Vuvuzelas e caminhadas

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Tempo de Copa e de vuvuzelas… E não tem jeito: sempre que nos lembrarmos da Copa de 2010, lembraremos, sem sombra de dúvida, daquele zumbido contínuo, ensandecido e infernal das vuvuzelas… Do som que nos estádios, além dos transtornos causados, tem atingido a marca dos 127 decibéis, ultrapassando, e muito, os 85 suficientes para causar surdez… Paciência! Haja paciência, inclusive para os milhões de espectadores que acompanham os jogos pela TV e são obrigados a suportar, concorrendo com a voz do narrador, o barulho semelhante a um gigantesco vespeiro…
Luis Fernando Veríssimo, em recente crônica, lembrou Jean Paul Sartre com sua célebre frase: “o inferno são os outros”. E com refinado humor, o cronista acrescentou: “o inferno são os outros soprando vuvuzelas”…

Mas, para aliviar a tensão do futebol, dar uma boa relaxada e cuidar da saúde, nada como caminhar… De preferência, olhando o mar, respirando o ar puro da manhã de céu azul e com o calor ameno e acariciante desse sol de inverno…

Cecília Meireles, nossa inesquecível poeta, certa vez declarou que “gostava muito de caminhar e achava que teria sido capaz de dar a volta ao mundo a pé”… Eu já não iria tão longe… Para mim bastava alternar caminhadas na orla de Saquarema, com vista para a bela igrejinha de Nª Sª de Nazaré, e caminhadas no calçadão de Copacabana, saudando Caymmi, sorrindo pro Drummond e seguindo, feliz da vida, em direção ao Pão de Açúcar…

Capa O Saquá 122

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Artigo publicado na edição de julho
de 2010 do jornal O Saquá (edição 122)

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.