Chupador de mexerica e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Chupador de mexerica

Na boa e fértil terra do bem cuidado pomar do Grotão do Alqueire, Graciana, mãe solteira de cinco filhos, pega no pesado pra cultivar frutas, especialmente tangerinas, legumes e verduras para consumir em casa e para comercializar na barraca que construiu na beira da estrada, única fonte de renda da família. Gamelão, que mora no sítio ao lado, onde nada faz e nada planta, tem antecedentes por estupro além de famoso por viver furtando animais nos pastos e a produção das hortas da comunidade. Apreciador da fruta vivia arretado, descabelado e doido pra invadir o Grotão e chupar inteira a mexerica de Graciana até ficar se babando entalado no bagaço. Na primeira tentativa tomou uma pedrada na testa. Na segunda, quando se espichou na cerca pra abocanhar a saborosa, tomou um tiro de espingarda de cartucho entre as pernas que voou ovos pra todo lado. Quem viu disse: “o coisa ficou em estado de pelanca e tão inchado que, se morrer, vai ter que ser velado num caixão duplo e enterrado com as pernas arreganhadas numa cova de casal”. Gamelão, despirocado, continua internado e corre risco de morte.

Perereca mega-hair

A casa de Ricardo bonitão era o antro do fudúncio do bairro. Todo mundo furunfava todo mundo nas noitadas de sacanagens. Mecânico de profissão gostava tanto de trê-lê-lê de cama que o que viesse ele metia a boca e engolia o bagaço. Tanto esbagaçou que na furunfa do nheco-nheco se engasgou com um chumaço de pentelho. Entupido, tossiu tanto que arrebentou uma veia do pulmão e deu entrada no hospital se esvaindo em sangue. Na emergência enfiaram um desentupidor pela goela abaixo. Com a entrada de ar, borbotões de sangue talhado saíram pelo nariz e saraivadas de pentelho voaram pela boca. Desconsolado contou que na festa intitulada “a noite da raspadinha”, no troca-troca, todo mundo se espumava, se raspava e se lambia e como estava muito escuro, tampou a gilete na mais cabeluda.

Cilistino cafetão

Cilistino tem duas mulheres, uma noiva, seis filhos e um salário mínimo. Aliete ajuda vendendo sola de amendoim. Justina faz cavaca de fubá que é vendida na feira para contribuir com a renda familiar. Alzira, a noiva, roda bolsinha no acostamento do pedágio, mas como está ficando com a bunda murcha já não fatura quase nada.

Unidas pelo amor do mesmo homem, sem reclamar revezam na cama a troca de carinhos e langanhento afeto, mas nas últimas semanas, com faturamento zero, Cilistino negou leito e carícias à Alzira, afirmando que seria substituída por outra fonte de renda com melhores lucros e sem qualquer despesa. Lacrimosa chorou lamentos e se debulhou em lembranças de tantas ajudas dadas ao noivorido. Sofrida pegou uma faca cega e tentou cravar no peito, mas como tem as maminhas muxibentas e usava porta-seios com enchimento, a lâmina ficou presa na espuma e nem chegou nas pelancas da teta. Desolada, estava arrumando as tralhas para a derradeira partida quando o amado chegou sorrindo já com a nova fonte de renda, que foi recebida pela desconsolada que, empunhando a faca cega enfiou a lâmina pelo bucho adentro da nova pretendente.

Internada e costurada sobreviveu ao ferimento, mas mesmo assim Alzira foi autuada por tentativa de homicídio doloso, porque teve o maior orgasmo quando sentou o ferro na vítima cheia de intenção de matar.

Abanando a bacurinha

Num obscuro e camuflado site, onde os preços dos produtos contrabandeados do Paraguai se misturam a ofertas de moçoilas de programa, Ladário, que vive caçando sacanagens virtuais na internet, encontrou um vídeo no qual a sua noiva e secreta amante aparece pelada, com um leque de penas de avestruz abanando a bacurinha e fazendo a dança do soca a bunda. No fundo, uma plateia excitada e masturbadeira joga dinheiro na dançarina.

Na moteleira noite do semanal encontro, relatou a descoberta e indagou sobre o faturamento. Entusiasmado se propôs a virar cafetão da noiva, sem saber da mafiosa estrutura gestora deste tipo de atividade. Avisado, insistiu. Rejeitado pela cúpula da gang da prostituição ameaçou tirar a namorada do negócio e partir para carreira solo. O clandestino tribunal da máfia reagiu e penalizou Ladário com o castigo da entubação anal. O pretendente a cafetão foi hospitalizado. No laudo oficial estava escrito: “ deu entrada neste nosocômio um paciente todo arrombado, com um pedaço de bambu cravado no orifício natural, também conhecido como válvula caganicânica de escape gasoso”.

A pinguela de Geraldão

Entre os dois sítios tinha um rego de água doce e uma ponte que a enxurrada carregava durante chuvas fortes. Pra resolver o problema Geraldão, que é lenhador, atravessou uma grossa pinguela no rego, que passou a ser usada como acesso à casa da vizinha Nenzinha, com quem costumava ir pro matagal da serra pra enfiar o machado até derrubar o pau, sempre observados por uma dona fuxiqueira, que infesta o bairro com fofocas e que vivia doida pra botar a periquita pra cantar no tronco do lenhador. Com o nome na boca do povo, Nenzinha chamou a fofoqueira e, ao propor um falso acordo de paz, ofereceu Geraldão pra também atravessar uma pinguela no rego atrás da casa da faladeira. O aceite foi instantâneo e imediato, mas o trato feito foi comunicado a esposa do lenhador que, ao flagrar os dois pinguelando no sombriado da moita do galinheiro, deixou a fuxiqueira cotó, sem a metade da perna esquerda, decepada com uma machadada. A linguaruda está internada no hospital com o cotoco inflamado. A agressora vai responder o processo em liberdade porque não houve flagrante.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.