Reinventando a vida

Cultura È NotÌcia - Beatriz Dutra

“A vida só é possível reinventada”, escreveu Cecília Meireles. A ela reuno Heráclito: “Tudo flui, tudo muda.” Poesia e Filosofia de mãos dadas, com as diretrizes para vivermos melhor: a necessidade de nos adaptarmos às mudanças e reiventarmos a vida. E nessa reinvenção, certamente, precisaríamos encontrar um meio de alongar o tempo, que anda curto demais para atendermos as nossas necessidades e aos nossos sonhos.

Nesse sentido, Ruth de Aquino escreveu interessante crônica “Como sobreviver a tantas inovações”, publicada na Revista Época de 23/09/2013, na qual deixa bem claro que é preciso encontrar: TEMPO PARA ESCUTAR – … “ninguém mais escuta ninguém. Falamos sozinhos e deixamos o outro falando sozinho” ; TEMPO PRA LER – … “As pessoas não leem sequer um e-mail inteiro, do início ao fim. A não ser que seja uma frase apenas. E também não têm tempo de responder aos e-mails, nem para agradecer.” ; TEMPO PARA FAZER AMOR –  “Não falo de preliminares, carinhos antes ou depois. E sim do ato em si. Quantos deixam de fazer amor por teclar aparelhos na cama sem cessar. Quantos interrompem o sexo para atender um celular ou responder a uma mensagem. Quantos fazem amor com a cabeça em outro lugar. Não dá para ser multimídia no sexo. Estar presente é condição para o prazer pleno” ; TEMPO PARA PENSAR – “Em vez de pensar duas vezes antes de agir, as pessoas agem duas vezes antes de pensar. A falta de tempo para refletir leva a decisões e conclusões precipitadas, que não costumam ser as mais sensatas” ; TEMPO PARA ENCONTRAR AMIGOS (E NÃO SEGUIDORES) – “As redes sociais ameaçam tornar a amizade uma ilusão. Os rituais da amizade se perderam na exposição obsessiva e narcisista de detalhes da vida pessoal. Noutro dia, ouvi alguém dizer que o Facebook é a melhor maneira de perder amigos” ; TEMPO PARA FÉRIAS VERDADEIRAS – “A extrema competitividade faz com que muitos não tirem férias ou então continuem ligados no trabalho” ; TEMPO PARA COMER – “É preciso comer mais devagar, e sem ficar teclando e olhando o celular” ; TEMPO PARA RESPIRAR – “Não é por acaso que os cursos para respiração fazem tanto sucesso. Desaprendemos a respirar e, por isso, tanta gente vive com excessiva sofreguidão e insônia” ; TEMPO PARA CUIDAR DA SAÚDE – “Não faz sentido o ser humano não ter tempo para fazer exames ou se tratar. Ou sentir culpa por dedicar tempo a sua saúde. Isso se chama autodestruição.”

“Com isso, poderíamos viver com um mínimo de cordialidade, leveza e calma. Qualidades que parecem ter sofrido curto-circuito num mundo interconectado  demais”, conclui com sabedoria Ruth de Aquino.

Mas, acrescentaria eu, ainda há TEMPO PARA DESEJAR A TODOS UM FELIZ NATAL – o que só será possível com a VIDA REINVENTADA, não acham?

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.