Homenagem a Latuf emociona o público

Latuf abandonou a carreira regiliosa em Roma, tornando-se um verdadeiro poeta e andarilho cultural que conheceu o mundo até vir para Saquarema. (Foto: Dulce Tupy)

Latuf abandonou a carreira regiliosa em Roma, tornando-se um verdadeiro poeta e andarilho
cultural que conheceu o mundo até vir para Saquarema. (Foto: Dulce Tupy)

Uma homenagem ao poeta Latuf Isaías Mucci foi feita por seus amigos, o pintor Nelsinho e a diretora Maria José Oliveira, no Teatro Mário Lago. Com montagem simples, mas emocionante, a peça teatral reuniu um elenco talentoso, começando pela direção sensível, pesquisa e texto, de Maria José e pelo cenário enxuto, mas bonito e funcional, de Nelsinho, com parceria do também artista plástico Antony, tudo emoldurado por uma bela iluminação feita por Hélia Lorena, sobrinha de Maria José.

Na verdade, a homenagem reuniu parentes e amigos no palco e na plateia, entre eles o filho de Latuf, Otávio, sentado na segunda fila. Na primeira fila, musas de Latuf e parceiros ao fundo. No palco, os primos Natália Bravo e Pedro Paulo Bravo deram um show de competência e arte, ela como uma Yemanjá “bailarina”, ele interpretando o Latuf em plena juventude, inquieto, curioso, questionador; o Latuf que abandonou a carreira religiosa, para abraçar o mundo!

Aos 11 anos, Breno Enrico fez a voz do Latuf ainda criança, com medo de se separar da mãe para ir ao seminário em Mariana, Minas Gerais, onde ficou 9 anos. O professor Robledo interpretou o Latuf adulto. A pequena Maria Eduarda, 5 anos, representou o sonho onírico de Latuf. E o dançarino negro, Leonardo Brito, trouxe a África que pulsa no Brasil para dentro do palco. Completam o elenco, Anna Malena e Lucas Fidelis, ambos dançarinos, do grupo Primeiros Passos, que funciona na Colônia de Pescadores.

Com citações de Clarice Lispector, Florbela Espanca, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Cecília Meireles, Cora Coralina, Walmir Ayala e outros autores que fizeram a cabeça de Latuf, a peça mesclou poesia, dança e dramaticidade. Ex-diretora de Cultura de Saquarema, Maria José herdou a vocação artística do pai, pintor, escultor, poeta e homem de teatro, Antenor de Oliveira que também foi amigo de Latuf, para quem fez um acróstico. Latuf teve inúmeros ensaios publicados e dois livros de poesia, o último editado pela Tupy Comunicações, Águas de Saquarema. Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), faleceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, há cerca de 1 ano, deixando 1 filho e 3 netos.

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