Congresso Nacional de Jornalistas homenageia vítimas da ditadura

O jornalista Raimundo Pereira, editor dos jornais Opinião e Movimento, foi ovacionado (Dulce Tupy)

O jornalista Raimundo Pereira, editor dos jornais Opinião e Movimento, foi ovacionado (Dulce Tupy)

O 36º Congresso Nacional de Jornalistas, realizado de 2 a 6 de abril, em Maceió, Alagoas, reuniu representantes dos mais de 30 Sindicatos de Jornalistas do país. Durante o Congresso, foram homenageados jornalistas vítimas da ditadura civil-militar instalada no Brasil em 1964 e foram traçados os rumos do jornalismo profissional nos próximos anos, entre eles o fortalecimento da luta pela obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
Os destaques do Congresso de Maceió foram os jornalistas Audálio Dantas, ex-presidente do Sindicato de Jornalistas de São Paulo, na época do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, sob torturas, nas dependências do DOI-CODI, e Raimundo Pereira, editor do jornal Movimento, jornal da resistência nos anos 70 e 80, editor da revista Retratos do Brasil. O ponto alto do evento, no entanto, foi a concessão da “Comenda de Ouro” da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), promotora do Congresso, ao professor e jornalista José Marques de Melo, da USP, seguida do Tributo às Vítimas da Ditadura, na praça ao lado do Memorial Teotônio Vilela, o senador consagrado na campanha das “Diretas Já” como “Menestrel de Alagoas”, na luta pela redemocratização do Brasil.
Na plenária, várias teses foram debatidas e aprovadas, entre elas a do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ), defendida pelo jornalista Oswaldo Maneschy, que preconiza a possibilidade de recontagem dos votos, nas eleições do Brasil. Além de Maneschy, a delegação do Rio de Janeiro foi composta pelos jornalistas Continentino Porto, Dulce Tupy, Mário Souza e Fernando Paulino, tendo como observador Sérgio Caldieri.

I Encontro pela igualdade racial

O I Encontro Nacional dos Jornalistas pela Igualdade Racial, o I ENJIRA, antecedeu a abertura do 36º Congresso, realizado também no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió. A “Carta do I Enjira” foi lida na Plenária do Congresso, pela jornalista Angelica Basthi, do Sindicato de Jornalistas do Município do Rio de Janeiro.
Coube à bancada fluminense defender ainda teses sobre a violência contra jornalistas, democratização da comunicação e jornalismo ambiental. Durante o Congresso se reuniu a Comissão Nacional da Verdade da FENAJ e foi aprovada uma Moção de Aplauso pela realização do Simpósio sobre a Copa do Mundo que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro vai promover de 5 a 6 de maio em Niterói, onde serão debatidos temas como “A Ditadura e as Copas do Mundo”, “Racismo no Futebol” e “Impactos socioambientais nos grandes eventos esportivos”.

 

No I ENJIRA, jornalistas que lutam pela igualdade de raça, gênero e etnia (Divulgação)

No I ENJIRA, jornalistas que lutam pela igualdade de raça, gênero e etnia (Divulgação)

 

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