Quem disse que a Casa da Cultura ia ser demolida?

Editorial - Dulce Tupy

Uma polêmica se estabeleceu na cidade, desde que foi anunciada a transferência da Casa de Cultura, para dar lugar ao Plenário da Câmara Municipal, no antigo prédio, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico Cultural (INEPAC), na Rua Coronel Madureira. Erguido em 1841, por determinação do Barão de Saquarema que fez esta doação para que o município pudesse ser emancipado -o que não ocorreria se não se comprovasse que tinha uma sede para instalar a Câmara – o prédio sempre abrigou a Câmara e a Prefeitura, até o final dos anos 70, quando foi inaugurada a Prefeitura Nova.

Construída no governo de Porphírio Azeredo, a nova Prefeitura abrigou, então, a sede dos Poderes Executivo e Legislativo, deixando o antigo prédio – ou Prefeitura Velha – para outras atividades, inclusive culturais.Com o falecimento do renomado escritor, dramaturgo, poeta e crítico de artes plásticas Walmir Ayala, nos anos 80, o local ganhou o nome de Casa da Cultura Walmir Ayala, assim como a Biblioteca Municipal José Bandeira, em homenagem ao grande poeta saquaremense, que trabalhou anos a fio como funcionário da Câmara no antigo prédio. Há 2 anos, a Câmara Municipal construiu um anexo nos fundos do terreno da Prefeitura Velha (Casa da Cultura) com os gabinetes do vereadores no segundo andar e a administração no primeiro, ampliando suas instalações. Porém, o plenário, coração da Câmara, permaneceu no prédio da Prefeitura, em frente. Em nenhum momento, o Executivo procurou uma solução para a Casa da Cultura. Por sua vez, os vereadores também não se envolveram neste assunto, pois o prédio que vem sendo utilizado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura pertence à Prefeitura e não à Câmara. Mas como o Executivo também necessita se expandir, propôs à Câmara a troca das instalações, autorizando a obra do novo plenário na Casa da Cultura.

Segundo o presidente da Câmara, José Carlos Cabral, mesmo com a construção de um novo plenário na Prefeitura Velha (Casa da Cultura), ainda ficaria faltando um almoxarifado, um local para o arquivo e uma sala de reuniões para os vereadores, o que seria suprido com a ocupação de um prédio intermediário, entre os gabinetes dos vereadores e a Casa da Cultura. Para isto, foi transferido para a Prefeitura, onde antes funcionava a Câmara, o Instituto de Benefício e Assistência dos Servidores Municipais de Saquarema (IBASS), que ocupava o tal prédio intermediário. O plenário continuou sendo usado pelos vereadores, só que sem acesso à cozinha e banheiros, o que provocou um enorme desconforto. Para beber água, um funcionário tinha que atravessar a rua com copos e garrafinhas… Enfim, o que fazer?

Enquanto estavam sendo feitas negociações para o início das obras na Casa da Cultura, correu um boato que os vereadores queriam “derrubar” a Casa da Cultura. Impossível, pois a Casa da Cultura, por ser um prédio tombado pelo INEPAC, jamais poderia ser demolido, porque demolir um prédio tombado é crime estabelecido em lei. Mas o boato, fruto da desinformação, contagiou os funcionários da Casa da Cultura e um grupo de artistas chegou a promover uma manifestação, atacando os vereadores como verdadeiros vilões. “Ora, o prédio não pertence à Câmara e sim à Prefeitura; foi a Prefeitura que propôs a mudança, inclusive com a saída da Casa da Cultura do local; não fomos nós”, explicou Cabral. Resultado: a Casa da Cultura fica onde sempre esteve e os vereadores voltam ao plenário, com acesso à cozinha e banheiro, de onde nunca deveriam ter saído.

Capa O Saquá 124

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Matéria publicada na edição de setembro
de 2010 do jornal O Saquá (edição 124)

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.