Profissional da saúde e o milho de pipoca

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

Na minha vida profissional, já trabalhei em vários ambientes de trabalho. Nos mais diversos ambientes em que trabalhei, sempre encontrei pessoas que são contra mudanças, não querem mudar e incorporam isso como sua prática de vida para eternidade, representando a mesmice, o continuísmo, o de sempre e o mais prático. As mudanças para essas pessoas representam o perigo, o novo, o inusitado e, resumindo, uma ameaça. Essas pessoas precisam e necessitam mudar, rever seus conceitos e quebrar os paradigmas.

Nós temos o exemplo do milho duro que vira pipoca macia, símbolo da dura transformação por que devem passar os homens para que venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. A transformação do homem, assim como do milho para pipoca, só acontece pelo poder de fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre…

O profissional que não esbarra em uma situação, na qual exija uma qualificação maior; uma aprendizagem mais especifica, nunca vai se transformar em pipoca. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo continua do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só elas não percebem; acham que seu jeito de ser é o melhor jeito. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor pode ser fogo de fora. Perder o emprego; estar por fora de um determinado procedimento e ser descartado por não estar habilitado…

Mas na vida, nós temos sempre um recurso: apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui e não existe a grande possibilidade de transformação. Imaginem vocês, a pobre pipoca fechada dentro de uma panela, com o ambiente ficando cada vez mais quente, pensando chegou a minha hora! Em breve virá o momento oportuno, a mudança e a renovação. Ela não imagina a transformação que está sendo preparada para ela; não imagina que quanto mais calor melhor para sua transformação e de repente: Bum! E ela aparece como outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca tinha sonhado.

Piruá é o milho que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que querem o continuísmo, a mesmice e são surpreendidos pelo mercado de trabalho, altamente especializado. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo é a dura casca que não estoura. Os destinos destas pessoas são tristes. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada, cujo destino é o lixo. Pergunto a vocês, leitores dessa coluna. Vocês são pipoca ou piruá?

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.