As previsões de Dolores de Xangô

2013 será um ano regido por Ogum e Iemanjá. Para homenagear  os santos, Dolores preparou um mesa farta além de oferendas, uma cesta de frutos e flores brancas.

2013 será um ano regido por Ogum e Iemanjá. Para homenagear
os santos, Dolores preparou um mesa farta além de oferendas, uma cesta de frutos e flores brancas. (Foto: Edimilson Soares)

“O ano vai ser de Ogum e Iemanjá. Ano do lavrador; bom para quem mora no interior e faz plantação, porque vai chover! Saquarema vai melhorar muito. Os melhores anos são os anos de Ogum e de Xangô; Ogum porque é trabalhador e Xangô é da justiça”. Mãe Dolores de Xangô preparou uma mesa na praia do Boqueirão, dia 31 de dezembro, com oferendas para os santos na areia e para Iemanjá no mar. Cercada do carinho dos filhos de santo, parentes e amigos fez as suas orações até meia-noite, quando começaram os fogos de artifício.

“Iemanjá é a mãe de todos”, explica Dolores. “Iemanjá é água, muita água! Pode ter muita chuva em 2013. E a chuva vai regar a plantação. Vai ter comida; os bichos não vão morrer por falta d’água. Vai ser um ano bom, de fartura. Mas pode ter enchentes também”, avisa Dolores. “Vento, chuva e raio também vai ter. Será um ano bom para o trabalho, porque Ogum é trabalhador e guerreiro”, continua.

“Iemanjá vai dar uma força para todo mundo. Mas vai depender muito da gente ter coragem e chegar lá. A saúde também depende de Iemanjá. Saúde está ligada à água; sem água não somos nada! No sertão nordestino está tudo seco, os bichos morrendo, porque há falta de água. Se caísse água nesses lugares, não estavam assim. Quando eu vejo aquilo, fico com dor no coração. Podia um homem desses que tem poder fazer um poço para jorrar água para o povão. Aquele povo nordestino sofredor merece”, fala a mãe de santo que nasceu em Ihéus, na Bahia, e quando jovem foi morar em Recife.
Dolores morou também muitos anos no Rio, quando ficou doente, operou os rins e o médico lhe recomendou mudar do apartamento em Copacabana. A filha, Graça, morava em Saquarema, uma cidade que não conhecia. Na rodoviária, perguntou: moço, onde fica Saquarema? E veio. Quando chegou no Morro da Cruz, o cabelo ficou todo arrepiado…

“Achei estranho. Quando desci o Morro da Cruz, vi uma cidade linda”, conta Dolores. Sem conhecer quase ninguém, botou uma pensão chamada Baiana e tornou-se conhecida. Um dia, viu 3 homens batendo atabaques na cozinha. Não fez mais comida; fez barracão!

“Para abrir um Barracão é preciso ter muito caráter, personalidade e ser honesta. Não pode tomar dinheiro dos outros”, explica. Antes de vir para Saquarema, mãe Dolores já trabalhava com santo, em Curicica, no Rio. Mas aprendeu tudo na Bahia, de onde saiu casada aos 15 anos.

“Fui raspada muito nova, na minha terra, aos 14 anos, pela minha avó Quitéria. Casei e fui para o Recife. Mas a família do meu marido era muito religiosa e não aceitava a parte espiritual. Então, ele mandou eu escolher: os santos ou ele. Eu dei preferência aos santos. Eu amo a parte espiritual. Eu não quero que ninguém goste de mim. Basta os santos me gostarem que eu sou feliz”, admite Dolores.

“Os santos me deixam mais leve. Agradeço a Deus todos os dias por estar aqui. Saquarema cresceu muito. Quando eu cheguei, a gente andava de Saquarema a Bacaxá e era tudo buraco! O que o deputado Paulo Melo fez no município é um espetáculo: a Faetec e agora o Hospital de Bacaxá! Não entendo de política, mas acho que Saquarema sem Paulo Melo não é nada! Ele mudou a cara do município. E colocou uma dama para governar, que é Franciane”, encerra a mãe de santo mais badalada em Saquarema.

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