Obrigado a comer cocô e outros casos de polícia

Plantão de Polícia - AG Marinho

Obrigado a comer cocô

Encagaçado após ameaça de morte por dívidas assumidas com traficantes, Nanduca, que é conhecido por ser dono de extensa ficha suja, procurou a casa de parentes para se esconder dos criminosos e resguardar a família aterrorizada. O pavor que passou a dominar a mulher do ameaçado era tanto que a coitada foi acometida de uma diarreia crônica, razão pela qual vivia se borrando toda. Até água filtrada virava dor de barriga com resultados explosivos e correria ao banheiro.

Farejado e caçado, tanto mudou de esconderijo que foi parar na casa de Joaquim, que por não ter privada e nem chuveiro fazia as necessidades no mato e se banhava no tacho de torrar farinha. Gracinda se mantinha com o intestino destemperado e já não havia moita no sítio que não estivesse entulhada de cocô.

Quando de manhã bem cedinho a bandidagem armada invadiu a casa distribuindo ameaças de tiros e dolorentas torturas, a mulher tentou correr, mas com um único e poderoso jato expeliu a panelada de galinha gorda de quintal com pirão de quiabo, bertalha e folha de caruru roxo que foram comidos no jantar na noite anterior. O caldo escorreu pelas pernas e alagou o chão apodrecendo o ambiente. Alguém deu um tiro pro alto e um novo jato, mais forte ainda inundou a sala. Irado com a situação um dos bandidos amordaçou e trancou a destemperada na cozinha. Nanduca foi amarrado, espancado e obrigado a comer o cocô espalhado no chão da sala. Empanturrado foi levado para o quintal onde tomou um tiro em cada joelho. Joaquim, que estava escondido no mato, depois que os bandidos foram embora usou um celular para chamar a polícia. A vítima continua internada e se negou a dedurar os criminosos.

Tomou na tarraqueta

Quituteira, Zizinha fazia salgadinhos saborizados com ervas secretas e temperos exóticos tirados ninguém sabe de onde. Depois de anos de estafante trabalho sem qualquer ajuda, os petiscos começaram a ficar conhecidos e disputados. Logo que começou o sucesso financeiro com as vendas o marido largou o emprego e durante anos passou dias e noites na esbórnia e no fandango ou deitado arreganhado se balançando na rede da varanda para ventilar as virilhas. Para ajudar nas tarefas da microempresa chegaram a ser contratadas 6 funcionárias jovens e roliças, que logo despertaram um furioso tesão no conquistador marido safado. Esperançoso passou a frequentar a rede, sem cueca, com uma bermuda das pernas bem largas para exibir em todas as suas plenitudes os balangandans e o suntuoso penduricalho, que sempre deixava aparente durante as investidas e cantadas diárias. Denunciado pelas funcionárias, Zizinha, cansada de bancar a cafetina do esposo, com o apoio dos dois filhos, expulsou o boa-vida de casa e prometeu contratar um macho parrudo para dar uma boa sessão de porradas no marido vagabundo. Nem foi preciso contratar. O namorado de uma das funcionárias ficou sabendo da história e moeu Nando no cacete.

Na delegacia, durante o depoimento, a “vítima” denunciou o agressor como sendo um matador de aluguel contratado pela sua esposa, que teria feito isso por se negar a dividir com ele o dinheiro da microempresa que os dois construíram a duras penas, com muito suor e estafante trabalho. Vizinhos e outras testemunhas disseram que Nando, mesmo quando estava empregado, raramente aparecia no serviço, porque era assíduo frequentador de rodas de pinguços e de redevus de baixo meretrício, onde gastava o dinheiro que sob ameaças tirava da esposa. Duas funcionárias o acusaram de tentativa de estupro e as outras quatro de assédio sexual e ofensas morais por ter se sentido frustrado nas suas intenções. Mesmo todo lascado de porradas ele ficou preso e o habeas corpus pedido pelo seu advogado foi negado. O namorado responsável pela surra é acadêmico de medicina e filho de um bem sucedido empresário. Em suma, Nando tomou na tarraqueta.

Piranhas escaldadas

Por saber das escapadelas do mulherengo com as mocinhas de rua, toda noite a amante oficial de Nemezio obrigava o “marido” a furunfar com ela. Exaurido de sexo, porque além da mais ou menos oficial tinha que satisfazer mais duas jovens e fogosas senhoras, o único jeito para manter 3 cumbucas cheias com a mesma mangueira era ser um grande consumidor da azulzinha, milagrosa enrijecedora de musculatura cansada. Tanto tomou e abusou que o coração pifou numa suíte de motel, bem em cima da amante n° 2, que por ser miúda e franzina ficou entalada debaixo do roxo e gelado parrudão defunto. Arreganhada e com o pesado cadáver entre as pernas, sem chance de fuga quase morreu sufocada, mas conseguiu alcançar o telefone e pedir socorro ao porteiro.

