O pauzinho de Bebeto e outros casos de polícia

Plantão de Polícia - AG Marinho

O pauzinho de Bebeto

Depois de uma semana e meia caminhonando pelas estradas do país, Bebeto chegou em casa doido para enjaular o bilau, mas encontrou a perereca despreparada para ser devorada após uma noite de orgia conjugal. Rejeitado excomungou a periquita sangrativa que, adoentada, parecia um manequim de funerária. Insatisfeito procurou uma aventura e enquanto caminhava deu uma de cachorro vadio e mijou no poste para marcar o território. Na casa de Xica da Guarita, uma foguenta e conhecida transiranha, propôs uma safadeza romântica. Safada e dadivosa ela se entregou, deixando o amante louco quando sussurrou no seu ouvido: “Me possua com o seu meteoro destruidor e me coloque em extinção, meu dinossauro do apocalipse”. A confusão começou quando Bebeto tirou a roupa, porque para dar um amasso na fogosa, ele só tinha aquele sarado abdômen de tanquinho, o resto era uma merreca de torneirinha quase sumida no meio da vasta pentelheira.

Admirada, Xica teve um acesso de engasgo de tanto rir, enquanto Bebeto, sem sucesso, massageava e amaldiçoava o anãozinho, motivo de vergonha e responsável pelos chifres que lhe enfeitavam a cabeça. Revoltado, enfiou a cabeça da risonha parceira no vaso da privada, deu descarga e prosseguiu com um montão de porradas. Foi todo mundo parar na delegacia onde a vítima detalhou os pormenores e disse que tirou uma foto do bilau do agressor prometendo colar um montão de cópias nos postes da cidade.

Facada no fiofó

Ao comparar a esposa com uma múmia peruana, enfaixada, desgastada e sifilítica, além de ossuda e agreste, dona de uma perereca semelhante à caricatura de um porco espinho, Juvenal abriu a janela e celebrou uma bronha efervescente em homenagem a uma vaca que mijava no terreiro do sítio e, sem ter desativado os espermatozóides ainda sufocados na mão, Vanda se apresentou macambúzia e afirmou ter assistido a cena em todos os seus sórdidos detalhes, razão pela qual resolveu desembuchar as tripas do marido com a faca de capar culhão de porco. Foram três facadas, uma na rodela do umbigo, uma na bexiga e outra cujo furo não foi encontrado. Socorrido no hospital foi operado e remendado. Detida, Vanda afirmou que o marido praticava patifaria com os animais do sítio e sempre desconfiou dos hábitos do esposo, que só a possuía no estábulo e a chamava de vaca, cabrita e de porca leitoa durante o ato. Disse que a vaca mimosa estava tão acostumada com as sacanagens que, quando via Juvenal, levantava o rabo e saia doida berrando e se peidando pelo pasto afora. Até as galinhas eram arrombadas pelo marido, razão pela qual botavam ovos enormes, roxos, duros e ensanguentados. Confirmou ter acertado as três facadas e concluiu: “se o IML não encontrou o buraco da terceira é porque a faca deve ter entrado direto no fiofó daquele desgraçado”.

Fuk-Fuk no congado

Na festa junina no Congado de Chico Rei, Maroca caiu na macega pra dar uma roletada na massangonga de Legário, puxador das modinhas e das danças de quadrilha de terreiro. Fantasiada de Sinhazinha da Senzala rachou os cabelos no meio, amarrou duas marias-chiquinhas com laços e cheia de formosura na saia de chita estampada rodopiava fazendo gironda, comendo pastel de angu e se insinuando pros machos, antes de ser rebocada. Durante a cena de amor na capoeira de cipó, chamou Maroca de manacá da serra e cantarolou uma cantiga de sedução entrelaçada de piados de araponga da caatinga. Meio envergonhada revelou que nunca tinha saboreado uma muriçoca cabeçuda no meio do mato, mas estava disposta a levar uma sanfonada na zabumba e se derreter no fandango da sacanagem. Excitado, Legário estava examinando a rosca pra ver se estava frouxa quando um zum-zum-zum vindo do terreiro da festa empesteou o Congado. Maroca já estava sendo possuída quando ouviu a voz do marido, os estampidos dos tiros e as balas da pistola atravessando o teatro de putaria na cena dos dois amantes. Legário tomou um balaço na bunda, bem perto do rego e, com o rabo de fora passou disparado escorrendo sangue no meio da festa. Maroca, toda rasgada e desgrenhada, foi preenchida de porradas e hospitalizada com traumatismo craniano. O marido pistoleiro está preso por agressão e tentativa de homicídio.

