O primeiro registro histórico da igreja e imagem de N. Sra. de Nazareth de Saquarema

Estandarte do Círio de Nazareth  de Saquarema, o mais antigo do Brasil (Agnelo Quintela)

Estandarte do Círio de Nazareth de Saquarema, o mais antigo do Brasil (Agnelo Quintela)

Portugual 1723

O Santuário Mariano é uma série de 10 livros, escritos por um padre franciscano em Portugal no século 18, entre 1707 e 1723. Com o título de Santuário Mariano, e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora a série é na verdade um inventário das igrejas e imagens dedicadas à Virgem Maria no Reino Português, começando por Portugal mas incluindo também as colônias situadas na Índia Ocidental, Ásia Insular, África, Filipinas e Brasil. Obra considerada raríssima, o Santuário Mariano teve parte do volume 10 publicada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria Estadual de Cultura e INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural). É um dos mais antigos registros históricos da igreja e imagem de Nossa Senhora de Nazareth de Saquarema.

Capa do livro Santuário Mariano, publicado no Século XVIII, em Portugal

Capa do livro Santuário Mariano, publicado no Século XVIII, em Portugal

Impressos numa oficina em Lisboa, os 7 primeiros volumes da série descrevem as igrejas e imagens de Portugal. O 8º volume é sobre as igrejas e imagens da África e Ásia. O 9º volume descreve 194 igrejas e imagens no Norte e Nordeste do Brasil (Bahia, Pernambuco, Maranhão e Pará). E o 10º volume é dedicado às 146 igrejas e imagens encontrados no Sul e Sudeste do Brasil, sendo 83 na então Capitania do Rio de Janeiro, 40 em São Paulo, 13 em Minas Gerais, 5 no Espírito Santo, 4 no Paraná e Santa Catarina e 1 na então Colônia do Sacramento (Rio Grande do Sul). Compunha ainda este último volume, as igrejas e imagens nas Ilhas do Oceano, mas esta parte não foi reeditada pela Secretaria Estadual de Cultura. A reedição, feita em 2007, limitou-se ao Rio de Janeiro. Com 336 páginas, é ricamente ilustrada, com textos em caracteres antigos, do tipo de Claude Garamond (1490-1561), e contém algumas iluminuras (ilustrações) provavelmente da publicação original.

Imagem original de Nossa Senhora de Nazareth, esculpida em madeira (reprodução)

Imagem original de Nossa Senhora de Nazareth, esculpida em madeira (reprodução)

Entre os sítios religiosos documentados na Capitania do Rio de Janeiro encontra-se a igreja e imagem de Nossa Senhora de Nazareth de Saquarema. No entanto, o autor do Santuário Mariano, Frei Agostinho de Santa Maria, nunca esteve aqui. As informações de campo, no Brasil, foram coletadas por Frei Miguel de São Francisco, membro da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Em 1711, as primeiras informações coletadas por Frei Miguel foram destruídas pelos franceses que invadiram o Rio de Janeiro. Mas o frei conseguiu refazer a pesquisa nos anos seguintes e enviá-la para Frei Agostinho, em Portugal.

Pintura à óleo de Antenor de Oliveira (acervo Casimiro Vignoli)

Pintura à óleo de Antenor de Oliveira (acervo Casimiro Vignoli)

Dos 83 santuários no Rio de Janeiro, 34 eram na capital; 1 em Nova Iguaçu; 5 em Duque de Caxias; 5 em Magé; 4 em Guapimirim; 1 em Cachoeiras de Macacu; 1 em Mangaratiba; 3 em Angra dos Reis; 1 em Paraty; 5 em Niterói; 6 em São Gonçalo; 6 em Itaboraí; 3 em Maricá; 1 em Saquarema; 1 em Araruama; 2 em Cabo Frio; 1 em Quissamã; e 3 em Campos. Além da descrição das igrejas e imagens, o Santuário Mariano descreve também aspectos da fauna, flora, referências geográficas e linguísticas, usos, costumes e rituais religiosos nativos de índios e negros. É verdadeira obra-prima.

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