Perplexidade

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Dói no coração e chora a alma ao tomar conhecimento das notícias de desalento, desencanto e desesperança dos gregos com a crise financeira da Grécia atual. Com o desemprego atingindo mais de 40% dos jovens e a soberania do país ameaçada, é inacreditável que o “berço da civilização ocidental” tenha chegado hoje a esse triste patamar.

Curiosamente, relia O Minotauro de Monteiro Lobato, com as deliciosas aventuras da turma do “Sítio do Picapau Amarelo” à Grécia antiga (Hélade), quando as surpreendentes notícias da crise grega estavam em manchete nos jornais, na TV e na Internet.

Dizia-nos o mestre Lobato que “a importância dum país não depende do tamanho territorial, nem do número de habitantes. Depende da qualidade do povo. Pequenina foi a Grécia em tamanho – e tornou-se o maior povo da Antiguidade pelo brilho da inteligência e pelas realizações artísticas”.

E continua Lobato: “A Grécia está no nosso idioma, no nosso pensamento, na nossa arte, na nossa alma: somos muito mais filhos da Grécia do que de qualquer outro país”.

“A Grécia, meus filhos, foi o “SÍTIO DO PICAPAU AMARELO da Antiguidade, foi a terra da Imaginação às soltas. Por isso floresceu como um pé de Ipê. (…) A vida lá era um prazer (…). O prazer de sonhar e criar a verdade e a beleza. Nunca houve no mundo tão intensa produção de beleza como na Grécia”.

Pois é. Diante disso, uma pergunta não sai da minha cabeça: como um país com tanta experiência histórica, tanta sabedoria, tanto conhecimento, de passado tão reluzente permitiu-se chegar a situação financeira tão calamitosa?

Como um país em que um dos seus pilares de sabedoria é a “BUSCA DA EXCELÊNCIA”: “Procure ser hoje melhor do que foi ontem e, amanhã, melhor do que foi hoje” – pode ter chegado ao ponto que chegou?

Esperançosamente, deixo no ar os versos do poeta grego Píndaro, para homenagear um vencedor de uma corrida de bigas em Delfos: “Humilde quando a humanidade é necessária / orgulhoso quando o orgulho permite / servirei ao destino que preocupa minha mente / honrando-o com todas as minhas forças”.

Que assim seja.

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.