Fantasma da bunda cabeluda e outros casos de polícia

Plantão de Polícia - AG Marinho

Fantasma da bunda cabeluda

Sonhando com os bons momentos passados com o marido recém-falecido, Zilca assistia ao filme Ghost, no qual a alma do grande amor retornava para namorar a amada esposa, deixada nesta terra de garanhões tarados por viúvas jovens. Recordou os pedidos sórdidos feitos durante as noites de amor e sexo. Arrependida, se maldizia por não ter queimado a rosca para satisfazer o marido, que morreu seco por não ter conseguido furar o poço. Fez promessa a São Longuinho para que, mesmo como fantasma, seu amor retornasse pelo menos por uma noite. Foi no terreiro e fez despacho pra subornar o porteiro da mansão dos mortos para que o marido saísse disfarçado e sorrateiro. Fez a simpatia das sete paçocas (esfregou o doce na perereca e jogou no rio) para o marido voltar em forma de boto, se transformar em gente e atacar a perseguida. Zilca acabou no hospital toda rasgada, com abundante sangramento anal, após ter sido devorada por um desconhecido, de rosto indefinido e com cheiro de azedo, que numa madrugada de chuvas, ventos e relâmpagos, sem fazer barulho invadiu a casa e nhanhou com ela a noite toda. Silencioso partiu antes do raiar do sol e desapareceu nas sombras. A vítima negou-se terminantemente a prestar queixa por ter certeza que foi comida pelo fantasma do seu marido, tendo reconhecido a bunda tão cabeluda quanto a do seu amado falecido. Ninguém entendeu que assombração é essa que, além de arrombar o poço, ainda furta os brincos, o anel e o relógio de ouro da vítima.

Nheco-nheco na praça

Ao liberar a virgindade, explodiu-se nas noitadas do bordel entre o sexo e a orgia. Para delírio do povo, provocou uma tempestade ao desfraldar a bunda numa seção de sexo aborígene na caverna do pedregulho, no costão da praia. Fumou um montão de crack e, mergulhada na doideira, fez um nheco-nheco em praça pública, tendo como parceiro uma figura suja, cabeluda, desvairada e diluída em drogas. Quando terminou, resolveu, sem qualquer cerimônia, mijar no meio da praça, para umedecer a perereca seca, cansada e desfrutada, enquanto a galera em total delírio sucumbia a mijona em efusivos aplausos. Quando a polícia chegou nem se deu ao trabalho de cobrir a natureza despida e recém-utilizada. Rapidamente passou da euforia ao desespero ao receber as algemas com cabeludos palavrões. Na delegacia disse que quem estava ali era a atriz encenando o show da vida e que ela, pessoa física, estava ausente da cena e do cenário. Afirmou ter dois grandes e inseparáveis amantes: a maconha e o crack, “enquanto um me alucina o outro me devora, e nesse entremeio alguém me come de verdade. Por isso, me castiguem infinitamente até que outro parceiro seja a próxima vítima da minha perseguida desvairada”, concluiu com poses e gestos de atriz dramática.

As pelancas do tarado

Quando o marido chegou em casa, recebeu a notícia de que Cirene estava internada por conta de uma forte crise renal e que tinha sido levada para o hospital por um senhor caridoso, que passou de carro e socorreu a paciente em agonia. Como não tinha maiores detalhes do fato, saiu catando a esposa em tudo quanto foi posto de saúde, já que no hospital não estava. Já não sabia mais o que fazer quando o celular tocou e uma voz meio rouca perguntou se quem estava falando era “o corno que estava catando uma mulher que havia sido desdedada e se encontrava com a mão decepada na porta automática do motel”, dando o endereço do local. Na porta do motel, além de bombeiros tinha ambulância, o povo das proximidades, cinegrafistas amadores, briga de cachorro, carro da polícia com giroscópio ligado, até vendedores de cuscuz e sacolé. Visivelmente de porre, Cirene, que teve a mão amputada, disse durante o depoimento que foi sequestrada, forçada a entrar no motel, embebedada e que passou horas sendo estuprada assistindo filmes de putaria. Diante de um revólver, dançou pelada funks de sacanagem e ao revelar detalhes sórdidos das partes íntimas do “meliante”, disse que era praticamente capado, restando apenas pelancas. Ao tentar fugir, ficou presa na porta da garagem, mas que conhece muito bem o agressor, porém não quis revelar o nome.

