O esporte mudou, mas o preconceito não

Esporte é Vida - Raysa Himelfarb

Começo a escrever com uma indignação no coração, que quero compartilhar com vocês, leitores. Não podia deixar que acontecimentos recentes, envolvendo preconceito no esporte, passassem em branco por aqui. É inaceitável que a discriminação ainda exista, ainda mais em competições que deveriam ser pautadas por um mínimo de respeito entre as partes envolvidas. Respeito esse que some, quando casos de homofobia e racismo se tornam presentes nos eventos.

Quem assistiu ao amistoso de futebol entre o Brasil e Escócia, no dia 27 de março, em Londres, ou acompanhou o noticiário posterior deve saber que uma banana foi jogada em direção ao Neymar, que, diga-se de passagem, estava batendo um bolão e comemorava o segundo gol brasileiro que acabara de marcar. O atacante ficou chateado com o ato e reclamou ao final da partida, com todo o direito. “Esse clima do racismo é totalmente triste. A gente sai do nosso país, vem jogar aqui e acontece isso.” – declarou Neymar.

Além do ato por si só já ser revoltante, o que mais me impressiona foi a declaração da polícia inglesa, dizendo que o torcedor que atirou a banana no campo era alemão e não teria tido a intenção de fazer ofensa racista. Bom, se a intenção não foi discriminar, não sei mais o que seria. O cidadão não vai ser punido e a Confederação Escocesa de Futebol ainda “exigiu” que Neymar se retratasse pela a afirmação que fez no final da partida. Eu sinceramente não entendo porque o brasileiro tem que se desculpar…

Esse não foi um acontecimento isolado, mas sim o terceiro caso de racismo em duas semanas, no futebol europeu. Os laterais Roberto Carlos, do Anzhi, da Rússia, e Marcelo, do Real Madrid, já tinham sido discriminados.

O preconceito não é somente racial e também acontece em outros esportes. Um caso mais recente ainda, envolvendo o jogador de vôlei Michael, da equipe Vôlei Futuro, durante uma partida contra o Cruzeiro pelas semifinais da Superliga, levou o atleta a assumir publicamente que é homossexual. Em entrevista ao site Globoesporte.com, ele contou que naquele jogo a torcida gritava “bicha” e “gay”. Segundo Michel, já havia acontecido casos como esse com ele antes, mas nesse dia foi diferente: “foi um coro, senhoras, crianças e mulheres gritando, já num clima preconceituoso mesmo”, afirmou. De acordo com o jogador, em seu meio de convivência todos já sabiam da opção sexual dele e, por isso, nunca tinha visto necessidade de anunciar publicamente, até agora. É, realmente, ninguém deveria ter nada a ver com isso…

O Saquá 132 – Abril/2011

Artigo publicado na edição de abril de 2011 do jornal O Saquá (edição 132)

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Sobre o autor

Raysa Himelfarb é aluna da faculdade de Comunicação Social. E-mail: coluna.raysa@gmail.com