Sapecou a perereca no fogão de lenha e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Sapecou a perereca no fogão de lenha

Doceira famosa, Tina mexia um taxo de goiabada no fogão de lenha ouvindo um funk da pesada na maior altura. A cada mexida com a colher de pau eram quatro bamboleadas de bunda no batidão pauleira da dança futucada. No soca-pau dos remelexos dava pulos e engatadas no tranco do vai-e-vem. Envolvida com a dança e com o ponto do doce, nem se tocou com a brigalhada entre o filho e a nora que já estavam em ponto de porradaria na cozinha. No meio da confusão Jonas disse que a mulher era conhecida como “farofa de churrasco”, porque todo mundo gosta de pegar pra esfregar a linguiça.

A cozinha da Tininha foi transformada num ringue de luta livre e paneladas, que só diminuiu quando um empurrão lançou a doceira de barriga em cima da chapa em brasa do fogão. Ouviu-se um chiado encrespado e o ambiente foi invadido por uma fumaceira de pentelho queimado. A barriga pelancuda, que era banha pura virou uma pururuca de torresmo. O umbigo encolheu no meio das tripas e a perereca se transformou num bolo preto de carvão esturricado. O hospital relatou o fato à polícia e o responsável pela torradeira que sapecou Tininha por baixo vai ter que se explicar na delegacia.

Cambaxirra depenada

Sozinha em casa, usando apenas uma fina camisola de dormir, Jandira assistia televisão quando quatro jovens assaltantes invadiram a residência. Sujos e com fome tomaram banho e comeram tudo que encontraram nas panelas e na geladeira. Em seguida exigiram que as roupas fossem postas na máquina e lavadas, enquanto andavam pelados pela casa bebendo cerveja. Até disputaram diversas partidas de sinuca e a ajudaram a consertar a tomada do ferro de passar. Pediram o celular da vítima, fizeram dezenas de ligações, agradeceram , devolveram o aparelho, vestiram as roupas e foram embora.

Quando o marido Generino chegou do Ceará ficou sabendo, mas não acreditou no desfecho da história e a porrada choveu. Na delegacia disse que o tal do esfrega bucha deve ter sido a maior surubada no espumeiro de sabão e que a máquina deve ter sido usada para lavar a perereca engomada que ficou grudada na noitada de sacanagem. Afirmou que os quatro devem ter consertado a tomada para passar o ferro na safada da Jandira, que vive atracada na internet se dismilinguindo diante de sites de homens nus,“imagine o que deve ter feito com quatro jovens machos pelados, ao vivo e maconhados dentro de casa”. Ao se qualificar como o maior corno da cidade, concluiu afirmando que os quatro devem ser garotos de programa alugados pela esposa para passar a noite depenando a cambaxirra.

Cutucada no traseiro

Durante a festa da inauguração da estrada, enquanto a multidão aplaudia, Francisca levou uma cutucada por baixo daquelas que vai reta no alvo e no final dá uma roletada em torno da olhota. Sem saber de onde saiu o cutuco acusou um velho que estava próximo e que, segundo a depoente, “tinha olhar de cafetão e cara de cachorro lambido”. Possessa, espalmou a mão e arregaçou uma porrada no pé do ouvido do ancião que ficou zonzo, rodopiou e caiu no chão estrebuchando, enquanto era xingado e amaldiçoado. Resgatado pelo filho negou o fato afirmando que o pai nem dedo tem, porque é maneta, em seguida registrou queixa na delegacia.

Intimada, Francisca não negou a agressão e disse que mantinha a acusação, porque a coisa que lhe enfiaram por baixo era bem mais grossa do que um dedo. Que não era muito roliça e tinha a ponta dura com umas pelancas dos lados, além de grande e cabeluda. A semelhança da descrição com o cotoco do idoso não deixou dúvidas quanto à autoria do fato. Outras testemunhas compareceram e afirmaram que o velho sempre aproveitava a oportunidade para enfiar aquele braço maneta no rabo das senhoras distraídas.

