Mandela: guerreiro que derrotou o “apartheid” na África do Sul

Editorial - Dulce Tupy

Morreu Nelson Mandela, o grande combatente contra o regime do “apartheid” da África do Sul, um dos regimes mais horrendos do planeta, que separava as pessoas, segundo a cor da pele. Assim, uma minoria branca, de origem inglesa e holandesa, dominava a maioria negra e também os imigrantes indianos, que buscavam trabalho na África do Sul, e todos os mestiços. Mandela nasceu com o destino de um líder tribal e foi preparado para assumir sua tribo. Porém, através de estudos e uma prática política libertadora, Mandela se tornou um destacado militante na luta contra o “apartheid”, nos anos 40, quando integrou a Liga da Juventude do ANC, Congresso Nacional Africano, que congregava o movimento pela libertação.

Nos anos 50, o ANC conseguiu pela 1ª vez organizar uma greve geral e, unindo-se ao Congresso Indiano, a partir daí começam uma campanha de desobediência civil, contra a leis injustas do “apartheid” que impedia os negros, indianos e mestiços de andarem de noite nas ruas, obrigava-os a portar um documento tipo passaporte para poder circular e trabalhar nas cidades dos brancos, entre outras arbitrariedades, condenadas mundialmente. Nascido em Umtata, no Transkei, uma região rural da África do Sul, teve uma infância tradicional. Membro de uma família de nobres, Rolihlahla – verdadeiro nome de Mandela – casou-se com a assistente social Winnie, com quem dividiu a maior parte de sua vida de lutas, inclusive a clandestinidade, no início dos anos 60.

Advogado, Mandela havia criado “A lança da nação”, uma organização da qual se tornou o primeiro comandant.Abandonando os métodos pacifistas e aderindo à luta armada  contra o apartheid, apoiado pelos movimentos internacionais de libertação, Mandela foi preso e mais tarde condenado à prisão perpétua, junto com outros ativistas no célebre julgamento de Rivônia, ganhando notoriedade no mundo por seus escritos e ações, por sua liderança e carisma. Encarcerado na penitenciária de segurança máxima para prisioneiros masculinos negros, permaneceu em Robben Island por 27 anos. Conhecido como Mandiba, nome de sua etnia, o revolucionário Mandela não só fazia a defesa contundente de todo o grupo de prisioneiros políticos como mantinha o moral alto, empunhando a bandeira da luta contra os oprimidos.

Quando estive em Angola, acompanhando a primeira caravana de artistas brasileiros à África, ficamos hospedados na capital Luanda, onde visitamos em seus arredores uma trincheira histórica que foi o local da resistência angolana contra os ataques sul-africanos. No processo de libertação de Angola, , a África do Sul desempenhou o tenebroso papel de carrasco, promovendo batalhas criminosas, invadindo territórios e massacrando aldeias com seus bombardeios. Mas, com a ajuda das tropas internacionalistas cubanas, Angola resistiu, fez a sua libertação nacional e tornou-se um país independente. Nas frentes das batalhas, c omo naquela trincheira cravada no barro do chão, um mito se sobrepunha, inspirando os novos guerreiros. Era Mandela que, mesmo prisioneiro, era e sempre será um exemplo de luta e resistência.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.