Mononucleose infecciosa: a doença do beijo

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

No dia 25 de outubro é comemorado o dia nacional da saúde bucal. Portanto escrevo esta matéria para alertar quanto aos riscos existentes de um beijo na boca e como estamos expostos, quando não conhecemos a pessoa que estamos beijando. Apesar do hábito do beijo na boca ser encarado por muitas pessoas como algo inofensivo, a boca é uma porta de contágio para as infecções e doenças, que incluem desde a transmissão de bactérias da cárie (streptococcus mutans), as doenças transmitidas por vírus dentre eles o do herpes, do papilomavírus e o da doença do beijo, mononucleose infecciosa, ocasionada pelo vírus do Epstein bar.

O risco da transmissão ocorre na proporção em que existe a troca frequente de parceiros, atitude hoje comum entre as pessoas de todas as idades, embora assumida pelas pessoas mais jovens que optam por relacionar-se (ficar) com vários parceiros. Com eles a preocupação aumenta na medida em que se tornou habitual a valorização daqueles que conseguem somar o maior número de beijos com parceiros distintos em uma única festa ou balada. Existe também a preocupação com a desinformação dos jovens, agravada pelos sucessos de algumas músicas, que incentivam o beijo, como a música “Comigo é na base do beijo”, da cantora Ivete Sangalo, “Beijar na boca e ser feliz” de Cláudia Leite e ”Já beijei um, já beijei dois e já beijei três” da cantora Gil.

Entretanto caro leitor o risco de adquirir doenças existe e devemos ficar informados, para não sermos pegos de surpresa. A Mononucleose Infecciosa, doença do beijo, é contraída por via oral, transmitida pela saliva. A doença nem sempre é diagnosticada porque seus sintomas são muito semelhantes aos de uma forte gripe, acompanhada de febre de 2 a 14 dias, com presença de tosse, cansaço, falta de apetite, calafrios, desconforto abdominal e vômitos. Ao contrário da gripe, a doença do beijo causa lesões, como as provocadas pelo herpes, além de petéquias que são pequenos pontos causados por uma pequena hemorragia no palato duro (céu da boca) e faringe. Como o quadro da mononucleose tem regressão espontânea e não deixa sequelas, essa doença pode passar despercebida para a maioria das pessoas. A confirmação do diagnóstico da doença do beijo é possível apenas por meios de exames laboratoriais.

Em geral, quem desenvolve a doença, não se recorda de ter tido contato com alguém doente e a própria pessoa que transmitiu o vírus sequer imagina que se encontra com a doença. Uma doença bastante comum e altamente transmissível e que não tem cura até o momento é a herpes labial. Essa doença é provocada pelo vírus herpes simplex; a doença causa bolhas e feridas nos lábios e na região ao redor da boca. Proteja-se evite a troca frequente de parceiros(as), realize sempre uma boa higiene bucal e procure um médico ou dentista em casos de anormalidades. Falando sobre o beijo descrevo algumas curiosidades: o dia do beijo é comemorado no dia 13 de abril. O maior beijoqueiro do Brasil foi o português José Alves de Moura, que beijou várias personalidades. Para beijar, o ser humano movimenta 29 músculos (12 dos lábios e 17 da língua). Pratique o beijo consciente, não ponha sua saúde em risco.

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.