Fissurada no Marretão

Acostumado a comer carniça, o cachorro de Carmélia lavadeira comeu os quatro despachos que encontrou num encruzo de ruas do bairro. Devorou até vela acesa e como a farofa estava salgada, bebeu um montão de cervejas e ainda deu umas lambidas na marafa do santo. Cidinha, que gastou uma grana no despacho destinado a conquistar o tesão e faturar uma estocada de Fernando Marretão, não gostou da ousadia do animal e comeu o cachorro doidão no cacete. Enquanto a pancadaria cantava de um lado, chovia mordida do outro. A favor do cachorro, Carmélia entrou na briga e com uma certeira porrada desmoronou a pomba de Cidinha. Insatisfeita, deu uma segunda porrada e inaugurou um olho roxo na cara da despachadeira de mandinga.

O arranca pentelho foi tão grande que até o cachorro bebo foi parar na delegacia. Enrolado na história, Marretão disse que sempre rejeitou as cantadas de Cidinha, que é tão cachorra que já lhe mandou até o retrato da periquita pela internet, e concluiu afirmando: “bendito foi o soco que desmoronou a boca da perseguida da macumbeira”. Três dias após o evento o cachorro morreu intoxicado com a cera das velas e entupido com a farofa do santo. As brigonas foram indiciadas e vão responder por agressões mútuas, mas mesmo assim, já prometeram que vão se estraçalhar na porrada quando se encontrarem na rua.

Estrunchada por Manuel Jumento

Toda a vizinhança e mais o povo do arraial conhecia Telvina Desbocada, que vive o dia inteiro batendo tamanco pelas ruas e fofocando de casa em casa. Ultimamente, devido a uma dor crônica entre as pernas anda meio sumida e reclamando de cansaço nos quartos. A coisa foi piorando até que Juvenal diagnosticou e comprovou que a dor e a fadiga tinham como causa os arrochos e cravadas que Telvina levava do seu amante que, por razões bem sabidas e comentadas, é conhecido como Manuel Jumento.

Se preparando para o hora do desenlace, Juva serrou a lasca da madeira mais resistente que encontrou, preparou um cacete e escondeu debaixo do armário da sala. Quando deu dez e meia da noite, lá vem Tetel cheia de dores, toda esquartejada e amassada após mais uma sessão de sexo brutal e volumoso, porém, a cara era de total felicidade e plena satisfação. A explicação não convenceu. Enfurecido Juvenal passou a mão no cacete e deu uma coça com o pau duro na infiel traidora. A polícia chegou e encontrou Telvina desfalecida no chão da sala e uma porradaria entre os sete cachorros que brigavam pra lamber a sangueira que jorrava dos ferimentos. Juvenal se pirulitou da cena, batendo em retirada. Manuel Jumento assumiu o socorro e levou a vítima para o hospital.

O escovão do Belo Antônio

Antes de devidamente controlada a confusão na porta da delegacia parecia liquidação no mercado de peixe da favela. Quando os mais alterados receberam o xadrez que mereciam, outros e outras diminuíram o fogo ou apagaram o facho quando viram a coisa preta, já que tudo começou por causa de uma coisa preta que vinha sendo oferecida pela bela jovem e esfuziante Magaly, com o consentimento e conivência do marido, a virtuosos e sérios senhores casados da cidade. O Belo Antônio, maridão gostoso e bengalão, também entregava em domicílio os seus serviços íntimos e já contava com apreciável número de clientes chegando a fazer seis atendimentos por dia.

No mês passado, a panela ferveu e a coisa caiu na boca do povo quando alguém resolveu contar a história pregando panfletos nos postes. Citaram um coroa barbudo que só conseguia transar se estivesse usando uma peça de vestuário chamada culhoneira de elástico. O técnico do time pendurava chuteiras no bilau para se gabar da rigidez do órgão. O dono da oficina de lanternagem gostava de fazer sexo usando uma máscara de soldador. O português da padaria passava urucum no saco e ficava dando voltas de velocípede entorno da cama até a coisa ficar pronta para o ataque. O fazendeiro ganhou o apelido de seu roque-roque, porque só chegava ao orgasmo se estivesse com a boca cheia de biscoito creme crack. O engenheiro, no auge do prazer, disparava a soprar um apito tocando castanholas. Com referência às mulheres, entre tantas outras, falaram de uma senhora que gostava de atar uma escova com fita adesiva no bengalão do Belo Antônio empaçocar de creme dental e passar a tarde escovando os dentes. Durante o fudúncio na delegacia, todo mundo acusava todo mundo da autoria dos panfletos, mas poucos negavam a veracidade dos fatos. Magaly e o maridão sumiram da cidade.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.