Dilma Rousseff: a poderosa primeira presidenta do Brasil

Editorial - Dulce Tupy

Quando Dilma Rousseff assumir a presidência do Brasil, a partir do dia 1º de janeiro de 2011, quem vai subir com ela a rampa do Palácio do Planalto serão todas as mulheres do país, principalmente as da geração que lutou contra a ditadura. Finalmente no poder, as mulheres que deram os primeiros passos no feminismo brasileiro, que participaram da luta pela emancipação da mulher e pelo voto feminino, que assumiram o controle da natalidade com a pílula anticoncepcional, que lutaram pelo divórcio, entre outras bandeiras, agora vão se refletir no rosto emblemático de Dilma que rompeu várias barreiras, pessoais e profissionais, antes de se tornar uma das mais poderosas chefes de estado do mundo.

Líder de um país em desenvolvimento e uma das maiores economias do planeta, Dilma terá como desafio demonstrar sua competência, já testada à frente de vários cargos públicos, como secretária de governos no Rio Grande do Sul – quando ainda era filiada ao PDT, o partido de Leonel Brizola, que tinha como presidente de honra o ex-comandante e ex-senador da república, Luiz Carlos Prestes – e como ministra do governo Lula, primeiro como ministra de Minas e Energia, uma área geralmente reservada aos homens, e depois como ministra da Casa Civil, o cargo mais próximo do presidente da república, que funciona como coordenação de todos os ministros, na equipe presidencial. Esta foi a função de Dilma no governo Lula, logo após o “Escândalo do mensalão”, que provocou o afastamento do ex-ministro José Dirceu.

Comparada a mulheres fortes como a presidente da Alemanha Angela Merkel, Dilma Rousseff venceu a eleição com pouco mais de 56% dos votos válidos e, em seu primeiro discurso depois de eleita, fez questão de ressaltar sua condição feminina dizendo que agora as mulheres do Brasil têm condições de dizer: eu posso ou nós podemos! É verdade, no intrincado universo político, as mulheres ainda são minoria, embora em termos de eleitorado elas tenham a maioria numérica. E esse foi mais um preconceito que Dilma teve que vencer, o de que mulher não vota em mulher… Também eu seu primeiro discurso, já eleita presidente, Dilma afirmou que fará um governo sem chance para a corrupção. Só o tempo dirá se vai conseguir essa façanha, numa conjuntura nacional onde os pequenos e grandes delitos administrativos fazem parte da cultura local e tem raízes históricas, num país cartorial como o nosso.

Com um perfil diferente de todos os presidentes que tivemos até o momento, a eleição de Dilma foi uma grata surpresa, num pleito nacional que tinha pela primeira vez duas mulheres: Dilma e Marina Silva. Por ser mulher, as pessoas vão cobrar caro cada gesto de Dilma e estranhar seu comportamento que não corresponde ao padrão feminino: doce e conciliador. Afinal, Dilma tem um perfil técnico, é exigente e tem fama de durona! Essa atitude faz parte de uma pessoa que vem se firmando no mundo político que é tradicionalmente masculino. Portanto, ela terá que ser extremamente competente e lutar para ser reconhecida, sem abrir mão das questões de gênero. Mãe e avó, certamente vai fomentar a política de criação de creches, por exemplo, pois sabe o que é ter um filho e não ter com quem deixar… Será um salto enorme, de qualidade e cidadania.

O Saquá 127 – Novembro/2010

Artigo publicado na edição de novembro de 2010 do jornal O Saquá (edição 127)

Compartilhe!

Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.