Rio+20 vai reunir governantes e a Cúpula dos Povos os cidadãos

Editorial - Dulce Tupy

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que vai ocorrer no Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 22 de junho, vai reunir mais de 100 chefes de Estado. Vários países já solicitaram hospedagem para suas delegações, um indicativo da importância que a Rio + 20 tem para o mundo contemporâneo. A mobilização em torno da conferência oficial, que será no Riocentro, é tão grande que já provoca tensão na rede hoteleira, provavelmente incapaz de atender à demanda. É possível que o Rio de Janeiro não tenha capacidade para receber todos os participantes, porque além da conferência oficial ocorrerão eventos paralelos, como a Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, que vai reunir ONGs e representantes da sociedade civil.

Há 20 anos, em junho de 1992, realizou-se a Rio-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Passados 20 anos, desde o chamado encontro da Cúpula da Terra (a Eco-92, ou Rio-92 como é mais conhecida aquela conferência), os governos não cumpriram tudo o que ficou resolvido. Mas um dos pontos positivos foi a ampla divulgação dos assuntos ambientais, que deixaram de ser debatidos só por especialistas e passaram a ser assunto da sociedade em geral, gerando mobilização popular para a proteção ao meio ambiente. Em 2002, foram revistas as metas da Rio-92, durante o encontro da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizado na África do Sul.

Apesar dos documentos, acordos e normas assinados nesses eventos não terem implantação imediata, pois há um jogo de forças e interesses entre os países e governos envolvidos, tais reuniões possuem uma importância vital, no sentido de colocar as questões ambientais na pauta do dia, através dos meios de comunicação. Segundo a ONU, os encontros também constituem uma ótima oportunidade para redirecionar os caminhos da humanidade no planeta. É um momento de renovar os compromissos políticos, avaliar as lacunas deixadas e abordar novas tarefas, por meio de medidas que “reduzam a pobreza, promovam empregos decentes, energia limpa e uso mais justo e sustentável dos recursos naturais”, diz o documento da ONU. O desafio é grande, pois a própria ONU reconhece que 1 bilhão e meio de pessoas não tem acesso à energia elétrica; 2,5 bilhões vivem sem saneamento básico; 1 bilhão passam fome diariamente; e mais de 1/3 das espécies serão extintas, se as alterações climáticas continuarem.

A Rio+20 terá 2 temas principais. A governança, ou seja, as formas de gerenciar o desenvolvimento sustentável; e a economia verde, que pela definição da ONU é aquela que reduz os riscos ambientais, usa poucos recursos naturais, ao mesmo tempo melhora o bem-estar das pessoas e diminui as desigualdades. Paralelamente à conferência oficial, haverá a Cúpula dos Povos, de 13 a 22 de junho, no Aterro do Flamengo, voltada para a sociedade civil. É tão importante quanto o próprio evento principal. Ali será debatida a grave situação de impacto ambiental, promovida pelo capitalismo industrial e estarão em cheque os valores do modelo atual de desenvolvimento, em contraposição à lógica da natureza, tendo como pano de fundo a finitude dos recursos naturais. O padrão de consumo nos países desenvolvidos será questionado e será apresentada a defesa do desenvolvimento sustentável como arma eficaz no combate à pobreza. Os governos não participarão desse diálogo.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.