O Crack, droga que vicia na primeira utilização

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

O crack está se espalhando assustadoramente pelo Brasil. A droga é um dos principais problemas na maioria dos municípios brasileiros, não só pelos danos que provoca nos usuários e suas famílias, mas pelo fato de sobrecarregar o sistema de saúde. Recentemente, pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios revela o crack como um problema alarmante, gerando violência, revelando a falta de estrutura adequada para o atendimento aos usuários, falta de recursos para reinserção social e combate ao tráfico. O crack é uma droga que vicia a pessoa em uma única utilização.

Afinal, o que é o crack? é um derivado da cocaína. O crack tem um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro em 12 segundos, com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição. Além de se tornarem alvo de doenças pulmonares e circulatórias que podem levar à morte, os usuários se expõem à violência e situações de perigo que também podem matá-los. As principais consequências para a saúde do usuário decorrem da intoxicação, quando o usuário aquece a lata de refrigerante na hora de inalar o crack, para provocar o vapor da droga, aspirando também o alumínio aquecido. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos aos pulmões, cérebro, rins e ossos.

Porém há outros malefícios, como a perda da fome; o organismo passa a funcionar em função da droga e o dependente quase não come ou dorme, ocasionando um processo rápido de emagrecimento. Casos de desnutrição são comuns. A dependência também leva à ausência de hábitos de higiene e cuidados com a aparência. Os pulmões são lesionados com a fumaça do crack, levando a disfunções e com o processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. O coração, devido à liberação de dopamina faz o usuário ficar mais agitado, o que leva ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Há também oscilações de humor; o crack provoca lesões no cérebro, causando perda da função dos neurônios, levando às doenças psiquiátricas, como psicose, paranóia, alucinações e delírios.

A morte de usuários pode ocorrer por infarto ou derrame. Em todas as situações, há exposição à violência, pelo envolvimento com traficantes. Finalizando, precisamos de ações rápidas e concretas contra esta droga tão avassaladora que está acabando com os jovens, em idade produtiva. A união, os estados e os municípios, devem articular mecanismos para combater esta epidemia crescente e assustadora, que está destruindo lares de famílias brasileiras. O enfrentamento à situação não deve ser somente a repressão. Temos de ter centros para tratamento de dependentes e divulgação maciça nos meios de comunicação, além de um suporte maior aos municípios, que atualmente têm uma sobrecarga nos sistemas de saúde, em decorrência da disseminação da droga.

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.