Jornalistas morrem atingidos pela violência no Rio de Janeiro

Editorial - Dulce Tupy

O cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, faleceu depois de vários dias na UTI de um hospital no centro do Rio, vítima de um rojão disparado em uma manifestação contra o alto preço do transporte urbano. Já o jornalista Pedro Palma foi assassinado com tiros na porta de sua casa, em Miguel Pereira, diante de sua filha. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ) se posicionou contra os crimes que tentam calar a imprensa. Eis a nota do SJPERJ: “A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ) solidariza-se com os familiares do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, que teve morte cerebral anunciada pela Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro. O Brasil está de luto e exige que as autoridades punam com rigor os responsáveis pelo homicídio praticado contra um trabalhador da informação que colhia imagens durante manifestação contra o aumento de passagens decretado pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

O SJPERJ considera a ocorrência atentatória à liberdade de expressão tão duramente conquistada pelo povo brasileiro. Os jornalistas e demais cidadãos brasileiros repudiam qualquer tipo de violência, parta de onde partir, e exigem que a cobertura jornalística das investigações não seja objeto de manipulação da informação para fins inconfessáveis e que sirvam de pretexto para a criminalização dos movimentos sociais. O SJPERJ apela aos manifestantes e às autoridades no sentido de tomarem providências, através do diálogo, que evitem a continuidade de ações violentas como a que aconteceu com o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade.

É dever do Estado e de quem tem voz de comando evitar a violência por parte da PM contra os manifestantes, como tem acontecido. É dever dos autênticos manifestantes repudiar e evitar o uso de violência por parte de grupos que se valem de ações antidemocráticas nos protestos. Até porque, a violência só gera violência e se volta contra quem protesta e os profissionais de imprensa. Não se pode esquecer que é atributo das empresas jornalísticas também fornecer aos jornalistas que cobrem as manifestações equipamentos de segurança adequados para a proteção dos profissionais de imprensa. E que isso seja feito imediatamente. Até porque, se Santiago Ilídio de Andrade estivesse ao menos com um capacete de proteção poderia ter sido evitada esta tragédia. ”

O sindicato repudiou também o “assassinato do jornalista Pedro Palma, 47 anos”, vítima de tiros disparados por uma dupla em uma moto. “Mais uma vez ocorre o assassinato brutal de um profissional da imprensa, vitimado apenas por cumprir sua função de comunicador social. O SJPERJ vem a público denunciar esta violência contra a liberdade de expressão que atinge a imprensa (…) O exercício da profissão de jornalista é amparado na Constituição. Os jornalistas são os olhos e os ouvidos da população. Sem liberdade de imprensa não há democracia.”

Também a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação dos Diretores de Jornais do Interior (ADJORI) se manifestaram contra esses atentados à liberdade de imprensa.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.