bronze, discursa na solenidade de inauguração do busto de Oscar de Macedo Soares, na praça no centro da cidade, em 22 de setembro de 1963, na cerimônia que reuniu o ex-prefeito Gentil Mendonça, de óculos, o representante da família do homenageado, de terno branco, o presidente da Assembleia Legislativa do antigo Estado do Rio de Janeiro, Raul de Oliveira Rodrigues e os alunos do GEOMS (Grupo Escolar Oscar de Macedo Soares)

Benemérito é todo aquele que produz um benefício ou vários benéficos para alguém ou um lugar. É o caso do ilustre advogado, jornalista, parlamentar e secretário de Estado nascido na fazenda de Bonsucesso, em Saquarema, a 15 de setembro de 1863 e falecido no Rio de Janeiro a 3 de agosto de 1911. Filho do conselheiro Antônio Joaquim de Macedo Soares, ministro do Supremo Tribunal Federal, formou-se em 1866 pela Faculdade de Direito de São Paulo, tendo dirigido a Revista Acadêmica e sido redator do Correio Paulistano, como correspondente de São Paulo para jornais cariocas e niteroienses, entre eles O Fluminense.

Filho do juiz de direito Antonio Joaquim de Macedo Soares, Oscar de Macedo Soares, cujo busto em bronze se encontra na praça que leva seu nome, conhecida como “Praça do Artesanato”, no centro de Saquarema, foi promotor e curador de órfãos na cidade de Itu, em São Paulo, secretário de Governo, em Alagoas e no Ceará, antes de se estabelecer como advogado no Rio de Janeiro. Aderindo à República, elegeu-se deputado pelo Estado do Rio à Assembleia Nacional Constituinte de 1891, período em que dirige o diário O Rio de Janeiro. Em 1897, renunciou ao terceiro mandato para assumir a Chefia de Polícia. Após a cisão do Partido Republicano Fluminense, fica desgostoso e abandona a política.

Tela de Martinha Vignoli retratando a Praça Oscar  de Macedo Soares.

Tela de Martinha Vignoli retratando a Praça Oscar
de Macedo Soares.

Surge aí a grande figura do provedor. Em 1902, Oscar de Macedo Soares funda a Casa de Caridade de Saquarema, com hospital e maternidade, trazendo para cá Madre Maria das Neves. No Rio de Janeiro, também tornou-se provedor do Hospício (nome que se dava na época ao Hospital) de Nossa Senhora da Saúde, no bairro da Gamboa, reformado e ampliado em 1909. Dedicou seus últimos anos a essas obras de benemerência e ao Clube Brasileiro Comercial do Rio de Janeiro, que presidiu a partir de 1897. Através dessa entidade promoveu em 1907 uma série de conferências, visando à expansão do parque industrial do Estado do Rio, com grande sucesso.

Foi Oscar de Macedo Soares quem trouxe para Saquarema iluminação pública, colocando em postes de ferro artísticos lampiões e saneamento básico, trazendo água encanada para o centro da cidade. Foi o eminente jurista quem doou ainda o terreno para edificação do Telégrafo em Saquarema, um dos melhores prédios do centro, num dos pontos mais aprazíveis da Vila, à beira da lagoa. Durante anos, a Colônia de Pescadores manteve uma escola, chamada Oscar de Macedo Soares, hoje nome de um Colégio Estadual, na Avenida Saquarema. Casado com sua prima Ambrozina de Azevedo de Macedo Soares, Oscar de Macedo Soares é patrono de uma cadeira na Academia de Comércio do Rio de Janeiro e também na Academia Niteroiense de Letras.

A família Macedo Soares

Elmar, o Catatau, empresário  em Saquarema. (Foto: Edimilson Soares)

Elmar, o Catatau, empresário em Saquarema. (Foto: Edimilson Soares)

São muitos os membros da família Macedo Soares e em Saquarema temos o sobrinho bisneto de Dr. Oscar Macedo Soares, Elmar de Macedo Soares, um dos filhos do segundo casamento de Argemiro Ribeiro de Macedo Soares. Conhecido como Catatau, o dono da Budega du Catatau é também um benfeitor, ajudando vários artistas e grupos de teatro e cinema, como a Casa do Nós. Meio irmão do pesquisador e jornalista Emmanoel de Macedo Soares, que mora em Niterói, filho caçula do primeiro casamento de Argemiro Ribeiro de Macedo Soares, Catatau deu para o fotógrafo Edimilson Soares uma cópia do livro “Meu Canhenho (Notas Autobiográficas)”, uma espécie de caderno de anotações de seu pai com a história da família e seus descendentes. Publicado em 1965, o livreto foi o fio da meada para tecermos a árvore genealogia dos Macedo Soares, uma família que dominou desde meados do século 19 e até o início do século 20, a aristocracia fluminense, com suas enormes fazendas, a maioria oriunda da sesmaria de Cabo Frio, em Maricá, Saquarema e Araruama.

Emmanoel de Macedo Soares,  o pesquisador. (Fotos: Edimilson Soares)

Emmanoel de Macedo Soares, o pesquisador. (Foto: Edimilson Soares)

Segundo Emmanoel de Macedo Soares, autor de vários livros e membro de diversas Academias de Letras, naquela época as divisas entre Maricá, Saquarema e Araruama, e até mesmo Rio Bonito, se confundiam e os nascidos num município anos depois constavam como tendo nascido em outro, a maioria integrante da antiga sesmaria de Cabo Frio. É o caso de Oscar de Macedo Soares que embora nascido em Bonsucesso, em Saquarema, às vezes aparece como tendo nascido em Araruama. Mas na verdade sempre foi um autêntico saquaremense.

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