Macumba pra endurecer maromba

No trabalho, Andrezzia, metida a durona tirava onda com os funcionários da firma. Curtia pose de granfina, menosprezava a galera e se achava a gostosa toda poderosa. Se sentindo dona do pedaço, intimou o ajudante de mecânico, bonitão mais desejado da empresa, ao comparecimento para um rango particular na sua casa. Se empetecou toda, raspou a periquita, preparou a camisola de fazer sexo, botou CD de nheco-nheco, mas ele não apareceu. No dia seguinte, foi sumariamente demitido, o que fez o bonitão inconformado a botar a boca no trombone e rasgar as intimidades da chefona pra galera. Contou que não foi ao encontro porque, na primeira vez, Andrezzia chegou ao motel desvairada, possuída por entidade das trevas e carregando um monte de galhos de arruda, pendurou sete pembas coloridas no pescoço, rezou o bilau dele com as folhas da erva, jogou um pó vermelho e repetiu palavras de ladainha de salvar pomba de mau olhado e doenças venéreas. Banhou a lasca com água benta, cantou ponto pra endurecer a maromba e caiu de cara na sacanagem. Durante a transa, fez bruxaria com oferendas na chama das sete velas acesas em volta da cama. Gozou gritando eparrê e aleluia. A encrenca foi parar na delegacia e o ex-marido da chefona testemunhou a favor do rapaz, dizendo que até hoje sofre com as bruxarias feita pela ex-esposa, que pra chegar a ser chefona fez acordo com o capeta. Desconjurou a mulher e concluiu o depoimento.

Pinguelão na cachoeira

A sogra de Giliberto viu o genro pelado na cachoeira da fazenda e arrepiou-se com a visão ensaboada do bilau troncudo. Com a carapinha ouriçada disparou pra casa e preparou um banquete de fazer inveja. Diante do rango e das gentilezas ao genro, a família ficou desconfiada. No dia seguinte, quando Genésia viu Giliberto preparando o cavalo, pulou na garupa do animal e no primeiro solavanco deu uma patolada na chapeleta do genro. Destemperada, assumiu ter visto o pinguelão na cachoeira e que o tesão era tanto que queria ser arrolhada no regato. Porém, Genésia voltou para casa a pé e bufando de ódio, foi logo dando porrada em Santo Antônio, envassourando o cachorro e o gato, e ainda sapecou uma chaleira de água fervendo nos cornos do papagaio que não parava de gritar: “Nesinha ta pussuída”. Juntou às sobras do fino jantar as malas do genro e jogou tudo dentro do chiqueiro. Endoidecida, arreganhou as pernas, ligou um ventilador debaixo da saia e começou a gritar que estava toda ardida e esgarçada após ter sido estuprada pelo marido da filha. Ninguém acreditou na história da arrombada na cachoeira, que costuma incorporar uma entidade conhecida como “Seu Destronca Cassete” e acusa os empregados da fazenda de tentativa de estupro. Recentemente foi flagrada mordendo o pinto de um jumento e é acusada de ter cortado os ovos de um bode e sair dançando com o saco do bicho pendurado no pescoço. No hospital deram uma injeção pra abaixar o fogo e enquanto o medicamento não fazia o efeito desejado, tentou agarrar o médico, torceu e quase destroncou o bilau do enfermeiro e continuou abanando a perereca com um pedaço de papelão.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.