Cão tarado toma remédio contra tesão e outros casos de polícia

Plantão de Polícia - AG Marinho

Cão tarado toma remédio contra tesão

Na casa de Nereida tinha uma cachorrada fêmea de fazer inveja e um macho maníaco, psicopata e bissexual que papava todas elas. Desesperado praticava sexo 7 dias por semana e, para transtorno e desgraça da vizinhança, só furunfava à noite, aos gritos e uivos madrugada a dentro, berrando esganiçado, engatando e rebocando as parceiras pelos quatro cantos do quintal da casa estivessem elas no cio, ou não. Descendente de uma mistura de vira-lata com dog alemão, a fama do gigante Tororó, 58 quilos, é de cão tarado e assassino responsável de pelo menos duas mortes, de cachorrinhas mini poodle que faleceram durante um estupro e de um cachorrinho que foi morto a dentadas porque resolveu não dar pra ele.

Interpelada pela vizinhança para acabar com aquela putaria canina que não deixava ninguém dormir, Nereida partiu para grosseria e gritou para quem quisesse escutar que a maioria das mulheres do bairro faz parte de uma tropa de mal comidas que vive sexualmente faminta, portanto gostaria de ter um marido que nem Tororó, e completou afirmando que o cachorro estava à disposição “para satisfazer as incomodadas da perereca seca e insatisfeitas com os seus maridos brochas”. A turma do gargarejo não gostou da resposta e partiu pra porrada. Cinco estavam esmolambando Nereida no cacete quando os três filhos, o marido e seus dois irmãos resolveram entrar na briga. Foi ai que os esposos “brochas” e ofendidos se envolveram no fudúncio e o bairro pegou fogo durante a confusão que ficou conhecida como a Batalha do Tororó.

Ninguém sabe quem disparou os tiros que acabou com os 40 minutos de porradaria e terminou com 6 na emergência do hospital. Nereida vai ficar irreconhecível após cirurgia plástica para concertar os beiços, o nariz e o olho que ficou torto. O marido teve que amputar o dedão do pé esquerdo que ficou pendurado numa pelanca depois de tomar uma foiçada. Tororó está tomando, a cada duas horas, medicamentos para recolher tesão de cachorro tarado.

Papai Noel corno

Quando Zebento chegou em casa, após 20 horas fantasiado de Papai Noel de shopping numa temperatura de trinta e nove graus, encontrou Gegeca com a boca atochada de beijos, a perereca exaurida de cansaço e a bunda esquartejada de tanta sacanagem com o seu amante secreto. Estrunchado de calor se jogou pelado na cama e dormiu como um anjo barbudo, corno e conformado com um ventilador soprando no rabo. Dormiu 12 horas seguidas e acordou faminto. Cozinhou e comeu um ovo, filho único da geladeira que o amante deixou vazia. Procurou uma roupa limpa e encontrou uma trouxa de calças e camisas sebentas, fedidas e langanhosas.

Colado no espelho do banheiro um bilhete de adeus definitivo anunciava a partida. Gegeca escreveu: “Sou piranha e putanheira. Tô numa de ser socada por um macho tipo bate-estaca e tesudo, que me chama de devoradora de piru e de engolideira de espada. Me esquece, Papai Noel diaraque. Vai furunfar com uma rena babona da bunda congelada e cara de babaca”. Primeiro ele chorou, mas logo que a ficha caiu arquitetou vingança e planejou porradas. A delegacia estava entupida com parentes de Zebento. Quando o marido corno chegou, Gegeca – parecendo múmia estuprada – gemia com o corpo coberto de gazes e ataduras, depois de ter sido lanhada com uma gilete que Zé prendeu num pedaço de cabo de vassoura para fazer vingança.

Presente também estava Chico Grêlo, o amante secreto e pivô da desavença, conhecido pegador estacudo e devorador de pererecas, que foi despentelhado na porrada pelos parentes do corneado e apresentou queixa contra os agressores, mas está sendo chamado de safado, cara de pau e sendo acusado de invasão de domicílio com o objetivo de comer a mulher dos outros.

