Emergência, urgência e atenção básica de saúde

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

Nos dias atuais o serviço de saúde atravessa o dilema entre atendimento de emergência (situação crítica ou algo iminente, com ocorrência de perigo, que exige atuação profissional rápida), urgência (situação que tem o caráter menos imediatista) e o atendimento básico de saúde. A ineficiência de um atendimento básico de saúde às vezes empurra o paciente para o atendimento de emergência ou urgência, por falta de um funcionamento adequado da rede básica. Cria-se um verdadeiro colapso nas portas dos hospitais, que ocasiona demora no atendimento e reduz a qualidade da assistência.

Em situações de excesso de demanda, os pacientes que precisam de recursos tecnológicos sofisticados – em função da gravidade ou complexidade do seu problema de saúde – são alvo de maior preocupação dos profissionais, gestores e formuladores de política de saúde. O fortalecimento da atenção básica em saúde deve ser incentivado, já que evita complicações que levam os usuários aos níveis secundário e terciário de atenção. Esse fortalecimento minimiza a médio e longo prazo os custos destes setores.

Os pacientes que exigem menos recursos tecnológicos são absorvidos como secundários, atendidos rapidamente após uma triagem; não necessariamente devem receber menos atenção e deve-se evitar que sejam rotulados como inapropriados ao serviço ou que sofram a frustração de ter seu atendimento negado.

Sabemos que restrições têm sido propostas, entretanto não são aceitáveis em um país com tanta desigualdade social como o Brasil. Quando o paciente é encaminhado também para assistência básica após ter sido atendido em um hospital, não existe continuidade da sua assistência na rede, o que leva o paciente a procurar uma porta de entrada, ou seja, as emergências/urgências. Dessa forma, hospitais acabam sendo depósito dos problemas não resolvidos.

Uma proposta importante para as grandes emergências é o qualiSUS, um conjunto de mudanças que visa proporcionar maior conforto para o usuário, com atendimento de acordo com o grau de risco e uma atenção mais efetiva pelos profissionais de saúde. O qualiSUS propõe a criação da central de regulação de leitos, ponto fundamental no controle das ofertas indevidas de vagas e a implantação do SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), que permite a organização no acesso à emergência e racionalização da utilização da rede pública. Também foram criadas normais legais para o Programa de Saúde da Família (PSF), onde existe a responsabilidade de atender as pequenas urgências, de acordo com a disponibilidade de recursos humanos e materiais. Com isso, grande parte das questões poderão ser solucionadas, tanto para gestão operacional do sistema, como para pacientes que procuram uma solução para seus problemas de saúde.

O Saquá 135 – Julho/2011

Artigo publicado na edição de julho de 2011 do jornal O Saquá (edição 135)

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.