Durante o enterro, enquanto a parentada se derretia no choro e no lamento, a quase oficial cercada de amigas íntimas xingava o defunto pela traição e pela exótica cena do encontro, alegando ser imperdoável o fato de não estar usando camisinha. Durante a descida do corpo à catacumba, se conteve diante dos faniquitos das outras duas que choravam alto e ensaiaram desmaios ao pé do túmulo, mas na tarde do mesmo dia, entre palavrões, baixarias e ameaças de reivindicação de direitos sobre pensão e herança, as 3 desafetos se engataram na porrada e, cada uma por si, se morderam e se rasgaram. Uma chegou à delegacia cega de um olho. As outras duas: uma com a orelha esquerda arrancada a dentadas e a outra com parte da maminha dilacerada a unhadas. Como ninguém era casada com ninguém e um advogado apresentou o testamento do morto deixando tudo para parentes, as 3 mosqueteiras se juntaram, prometeram processar o defunto e pedir anulação do testamento. Os beneficiados citados no documento já prometeram: “também vamos nos juntar e escaldar as 3 piranhas na porrada”.

A perereca papuda

Ninguém sabia a razão pela qual Juninha era conhecida como Beiçuda. Por ter o seu nome sempre metido em disse-me-disse e confusões entre as faladeiras do bairro, tomou o maior esporro do marido e foi deixada por mais de 3 meses na maior secura sexual. Inconformada pulou a cerca. Fissurada pegou o macho da vizinha e se despencou para o motel, onde seca de tesão desfigurou a chapeleta do tirador de atraso. Foi mais de meio dia de sacanagens e safadezas antes de voltar para casa valsando um sorriso de satisfação e vingança.

Robervaldo, bonitão sarado acostumado a guardar os ovos e o pepino na cesta da mulher dos outros, por ser também gabola e língua solta contou pra todo mundo a sua aventura no motel. Assediado e sabatinado pelos amigos que queriam saber cada vez mais, disse que o apelido de Beiçuda só poderia ser proveniente dos enormes lábios da vuvusela de Juninha que, de tão grandes, pareciam uma melancia lascada no meio. Para completar, afirmou que além de gordos e papudos no final da transa apresentavam gosto e cheiro de buchada azeda. Os comentários se espalharam pelo bairro. O marido da pererecuda arrumou as trouxas e bateu perna mundo afora. Furiosa, Juninha Beiçuda passou a mão numa faca e, na primeira oportunidade, enfiou e roletou na barriga de Robervaldo, que deu entrada no centro cirúrgico do hospital com o cabo de fora e as tripas enroladas na lâmina. A criminosa fugiu e ninguém sabe pra onde, carregando a beiçuda perereca que ficou famosa.

Pirado merendou

Olegário desde criança era vagabundo; navegava à deriva pela vida catando um dinheirinho aqui e outro acolá. E lá ia ele passando os dias na preguiça e no sossego. Se aparecia alguém, comia. Se ficava no atraso, saia na mão e, satisfeito, tocava o bonde pra frente. Um dia, na estrada deserta apareceu Carmela, que por ter 3 maminhas e os cabelos alvoroçados jamais namorou e nunca tinha visto bilau ao vivo. Virgem, feia, curiosa e escalafobética ofereceu R$12,20 ao preguiçoso para ver e segurar o salsichão que, sensível ao toque, engrossou dobrando de volume. Assustada e tonta arregalou os olhos e com vigor espremeu o monstro cabeçudo. Quanto mais espremia mais a coisa crescia. Fissurado, colocou um beijo na boca da baranga. Ficou pelado e num só empurrão merendou a perereca enfurecida. Ela doidona manifestou a capivara, incorporou a vamperua e arreganhou ainda mais a gruta de Ali Baba, mas quando arrancou a blusa e mostrou as 3 maminhas, Olegário brochou e, aos gritos, saiu correndo nu, pela estrada afora. Internado em estado de choque continua afirmando ter sido atentado pelo demônio. Paranóico, durante as constantes crises tenta arrancar os beiços com as unhas afirmando ter linguado a goela do satanás. Disse que tudo que come tem gosto de furingo de gato preto e que está amaldiçoado para toda a eternidade.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.