A picadura de Zico Jiboia

O marido de Gezebel, pinguço, pirado e cachaceiro, era fissurado numa moqueca de jibóia com pirão de farinha de mandioca. Num galinheiro nos fundos do quintal engordava com ratos de esgoto cinco cobras suculentas e preguiçosas, porém putas da vida e inconformadas com o cativeiro. Para a festa de aniversário convidou amigos de copo para rangar a bicharada frita em postas, em toletes cozidos e grelhadas na churrasqueira. A festa na cozinha começou na véspera. A cachaçada e fofoca da vida alheia também.  No quintal, perto do galinheiro era só fartura de trouxinhas e a turma do baseado não parava de enrolar a erva. O fumacê ia pra cabeça e as baforadas de volta eram sopradas nas caras das cobras que chiavam com os dentes arreganhados e babando uma gosma azeda.

Na hora do pega pra cozinhar, os bichos, além de bestiais e muito doidos, encararam os cinco maconhados voluntários para a caçada e distribuíram mordidas pelos braços, pernas e caras. Uma delas que parecia ser jibóia, mas era uma jaracuçu venenosa, fez a festa e comeu o aniversariante e mais dois comparsas na dentada. A mulherada fofoqueira disparou na gritaria e capricharam nos desmaios. Os cachaceiros despejavam birita nos buracos das mordidas, mas os que foram envenenados começaram a inchar e a estrebuchar vomitando. Na sequência ficaram roxos, suando sangue e exalando peidos tenebrosos.

O resgate chegou junto com a polícia e levou as vítimas das picaduras para o hospital. Zico e Gezebel vão responder processo crime por manter animais silvestres em cativeiro e por ter sob sua guarda significativa quantidade de substância alucinógena.

Despelancou o bilau  do marido

Antes do relógio badalar 4 da manhã, Geralda já estava esculhambando o marido que continuava roncando a sono solto.  Na noite anterior tinham feito sexo gostoso. Não estava na menopausa e nem de TPM. Estava com grana de sobra para as despesas.  A despensa e a geladeira estavam cheias; o cartão e outras contas pagas. Às 8 da manhã Julio continuava calado e a mulher descabelada e louca desvairada falando coisas sem nexo o acusando de ter amantes, de ser prostituto, safado, cafetão e de ter comido 3 das suas amigas, além de professoras dos filhos do casal.

Quando Júlio resolveu perguntar a razão das acusações, disse que tudo estava na internet, embaixo de seu retrato, nu, com os pentelhos descoloridos e com o bilau fantasiado de Papai Noel, com pompons, óculos e toquinha vermelha, com dizeres informando que era o seu presente para as suas incontáveis namoradas. Sem mais conversas despejou um balde de água fervendo em cima do marido, que tinha o hábito de dormir peladão. Foi um estrago sem tamanho, especialmente no saco do Papai Noel que, sem proteção da toquinha, ficou escaldado, despentelhado e com o cabeção da chapoca em carne viva. Com 40% do corpo queimado foi levado em desespero para o hospital. A queimadura virou caso de polícia e as investigações provaram que existe certa semelhança, mas o homem da foto não é Júlio e sim um ator de filmes pornôs, que nem é brasileiro.

Intimada para depor sobre o caso, disse que costuma navegar na internet e passa horas admirando fotos de garotões pelados e homens peludos, membros do Clube dos Ursos, nus e em poses eróticas; que viaja diante da tela do seu notebook, tomada por conhecidos artistas, atletas, halterofilistas e famosos jogadores de futebol, todos nuzinhos nos chuveiros dos vestiários ou nas banheiras de hidromassagem, situação que a deixa com tesão vulcânico, completamente desgovernada por colapso de pudor. Que esbaforida fica cega e é tomada por uma Pomba Gira que se manifesta em forma de aflição e coceira nas partes íntimas, ocasião em que se desarvora, perde o sentido da realidade e se envereda destrambelhada pelos labirintos da sacanagem. Finalizou o depoimento dizendo que hoje reconhece ter sido possuída e posta em transe por uma visão virtual de um exuberante pênis natalino que pensou ou desejou ser o deu seu marido. Que se arrepende profundamente por ser responsável pelas dores e mágoas de Júlio, cujo bilau cozido jaz despelancado e em coma irreversível no hospital dos queimados.

