Novo sambaqui descoberto na Mombaça

A arqueóloga Filomena Crancio analisando o Sambaqui da Toca do Peixe

A arqueóloga Filomena Crancio analisando o Sambaqui da Toca do Peixe

Um novo sambaqui – sítio arqueológico – foi descoberto em Saquarema. O pedreiro Luciano estava fazendo um buraco no quintal de sua casa na Mombaça, área rural no Primeiro Distrito de Saquarema, para fazer uma nova caixa de gordura quando achou uma ossada. Procurou o coordenador da Defesa Civil, Alberto Nessrala que, imediatamente, cercou o local, para que nada fosse mexido, chamando em seguida a arqueóloga Filomena Crancio, responsável pelos sambaquis de Saquarema.

“Poderia ser um caso de polícia, mas desconfiei logo que poderia ser também um sambaqui”, declarou Nessrala ao jornal O Saquá.

Sambaqui da Toca do Peixe

OssadaNo dia seguinte, a ossada encontrada no Sambaqui da Toca do Peixe foi levada para estudos pela arqueóloga Filomena Crancio que confirmou que os vestígios indicam se tratar de um sítio arqueológico, mais especificamente um sambaqui, local de moradia temporária de comunidades muito antigas. Segundo Filomena, a ossada é pré-histórica e provalvelmente tem mais de 4 mil anos, porém, a identificação do tempo correto será feita por uma avaliação técnica do Museu Nacional, através do método Carbono 14. Com a análise dos ossos, será possível descobrir costumes e características físicas dos sambaquieiros, e até as doenças que ocorriam na época.

Sambaqui da Toca do Peixe, nome sugerido pela arqueóloga Filomena Crancio, está bastante degradado, pois foi cortado pela abertura de ruas e tem casas construídas em cima. O trabalho possível neste sambaqui será o de salvamento dos vestígios pré-históricos. O Sambaqui da Toca do Peixe está localizado na margem norte da Lagoa de Saquarema, relativamente próximo dos sambaquis do Saco e de Madressilva, onde também foram feitos apenas salvamentos. Acredita-se que outros sambaquis, na mesma região, foram destruídos sem terem sido pesquisados. Os ossos localizados no Sambaqui da Toca do Peixe encontram-se impregnados de sedimentos vermelhos, assim como conchas, utilizados provavelmente como rito funerário. Próximo ao local ainda hoje observa-se barreiras, onde o homem do sambaqui encontrava a matéria-prima para os corantes.

“Somente após a escavação sistemática no local e o estudo interdisciplinar (Arqueologia, Bioantropologia, Botânica, Geologia, etc) poderão ser apresentadas as peculiaridades do Sambaqui da Toca do Peixe, porque os sambaquis são verdadeiros arquivos da Pré-História”, explica Filomena, que recebeu, no final de agosto a visita da arqueóloga Rosana Najar, da Superintendência Regional do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no Rio de Janeiro, que esteve no Sambaqui da Toca do Peixe, na Mombaça, fazendo uma vistoria para fins de registro.

A área do sambaqui foi cercada  pela Defesa Civil, para proteger  o patrimônio histórico-cultural

A área do sambaqui foi cercada pela Defesa Civil, para proteger o patrimônio histórico-cultural

Assentamentos de grupos pré-históricos encontram-se localizados em diversas posições no município de Saquarema. Eles são importantes para a elucidação sobre o modo de vida dos habitantes pré-históricos da região. Enquanto não começam as escavações, fica a curiosidade de saber quem eram esses primeiros habitantes de Saquarema.

“Mombaça é uma localidade conhecida por apresentar sítios históricos dos horticultores-ceramistas da tradição tupiguarani (índios), menos antigos que os homens dos sambaquis”, continua Filomena, fazendo a ressalva: “escreve-se tupiguarani mesmo, tudo junto, por tratar-se de tradição cerâmica e não da língua tupi guarani”. Vamos aguardar o resultado das pesquisas.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.