Defenestrada no pau de fogo e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Defenestrada no pau de fogo

Para chegar no Beco do sossego, Fifinha, 32 anos, saltava no Amanteigado e dava nas canelas pelo caminho do Pau de Fogo. Mijadeira, sem tempo para chegar em casa, se abaixou na macega, suspendeu a saia e desaguou suspirosa. Ainda nem tinha acabado quando Jaldo, conhecido como Dodô, 32 anos, já pronto para o ato anunciou o estupro arrolhando a boca da vítima com um chumaço de papel-higiênico. Defenestrada na macega, possuída na moita e deflorada no Pau Fogo, foi bombada por quase 3 horas sob o luar do Amanteigado. Duas semanas depois, por furto de motocicleta, Dodô foi preso e, entre outros crimes, confessou o estupro de Fifinha. Chamada a depor disse não ter apresentado queixa porque estava perdidamente apaixonada e que quase toda tarde ficava sem calcinha abaixada atrás da moita, na esperança de Jaldo voltar disposto e estuprante para devorá-la na macega do Pau de Fogo.

Paparam o traficante no xadrez

Jovem, 19 anos, duro que nem pau de sebo, de tanto sonhar em ter um carro vermelho cintilante, comprou um quilo de maconha, vendeu e triplicou o investimento. De tanto dobrar e triplicar, comprou um seminovo, mais novo do que semi, reluzentemente, conservado e na cor tão desejada. Nos finais de semana era veículo de desfile. Durante a semana, baú de fumo. Abastecido, no caminho de volta deu uma senhora porrada numa vaca prenha e se despinguelou desintegrado dentro de um valão de lama podre. Polícia, bombeiro, resgate, mãe histérica e pai descabelado, chegaram todos juntos ao local do acidente. Na delegacia não negou ser o proprietário dos 2 quilos e 398 gramas da maconha encontrada escondida atrás do pneu sobressalente do veículo acidentado e que o fumo foi adquirido de um fornecedor na favela da Rocinha. O carro, também comprado na mesma favela, foi constatado ser produto de um latrocínio ocorrido na Barra da Tijuca, mas o acusado negou conhecer a procedência do carro, cujos documentos falsificados surpreenderam os policiais pela sua semelhança com os originais. Preso por tráfico de droga e posse de veículo roubado, implorou ao delegado para ser mantido numa cela individual, por ser homossexual, e que ia ter tanta gente na fila que não ia caber no estádio. Não deu outra. Paparam o traficante no xilindró.

Belzebu desconjurado

Quando os PMs chegaram com Rosalvo, 23 anos, na delegacia, a mãe queixosa já estava prestando depoimento, acusando o filho de ladrão e de crakoleiro. Falou que Rosalvo, para cachimbar mais de 10 pedras por dia, chegou a negociar até a panela de pressão cheia de sopa de mocotó com bucho, que ela tina feito para o almoço da família, trocando tudo por maconha, porque o carro do traficante enguiçou e faltou crak na boca de fumo da praça. “Fica doido, faz cocô na frigideira e bota na geladeira, mija na gaveta do armário, solta pum na cara do avô de 89 anos e tentou estuprar a irmã com a colher de pau de mexer angu. Juntou um monte de companheiros no quintal, matou meus três gatos de estimação, fez churrasquinho e botou as cabeças, com os olhos esbugalhados, dentro da cristaleira da sala. O que eu tinha de joias roubou tudo e vendeu. Minha máquina de costura virou fumaça de cachimbo. Disseram que foi macumba para eu pagar penitência. Chamei o pastor para benzer a casa e tirar o encosto, mas ele mostrou a bunda e arregaçou o bilau para o pessoal que fazia a louvação. Quando eles cantaram o desconjuro para o belzebu maligno, ele pegou o cachimbo, acendeu uma pedra, ficou nu e dançou a dança da galinha cacarejando pelo meio da casa.” Concluiu a mãe. Como não houve flagrante, Rosalvo foi solto e vai responder o processo cachimbando em liberdade pelas ruas da cidade.

Lambida no brejo do pau

Tranquila, morando no barraco construído num terreno invadido na localidade de Brejo do Pau, Delaide, que tem um bode do saco barbudo conhecido como Zelão, invadiu também um pedaço do lote ao lado e fez uma horta com couve, bertalha, caruru e taioba. A cabrita virgem da vizinha Jocira, que se derretia pela catinga de Zelão, entrou no cio, pulou a cerca, mas antes de se descabritar arreganhada na sacanagem comeu toda a horta de Delaide. O dia seguinte foi o maior sururu no Brejo. A porrada comeu na invasão. A dona da horta tomou um porrão no pé do ouvido e jurou vingança eterna e imediata. Com as orelhas zumbindo, entrou no barraco, pegou um litro de álcool, jogou em cima de Jocira e sapecou fogo na vizinha. A chama lambeu as costas e parte da cabeça da vítima, que foi socorrida por amigos e internada no hospital. Dizem que a cabrita esta prenha e que Delaide afirmou que quando o cabritinho nascer ela vai cortar o animal no meio e esfregar as parte da bunda na cara queimada de Jocira.

O Saquá 128 – Dezembro/2010

Casos de polícia da edição de dezembro de 2010 do jornal O Saquá (edição 128)

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.