Chá de “tranca rabo” para apertar a ruela

A conta era conjunta e as brigas e desavenças também. O arranca cueca começava dentro de casa e acabava na rua. Um dia era só pra porradas e baixarias, o outro pra barraco e ameaça de morte. E lá iam os dois nessa vida de cão e gato, se aturando aos trancos e barrancos até que Jamelão disse – chega! – arrumou as tralhas, juntou os trapos, pegou a trouxa e pirulitou estrada a fora. O cachorro foi junto. Escutando os palavrões e as pragas proferidas por Zabá acelerou o carro, até onde ninguém sabe, e sumiu estrada afora. Durante dois meses ela esperou que o marido voltasse, mas quando a comida acabou e o desespero bateu, saiu catando o esposo. Em outro município, numa casa bonita e tranquila, encontrou Marcelo, sendo lambido, afagado e amasiado envolvido nos braços cabeludos e amorosos do barbudo Denóbio, conhecido como Gereba, que sempre foi chegado num sexo com parceiros do mesmo time do qual sempre foi o artilheiro porque gostava de entrar com bola e tudo.

Ciente da situação tentou armar não só um barraco, mas também uma favela inteira. Na delegacia Zabá disse que sabia que o marido era uma ex-bicha recuperada, restaurada, modificada e salva da tentação da obra de satanás, que atiça o fogo do inferno no fiofó dos desamparados e provoca a recaída dos desprotegidos. Que durante o descarrego do encosto da viadagem, ficou 13 dias de molho numa barrica mergulhado no chá da erva “tranca rabo”, com raspa de cipó “seca ruela”, e que passou 13 anos sem fogo na olhota e comichão na trazeiro, ficando curado de uma doença conhecida como: “pregas em delírio”. Culpou Gereba pela recaída e chamou o macho do marido de bruxo feiticeiro. Durante o bate-boca Marcelo se manteve quieto, mas quando foi chamado de maricona e de viado paneleiro tampou uma frigideirada de fundo triplo na cara de Zabá que até hoje estão procurando os dentes e os pedaços dos beiços arrancados com a porrada. O caso tá rolando na polícia.

Furada e estuprada

Aconselhada a tomar vacina contra gripe Filó, 72 anos, disse que aquilo é coisa feita pra matar os velhos e que incluíssem o nome dela fora da lista dos candidatos. Afirmou que se fosse forçada ia dar queixa na polícia, porque não queria saber de ser furada, introduzida e nem arrombada com uma agulha grossa de ferro. Os parentes furiosos, porque Filomena vivia tossindo, entupida de catarro e escarrando pelos cantos da casa com o nariz escorrendo, conseguiram uma vacina antigripal. Convencida de que se tratava de um remédio para alisar as pregas da cara e secar as varizes das pernas, enfiaram a agulha na velha que supostamente, em três dias, estaria com pele de bunda de anjo e pernas de mocinha de programa. Dias depois, desconfiada e cada vez mais enrugada resolveu pedir explicações. Durante a briga e o bate-boca revelaram a farsa. Furiosa deu queixa na polícia e tentou, sem resultado, incriminar a família por tentativa de envenenamento.

Durante 15 dias Filó arquitetou um plano de vingança. Os detalhes sórdidos foram armados com minúcias. No dia da denúncia chegou chorando na delegacia e disse ter sido sequestrada, violada, estuprada e obrigada a fazer sexo grupal no mato. Que estava com a bunda comida pelas muriçocas do matagal onde passou noites amarrada com o rabo de fora virado pra lua. Disse que o mais jovem lhe fuçava as maminhas, dava baforadas de maconha e chamava de “vovó delícia”. O outro, o loirinho, examinava o interior das suas partes íntimas e detalhava o que estava vendo. Os dois gêmeos, grandalhões e parrudos, me devoraram a periquita, sanfonaram, dedilharam o outro orifício e defloraram a minha virgindade por tantos anos preservada. Fui beijada na boca. Tive a língua chupada e quase arrancada por sucção tesuda.

Até no meu ouvido enfiaram o que não deviam e, em seguida, apontou os quatro sobrinhos como autores do crime. A polícia esta investigando. Os vizinhos afirmam que foi tudo inventado, mas Filomena continua afirmando que a história é verdadeira.

Compartilhe!
Palavras-chave:

Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.