Cachorro ou gato?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Há os que preferem o gato como animal de estimação pelas sutileza, delicadeza e sagacidade dos bichanos. E há os que dão preferência às espontaneidade, lealdade e fidelidade dos cachorros. Gosto é gosto e não se discute.

O gato é dissimulado, indecifrável, inatingível. Arrogante, preguiçoso e insubmisso, ele só costuma obedecer se a sua vontade coincide com a vontade do seu dono. Mas, para mim, os gatos são irresistíveis!…

Aqui em Saquarema, tive um gato inesquecível: um negro gato com olhos de um dourado reluzente. Ele me comoveu quando, suplicante, apareceu em minha casa muito ferido, faminto e trôpego, mal podendo andar. Tratei dele, alimentei-o e quando se recuperou passou a ser meu fiel escudeiro. Foi o único ser vivo a alcançar meu pensamento. Isso aconteceu quando tive de decidir se ele seguiria comigo para o Rio ou seria devolvido às ruas da sua cidade… Foi então que entendi a mensagem daquele pungente olhar: “Você vai ter a coragem de me abandonar agora?”. Não, não tive. E ele seguiu comigo. Enquanto viveu foi só alegria, gratidão e amor: o gato mais doce na face da Terra.

Mas, há alguns dias, sensibilizou-me a notícia da cadela Shirley, que “salvou várias vezes a vida de sua dona Rebecca Farrar, de 6 anos, na Inglaterra”. É que a menina sofre de diabetes tipo 1 e sua cadela, da raça labrador, pelo faro, consegue detectar quando ela está prestes a ter crises de hipoglicemia. Assim, logo que percebe que Rebecca precisa de insulina, Shirley lambe sua mão e leva o medicamento até ela…É!… uma vez mais tem razão Lygia Fagundes Telles: “Cachorro ou gato é sempre um fragmento do “Paraíso Perdido”…

Ps. Desconfio que perdemos a Copa de 1998, na França, porque enviei para Zagallo a foto do meu negro gato vestido com a camisa da Seleção. Afinal, ele era brasileiro e tinha o direito de torcer pelo seu país… Será que deu azar, Zagallo?

Capa O Saquá 124

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Artigo publicado na edição de setembro
de 2010 do jornal O Saquá (edição 124)

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.