A religiosidade profunda de Saquarema

Atravessando sobre os tapetes de sal, a procissão de Corpus Christi  deste ano teve como tema “Juventude e Eucaristia” (fotos: Agnelo Quintela)

Atravessando sobre os tapetes de sal, a procissão de Corpus Christi deste ano teve como tema “Juventude e Eucaristia” (fotos: Agnelo Quintela)

As festas religiosas em Saquarema são mais do que uma tradição. São um hábito que passa de geração em geração, ao longo dos séculos, desde que foi achada por pescadores a imagem de Nossa Senhora de Nazareth no penhasco onde hoje se encontra a igreja matriz. Foram os portugueses, no período colonial, que trouxeram para cá o costume das folias, tanto a Folia de Reis como a Folia do Divino, que permanecem até hoje. Fontes de profunda tradição católica e popular, as folias em Saquarema já foram tombadas, assim como a Festa de Nossa Senhora de Nazareth, como patrimônio imaterial do município. O projeto de lei foi do ex-vereador Rafael Pinheiro, preocupado com a preservação da nossa cultura popular religiosa.

O artista plástico Nelsinho e o belo tapete de sal, uma obra de arte (Paulo Lulo)

O artista plástico Nelsinho e o belo tapete de sal, uma obra de arte (Foto: Paulo Lulo)

Este ano, a Festa do Divino, com procissão, coroação do imperador-menino e sua corte imperial, bandeiras, reza da mesa, banquete comunitário, banda de música e grupo de foliões, foi mais uma vez uma confirmação da religiosidade que permeia Saquarema, ao longo do ano. Logo depois, o Corpus Christi, com sua procissão majestosa sobre os tapetes de sal e a missa campal, deram mais uma vez o tom de uma das manifestações religiosas que atraem maior número de fiéis a cidade, incluindo o turismo religioso que hoje é fonte de renda para muitos municípios.

Nos meses de junho e julho, as festas juninas e julhinas, com suas quadrilhas, bandeirinhas, quitutes doces e salgados, canjica e caldos, se mantém nos três distritos, começando pela Festa de Santo Antônio, em Bacaxá, passando pela de São João, no centro de Saquarema, este ano prejudicada pela chuva, e culminando com a Festa de São Pedro, na lagoa, organizada pela Paróquia, Prefeitura Municipal e Colônia de Pescadores. Este ano, a tradicional procissão de barcos começou no Boqueirão, parou na sede da Colônia Z-24 e se encerrou na Praça dos Pescadores, onde se encontrou com a procissão do Sagrado Coração de Jesus, que desceu com os devotos do alto da igreja de Nossa Senhora de Nazareth.

Festa do Divino, marco histórico da religiosidade católica, lota o Centro da cidade, onde os fiéis fazem procissão

Festa do Divino, marco histórico da religiosidade católica, lota o Centro da cidade, onde os fiéis fazem procissão

Saquarema é o berço do primeiro Círio de Nazareth no Brasil, uma tradição portuguesa que chegou com os colonizadores e se espalhou pelo país. A festa que atrai devotos de todo o Estado do Rio de Janeiro, não encontra porém no município a infraestrutura que necessitaria para ser divulgada em grande escala, ao contrário de Belém do Pará, onde a Festa de Nazaré cresceu tanto que hoje vem se consolidando cada vez mais pelo seu gigantismo. Na verdade, no norte a festa dura um mês, com várias atrações e se encerra com uma procissão que é uma atração não só religiosa, mas também turística, com milhares de devotos de todo o país.

Fiéis arrastam populares, que seguem a bandeira do Divino  em devoção pelas ruas

Fiéis arrastam populares, que seguem a bandeira do Divino em devoção pelas ruas

Nos últimos anos, a Nossa Senhora de Nazaré de Belém do Pará costuma visitar Saquarema e a Nossa Senhora de Nazareth (observar que a grafia é diferente para cada santa).  É um ato simbólico relevante para os católicos locais que encontram nesta oportunidade uma forma de reforçar a fé na santa padroeira do município, desde 1630, no século 17. Com sua feição atual construída no século 19, em estilo barroco, a igreja é o maior símbolo da cidade, no alto do morro, onde foi encontrada a imagem de Nossa Senhora de Nazareth, por simples pescadores.

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