O perigo de corpos estranhos

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

No dia a dia do pronto socorro, é comum o atendimento a crianças com inserção de corpos estranhos em nariz, ouvido, boca e outras cavidades. Os corpos estranhos penetram no organismo através de qualquer orifício corporal. Crianças na primeira infância têm o hábito de não identificar o objeto visualmente com precisão e muitas vezes acabam levando-os até a boca, nariz ou ouvido. Os bebês e as crianças pequenas precisam de atenção especial dos pais ou dos responsáveis, que devem ter consciência desse ato. Por falta de vigilância adequada, crianças realizam a introdução dos corpos estranhos e os responsáveis não percebem, vindo à criança a apresentar dores ou febre com o passar do tempo e é nesse momento que vão perceber a presença do corpo estranho.

Recentemente presenciei um caso de criança com um caroço de feijão, que estava brotando dentro do ouvido. Portanto, é necessário sempre observar cautelosamente o que a criança está fazendo, com o que esta brincando e se esta mastigando ou colocando algo na boca, no ouvido ou nariz. Podem ser considerados corpos estranhos: pequenas partículas de madeira, sementes, bolinhas de papel, isopor, grampos, esponjas, areia, grãos, moedas, brinquedos e até mesmo insetos. Pesquisas revelam que a principal morte de crianças com menos de um ano é devido à aspiração de corpos estranhos, uma atitude que pode ser tranquilamente evitada, tendo o cuidado de não deixar moedas, objetos pequenos ou outros atrativos ao alcance das crianças. Também ao alimentar crianças, os responsáveis devem reduzir ao máximo os pedaços de carnes ou alimentos, em virtude de engasgos ou obstrução.

Para os primeiros socorros em casos de corpos estranhos, em primeiro lugar, é preciso manter a calma! Na boca, geralmente são pedaços de carnes ou objetos inalados. Neste caso a criança pode apresentar falta de oxigenação e asfixia (falta de ar), apresentando os sinais clássicos de engasgo: não fala, não tosse e não respira e pode levar as mãos à garganta. O responsável deve utilizar a manobra chamada de Heimlich, se posicionando em pé por traz da criança, envolvendo a cintura da criança na altura do umbigo e realizando um rápido puxão para cima. Se o corpo estranho não sair, realize uma sequência de 4 puxões. Se for um bebê, segure-o com o abdome para baixo, apoiado no seu braço, e com a cabeça em posição mais baixa, mantendo firme a cabeça segurando o queixo com a mão. Realize cerca de 5 tapas nas costa do bebê para que o corpo estranho saia.

No ouvido, não tente retirar. Encaminhe a criança para o hospital, para o atendimento especializado. No nariz, oriente a criança a respirar por uma narina e acalmar a criança. Nos olhos, não deixe a criança esfregar os olhos, lavando com água corrente. Em caso do corpo estranho não sair, cubra o olho com um pano ou pedaço de gaze e encaminhe a criança ao hospital. Corpos estranhos empalados, que são alojados em orifícios naturais, não devem ser retirados. Imobilize o objeto no local e procure socorro médico. Nunca retire o corpo estranho, pois pode ocorrer hemorragia. Finalizando, as crianças merecem atenção muito especial. Portanto a prevenção sempre é a melhor opção. Mantenha-se atento ao cuidar de crianças e procure eliminar os riscos existentes no ambiente.

Compartilhe!
Palavras-chave:

Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.