Sem investimento de bilhões vai faltar muita água

Editorial - Dulce Tupy

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, o Dia Mundial da Água – 22 de Março – é um momento destinado à reflexão sobre a importância deste bem natural, cada vez mais escasso no planeta. Por que a ONU se preocupa com a água se dois terços do planeta Terra são formados por este precioso líquido? A principal razão é que apenas algo em torno de 0,008% do total da água do mundo é potável e grande parte das fontes e reservatórios estão contaminados, poluídos ou degradados pela ação predatória do homem. A expectativa é preocupante, já que poderá faltar, até 2015, água para o consumo de grande parte da população mundial.

Dono da maior reserva de água doce do planeta, 12% do total, o Brasil corre sérios riscos de abastecimento, de acordo com o Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água, um diagnóstico que acaba de ser divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA). Se não investir R$22,2 bilhões nos sistemas de captação e coleta de água poderá faltar água em 55% dos municípios brasileiros, o equivalente a 3.059 municípios existentes no país. A abundância de água doce que o Brasil detém hoje contribui para mascarar uma situação grave. Segundo dados do IBGE, o abastecimento de água não chega a 21,5% das casas brasileiras, ou seja, apenas 12,4 milhões de residências. Na região sudeste, os maiores problemas são relacionados à forte concentração urbana e à complexidade dos sistemas produtores de abastecimento. O Atlas Brasil indica que o Sudeste detém 51% da capacidade instalada de produção de água do país.

Dos 22,2 bilhões em investimentos necessários para evitar a falta de água no Brasil até 2015, pouco mais de R$ 1 bilhão é o total de recursos que deverão ser aplicados no Estado do Rio de Janeiro. Uma parcela desse investimento será destinada à conexão do sistema isolado de Carapebus ao sistema de Macaé e à ampliação do sistema integrado Saquarema/Araruama/Silva jardim. Sabemos que estas conexões têm a ver com a demanda do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) que a Petrobras está construindo em Itaboraí.

Os 47 municípios fluminenses que estão em condições de atendimento satisfatórias: Aperibé, Araruama, Búzios, Arraial do Cabo, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Cambuci, Campos, Cantagalo, Cardoso Moreira, Carmo, Levy Gasparian, Cordeiro, Paulo de Frontin, Iguaba, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Macacu, Magé, Mangaratiba, Mendes, Miguel Pereira, Miracema, Natividade, Parati, Paty do Alferes, Piraí, Porciúncula, Porto real, Quatis, Quissamã, Resende, Rio Bonito, Santo Antônio de Pádua, São Fidelis, São João da barra, São José de Ubá, São Pedro da Aldeia, São Sebastião do Alto, Sapucaia, Silva Jardim, Sumidouro, Trajano de Moraes, Três Rios, Valença, Vassoura e Volta Redonda. Saquarema não está incluída neste rol, justamente um município para onde vai se expandir a Cedae, para atender Jaconé, um dos bairros que mais cresce, assim como o Polo Industrial, em Sampaio Corrêa.

O Saquá 132 – Abril/2011

Artigo publicado na edição de abril de 2011 do jornal O Saquá (edição 132)

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.