A Força da Enfermagem: 200 mil trabalhadores no Coren

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

Nós, profissionais de Enfermagem, não podemos assistir pacificamente o cenário político; temos que participar, reivindicar nossos direitos, condições adequadas de trabalho, equipamentos de proteção individual e coletiva. Durante anos fomos esquecidos pelos governantes, autoridades e patrões. Direitos elementares dos trabalhadores como a fixação de jornada de 30 horas descritos no projeto de lei 2295/2000 é uma luta pela valorização e dignidade dos enfermeiros e enfermeiras, responsáveis por grande parte das ações de prevenção de doenças no Brasil.

Na saúde, muitas categorias conseguiram regulamentar a jornada de trabalho. Mas a Enfermagem, que compõe 70% dos trabalhadores na saúde, ainda luta por esta conquista e enfrenta resistência no Congresso Nacional. Nós estamos presentes na quase totalidade dos serviços de saúde, em todos os Municípios. Nas Instituições hospitalares, estamos nas 24 horas do dia e nos 365 dias do ano, em contato direto com os pacientes. Melhorar as condições de trabalho da Enfermagem implica em proteção a este grupo, que no Brasil já supera o marco de um milhão e trezentos mil trabalhadores.

A Enfermagem cuida de seres humanos, do nascimento à morte, o que envolve relações interpessoais. A responsabilidade deste importante trabalho para a vida humana envolve desgaste físico e emocional, resultando muitas vezes em adoecimento e em faltas e afastamento do trabalho, o que causa problemas para os gestores e sobrecarga para os que permanecem e, muitas vezes, têm que realizar a dobra de plantões. Os serviços de Enfermagem são imprescindíveis para manutenção, prevenção e restabelecimento da saúde da população. Não existe serviço de saúde sem serviço de Enfermagem.

A Enfermagem tem de participar do processo político do País. Enquanto outras categorias profissionais como Engenheiros, Advogados e Médicos, estão buscando no Parlamento ações benéficas através dos seus representantes, a enfermagem continua ao lado do leito do cliente, desdobrando-se em cuidar, sem perceber que somente unida e consciente a categoria poderá alcançar não só melhores condições de trabalho, como também o reconhecimento da população para a importância dos serviços que ela presta.

Devemos dar um basta nas escalas de serviços de 12 x 36 horas, com a constante imposição de dobras de plantões, perfazendo uma carga horária absurda que na maioria das vezes ultrapassa as 44 horas semanais previstas na CLT e na Constituição Federal. Temos que ter locais adequados ao repouso noturno. Devemos dar um basta nas imposições de profissionais que não são da área de Enfermagem. Devemos participar enquanto atores da formulação e implementação de políticas públicas e termos estratégias próprias para alcançar e definir nossos espaços de atuação na política do País.

Capa O Saquá 126

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Artigo publicado na edição de outubro
de 2010 do jornal O Saquá (edição 126)

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.