A confissão de bunda de galinha

Filha de pais separados, Cicinha infernizava a vida da mãe, dando teco nos baseados, bebendo e cafungando pó o dia inteiro. Funkeira, frequentava os bailes sem calcinha e usava saias tão micro que, para dar um tchan na pegada e um upgrade na performance passava batom nos beiços da perseguida. Alienada, quando soube que era HIV positivo disse ser impossível, porque só tinha dado o negativo e que o positivo protegeu com lavagens e camisinha.  Esclarecida sobre a situação afirmou que, como tem a bunda grande, de agora em diante ia passar a se apresentar como “mulher abóbora contaminada”. Dura de grana aceitou oferta do traficante para transportar 400 gramas de pó, mas tentada e atentada abriu a muamba e tirou um tantão antes de entregar o pacote ao destinatário. Descoberta, foi condenada a ser estuprada com um cano de esgoto e forçada a cheirar 100 gramas de pó de mármore puro.  Foi internada com ferimentos, vias aéreas obstruídas e pulmões paralisados. Está quase morta no hospital, mas quando consegue falar, gargareja meio rouca sobre sua vida miserável e que sua desavença com o destino começou quando ainda jovem recebeu o apelido de “bunda de galinha”, daí pra frente viveu na fronteira entre crime e castigo. Foi desvirginada de forma subversiva e transgressora e que a mulher que lhe deu abrigo num dia, no outro lhe deu um banho de perereca cabeluda e virou seu macho. Roubou, furtou e já cumpriu cadeia. Um cafetão contratou um advogado e foi solta, mas teve que pagar a dívida ralando pomba com marinheiros na Praça Mauá.  Culpou pela agressão os traficantes Pendura e Manivela, que já estão presos. Concluiu dizendo que outros detentos já fizeram justiça ao seu sofrimento, porque os dois acusados tão logo chegaram à cadeia foram comidos e viraram fêmeas dos outros presos.

Pensão de piranha

Ao afirmar que prefere ser corno a pagar pensão, Delzinho disse em depoimento que é marido de mulher piranha com escritura definitiva e registro de safada, que grafitou a bunda com tatuagens eróticas de todos os pênis que colecionou pela vida afora e, como não foram poucos, cobriu as nádegas, a lateral da bunda e boa parte das costas com um infinito festival de cassetes em todos os seus estágios, desde adormecidos e acabrunhados até pintados para guerra, inchados e prontos para o derradeiro ataque. Os de asas, afirmou, voam na direção dos orifícios naturais de entrada. Os bojudos forçam a penetração porrando o cabeção na porta. Os mais longos se entrelaçam ansiosos aguardando a oportunidade para atravessar o túnel, os mais velhos e meio enrugados esperam a vez na fila dos idosos e os de menor porte entram aos montes buraco adentro. Até o bilau do tatuador, em atitude desafiadora e colorida, está tatuado na vala do rego com a assinatura do artista. Ao apresentar queixa contra a esposa, disse que vem sendo sacaneado em todos os sentidos e que quando raramente se relaciona com ela, apesar de ter excomungado a perereca, não sabe se está tendo um orgasmo ou um AVC, e ainda tem que pagar pelo ato como qualquer freguês de redevu. “Se peço divórcio ou se abandono o lar perco a casa e ainda terei que dar parte do meu salário para manter as safadezas da piranhuda, assim sendo, que me pesem os chifres porque sou mais feliz sendo corno do que marido cafetão”.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.